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16 Março 2016

Bergoglio não agrada porque não considera o mundo como um campo de batalha em que a Igreja está encarregada das retaguardas dos valores morais.

A opinião é de Maurizio Crippa, vice-diretor do jornal italiano Il Foglio, 15-04-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Ele surgiu na Loggia das Bênçãos, anunciado pelo nome de Francisco sem números, disse "boa noite" e se apresentou como bispo de Roma. Três anos depois daquele 13 de março de 2013, a direção do seu pontificado reflete aquilo que se podia imaginar na escuridão chuvosa daquela noite. Mas, ao mesmo tempo, ela permanece fluida, distante de possíveis equilíbrios.

Em vez disso, estão mais claras e consolidadas, sem dúvida, as motivações daqueles que, com intuição precoce, tinham intuído que "esse papa agrada demais", para citar uma feliz manchete do Il Foglio, que depois se tornou o título de outro feliz livro (mas é justa uma citação: não se fala aqui das opiniões de Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, e de Giuliano Ferrara).

Um papa que agrada demais, em termos de teologia negativa, significa: esse papa justamente não agrada. Eis alguns motivos, com uma pequena limitação do campo: o fato de ele agradar a tantos "inimigos" da Igreja, de Scalfari a Obama, é totalmente irrelevante.

O primeiro motivo pelo qual Jorge Mario Bergoglio não agrada àqueles – dentro e fora da Igreja – que são afeitos a uma concepção do catolicismo como uma religião idealmente eurocêntrica é que Francisco não é um papa ocidental. Bastaria olhar para o carnê das suas viagens para entender isso. Não apenas porque ele é um homem do segundo mundo, que olha para o terceiro e para o quarto (embora a acusação de terceiro-mundismo é superficial demais para ajudar a entender).

Mas, acima de tudo, porque Francisco evita coincidir o catolicismo com a religião histórica de uma parte do mundo, e o interesse da Igreja com o do Ocidente político –, assim como foi por muitos séculos e em época recente, na primeira metade do pontificado de Karol Wojtyla.

Por conseguinte, não agrada a sua geopolítica, que olha para a Rússia e até para a China como fronteiras a serem abertas, em um mundo que, ao contrário, está se armando muito: para o campo ocidental, uma atitude que parece de entendimento com o inimigo. Bergoglio não agrada porque não considera que a Igreja é uma com o espaço filosófico e cultural da nossa tradição – o que, ao contrário, estava nas cordas de Joseph Ratzinger.

Quando ele diz que "não existe um Deus católico", ele diz o que pensa: que o cristianismo não é um fato imputável ao catolicismo europeu. Do Ocidente, não lhe interessam as guerras, se não em termos de hospitais de campanha a serem preparados. Muito menos lhe interessam as guerras religiosas.

Ele antepõe o cuidado dos migrantes a todo o resto: não é sem significado que os dois gestos mais autoevidentes dos seus três anos foram Lampedusa e Ciudad Juárez. Nem marxista nem peronista, o seu ser antimercantilista é outro motivo que desconcerta aqueles que estão habituados a ler a doutrina cristã como totalmente interna ao perímetro liberal.

Bergoglio não agrada porque não considera o mundo como um campo de batalha em que a Igreja está encarregada das retaguardas dos valores morais.

Quando ele afirma, na Laudato si', que "quando, na própria realidade, não se reconhece a importância de um pobre, de um embrião humano, de uma pessoa com deficiência – só para dar alguns exemplos –, dificilmente se saberá escutar os gritos da própria natureza" (n. 117), é claro que a moral sexual (dos outros) e a família monoparental – que ele também defende; em breve, chegará a sua exortação pós-sinodal sobre o tema – não são os únicos parâmetros de referência.

Também estão mais claros, hoje, outros motivos internos que imediatamente tinham criado alarme. O primeiro é que ele foi escolhido por um partido "não italiano" e não da Cúria, que, pela primeira vez, está realmente cedendo espaço. Pode ser que a reforma da Cúria permaneça como a grande incompleta do pontificado, mas é evidente que a consideração de Bergoglio pelas Conferências Episcopais locais é um sinal que será difícil apagar. Por fim, o desprezo pelo formalismo e pelo tradicionalismo o tornou insuportável para aqueles que leem nisso um perigoso sinal da crise da Igreja.

Pela primeira vez em muitos séculos, o papa aparece como um irmão de outro planeta em relação à agenda consolidada e (para muitos) tradicional da Igreja Católica. Como escreveu Alberto Melloni no jornal La Repubblica, no futuro, também poderia voltar um "Pio XIII" para colocar as coisas em ordem.

Enquanto isso, como se conta que Leão X, filho de Lorenzo, o Magnífico, disse a seu irmão Giuliano, quando se tornou papa: "Já que Deus nos deu o papado, desfrutemo-lo".

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