Na Inglaterra, abuso sexual de crianças e adolescentes desafia estereótipos

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28 Outubro 2014

Primeiro houve um caso de abuso por parte de um famoso âncora da BBC. Depois escândalos em escolas particulares e na Igreja e rumores sobre uma rede de pedofilia no Parlamento. Então surgiu Rotherham: mais de mil adolescentes exploradas sexualmente enquanto as autoridades faziam vista grossa.

A reportagm é de Katrin Bennhold, publicada pelo The New York Times e reproduzida pelo Portal Uol, 26-10-2014.

Ao longo dos dois últimos anos, revelações notórias de abuso sexual de menores pintaram um quadro da Inglaterra como um lugar em que esse tipo de violação não só é endêmico como também encoberto de forma sistemática - quer porque os perpetradores têm um status muito alto ou porque as vítimas tem o status mais baixo possível.

Há duas lições aqui, dizem estudiosos e oficiais. A primeira é que o abuso sexual é bem mais comum do que se acreditava: atualmente, 2.500 crianças na Inglaterra estão em planos de proteção a menores porque são consideradas em risco de abuso sexual. Mas a polícia agora fala publicamente em "dezenas de milhares" de vítimas por ano.

A segunda lição é que a principal motivação do abuso é a impunidade: "o abuso acontece no contexto da permissividade", diz Helen Beckett, especialista no assunto na Universidade de Bedfordshire.

Se o caduco sistema de classes da Inglaterra tornou o abuso mais permissível é uma questão ainda em aberto, diz ela. Mas fixar-se em um estereótipo em particular - a celebridade branca ou o padre pedófilo ou os motoristas de táxi paquistaneses - pode permitir que outros ofensores não sejam detectados.

Em 2012, foi revelado que Jimmy Savile, ex-âncora de programas infantis na televisão e um dos principais da BBC, que morreu em 2011, havia estuprado inúmeras crianças enquanto colegas e a polícia fingiam não ver. Savile, que era amigo da ex-primeira ministra Margaret Thatcher, usava sua instituição beneficente para ganhar acesso a suas vítimas em escolas e hospitais. Desde então, Rolf Harris, 84, antigo apresentador popular de TV; Max Clifford, 71, um relações públicas bastante conhecido; e Stuart Hall, 84, outro ex-apresentador da BBC, estão entre os que foram condenados por crimes envolvendo menores.

Enquanto isso, em julho, os ingleses ficaram sabendo de denúncias de que Cyril Smith, ex-membro do parlamento que morreu em 2010, abusou de meninos em um orfanato em seu distrito eleitoral. As denúncias contra ele e outros foram detalhadas em um arquivo preparado há três décadas por um legislador em uma cruzada para descrever uma rede de pedofilia que envolvia "nomes muito, muito famosos". Mas o arquivo desapareceu misteriosamente.

Aparentemente, mais nada poderia chocar o país - mas em agosto uma reportagem de fora sobre a cidade de Rotherham, no norte da Inglaterra, explodiu nas manchetes: pelo menos 1.400 garotas brancas tinham sido abusadas, estupradas e traficadas por grupos de homens, principalmente de ascendência paquistanesa, de 1997 a 2013.

Simon Bailey, chefe de abuso contra menores da Associação de Chefes de Polícia, alertou na semana passada que "muitos outros Rotherhams surgirão".

Os pedófilos confiam em estereótipos poderosos, diz Alexis Jay, autora da matéria sobre Rotherham, principalmente na ideia de que garotas pobres são problemáticas e promíscuas. A polícia se refere rotineiramente a vítimas de 12 anos como "prostitutas" ou algo pior.

Agora, é claro, outro poderoso estereótipo corre o risco de se enraizar: o de um pedófilo de origem asiática com uma vítima branca. O legado de Rotherham, alerta Beckett, não deve servir para substituir um estereótipo por outro. "Se nos concentramos muito no fator racial, inadvertidamente transmitiremos a mensagem de que não é preciso procurar em nenhum outro lugar", disse ela.

Sue Berelowitz, vice-comissária de menores, contou que durante uma visita a uma delegacia de polícia o principal termo de pesquisa no sistema interno de fichas policias era "homem asiático". Ela perguntou o que aconteceria se o agressor não fosse asiático e responderam: 'não são esses que estamos procurando'", ela lembrou em uma entrevista.

"A cegueira é fascinante", diz Berelowitz, acrescentando que o mesmo vale para as vítimas. "Vítimas de minorias étnicas estão sendo esquecidas."

Bailey demonstrou a mesma preocupação, e alertou que "um foco pouco saudável" no modelo de abuso de asiáticos contra brancos mascara o quadro mais amplo. "Esse quadro é de que 90% dos abusos sexuais contra menores acontecem em casa", disse ele ao "The Guardian" na semana passada.

Mas no que se refere ao abuso de menores, é difícil superar os estereótipos. "É mais fácil reportar que um determinado grupo étnico é culpado ou que as vítimas são problemáticas", disse Beckett. "Ninguém quer acreditar que isso pode acontecer com alguém próximo."

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