Papa Francisco critica uma emissora católica conservadora

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22 Setembro 2021


O Papa Francisco fez uma crítica velada à Eternal Word Television Network, dos Estados Unidos, conhecida como EWTN, dizendo que embora ele possa ser digno de um escrutínio pessoal, a Igreja não merece ataques como os regularmente feitos pela estação.

A reportagem é de Christopher White, publicada por National Catholic Reporter, 21-09-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

“Existe, por exemplo, um grande canal católico de televisão que não hesita em continuamente falar mal do Papa”, disse Francisco. “Eu pessoalmente mereço ataques e insultos porque sou um pecado, mas a Igreja não merece. Eles estão fazendo o trabalho do diabo. Eu tenho dito isso a alguns deles também”.

Os comentários do papa foram feitos durante o encontro com os jesuítas, em 12 de setembro, na visita à Eslováquia. Sua citação foi publicada pela revista jesuíta La Civiltà Cattolica, em 21 de setembro.

Nos últimos anos, a EWTN, com sede em Birmingham, Alabama, e uma das maiores empresas de mídia católica, se tornou conhecida pela sua regular cobertura de oposição ao Papa Francisco e com foco na política partidária. Nenhum outro conglomerado de mídia tem regularmente feito críticas abertas ao Papa Francisco.

Mais notavelmente, o apresentador Raymond Arroyo regularmente promoveu e entrevistou o cismático ex-núncio apostólico para os Estados Unidos, o arcebispo Carlo Maria Viganò. Nos últimos três anos, Viganò vem pedindo a renúncia do Papa Francisco.

Arroyo também regularmente recebe um grupo de “comentaristas papais”, conhecidos por suas visões contrárias a Francisco. Neste grupo estão o padre Gerald Murray, da Arquidiocese de Nova York, e o escrito Robert Royal.

Em livro de 2020, “The Outsider: Pope Francis and his battle to reform the Church” (“Forasteiro: o Papa Francisco e sua batalha para reformar a Igreja”, em tradução livre), o jornalista britânico Christopher Lamb relatou que o núncio apostólico para os Estados Unidos, Christoph Pierre, expressou a irritação com o CEO da EWTN, Michael Warsaw, sobre a cobertura papal feita pela rede. Warsaw é um consultor para o Dicastério para Comunicações do Vaticano.

Durante sua fala aos jesuítas na Eslováquia, o Papa também se dirigiu diretamente aos padres que abertamente criticam o seu ministério.

“Sim, também existem clérigos que fazem comentários desagradáveis sobre mim. Às vezes, perco a paciência, especialmente quando eles fazem julgamentos sem entrar em um diálogo real. Não posso fazer nada”, disse ele. “No entanto, sigo sem entrar nos seus mundos de ideias e fantasias. Não quero entrar e é por isso que prefiro pregar, pregar... Algumas pessoas me acusam de não falar de santidade. Dizem que sempre falo de santidade questões sociais e que sou comunista”.

Francisco tem feito paradas regulares não programadas para se encontrar com seus confrades jesuítas durante suas viagens internacionais e essas conversas são publicadas por La Civiltà Cattolica.

Enquanto se encontrava com os jesuítas eslovacos, o papa também falou livremente sobre aqueles que são céticos quanto à sua abordagem mais acolhedora do casamento e da vida familiar, sua recuperação de sua recente cirurgia e padres tradicionalistas.

Quando questionado por um jesuíta sobre as preocupações com a “ideologia de gênero”, o papa disse que havia uma necessidade de distinguir entre aqueles que buscam promover uma ideologia de que alguém poderia escolher seu próprio gênero biológico e daqueles que se engajam em pastoral para pessoas LGBTQIA+.

“A 'ideologia de gênero' de que você fala é perigosa, sim. Pelo que entendo, é abstrata a respeito da vida concreta de uma pessoa, como se uma pessoa pudesse decidir abstratamente à vontade se e quando seja homem ou mulher”, disse Francisco.

“A abstração é sempre um problema para mim. Isso não tem nada a ver com a questão homossexual, porém. Se houver um casal homossexual, podemos fazer um trabalho pastoral com eles, avançar em nosso encontro com Cristo”, continuou. “Quando falo em ideologia, estou falando sobre a ideia, a abstração em que tudo é possível, não sobre a vida concreta das pessoas e sua situação real”.

O papa também lembrou o polêmico Sínodo dos Bispos sobre a Família de 2014 e 2015, onde o cuidado pastoral para casais divorciados e recasados e as preocupações LGBTQIA+ foram discutidas abertamente, provocando uma rixa entre os prelados conservadores que participaram do evento.

“Assusta-nos avançar nas experiências pastorais. Penso no trabalho que foi feito (…) no Sínodo sobre a Família para fazer compreender que os casais em segunda união ainda não estão condenados ao inferno”, recordou o Papa. “Assusta-nos acompanhar as pessoas com diversidade sexual. Temos medo das encruzilhadas e dos caminhos de que falou Paulo VI. Este é o mal deste momento, nomeadamente, procurar o caminho na rigidez e no clericalismo, que são duas perversões”.

Em julho, Francisco enviou baqueou as comunidades católicas tradicionalistas ao restringir significativamente a celebração da missa tradicional em latim.

Em resposta ao retrocesso da decisão, o papa compartilhou a história de um cardeal que lhe contou sobre dois padres recém-ordenados que buscavam permissão para estudar latim e celebrar a missa tradicional em latim.

“Com senso de humor, ele respondeu”, lembrou o papa: “‘Mas há muitos hispânicos na diocese! Estude espanhol para poder pregar. Então, quando você tiver estudado espanhol, volte para mim e eu lhe direi quantos vietnamitas há na diocese, e vou pedir-lhe que estude vietnamita. Então, quando você tiver aprendido vietnamita, eu lhe darei permissão para estudar latim’”.

“Então ele os fez ‘terra’, ele os fez voltar à terra. Eu vou em frente, não porque quero começar uma revolução”, disse Francisco. “Eu faço o que sinto que devo fazer. É preciso muita paciência, oração e muita caridade”.

Francisco, que manteve uma agenda exigente durante suas viagens de quatro dias à Hungria e Eslováquia, também respondeu com humor quando questionado sobre como estava se saindo após a cirurgia e 10 dias de hospitalização em julho.

“Ainda vivo, embora algumas pessoas quisessem que eu morresse. Sei que houve até reuniões entre prelados que pensaram que a condição do papa era mais grave do que a versão oficial”, disse Francisco. “Eles estavam se preparando para o conclave. Paciência! Graças a Deus, estou bem”.

 

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