Em resposta a Trump, núncio apostólico diz que Igreja deve ser profética

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14 Novembro 2016

Em resposta à eleição de Donald Trump, o representante do Papa nos Estados Unidos acredita que a Igreja precisa "assumir um papel profético". Em um almoço na Universidade de Georgetown para discutir o desarmamento nuclear, Dom Christophe Pierre reconheceu que "atualmente, o Papa é mais profético do que os bispos católicos daqui".

A informação é de Thomas Reese, jornalista e jesuíta, publicada por National Catholic Reporter, 12-11-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Em relação aos refugiados, por exemplo, ele disse, "para ser honesto, nós não fizemos muita coisa sobre essa questão nos Estados Unidos, poderíamos fazer muito mais".

"Nós [do Vaticano] podemos colaborar enviando algumas ideias, e essas ideias têm que ser pensadas na conferência dos bispos", disse ele. A Conferência de Bispos Católicos dos EUA (USCCB) "é o lugar certo para expressar a visão dos bispos católicos".

A USCCB começa sua reunião anual do outono na segunda-feira, em Baltimore, onde o Núncio Dom Pierre falará aos bispos.

O "pior aspecto" de Trump é a sua "imprevisibilidade", disse o Arcebispo Silvano Tomasi, ex-representante do Vaticano para agências da ONU em Genebra, entre 2003-2015, e agora secretário do novo Dicastério do Vaticano para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

Também não faltaram críticas a Hillary Clinton. "O Papa Francisco está lutando contra ideologias", observou Pierre. "Fiquei espantado ao ouvir o último discurso de Clinton na televisão - é completamente ideológico. Ela não entendeu nada. É terrível. É por isso que ela perdeu. Está cercada de ideologias".

Ele lembrou que para o Papa, a realidade é mais importante do que as ideias. "Mas os políticos aqui permanecem no nível das ideias. É assustador! Ela não escutou, ou melhor, eles não escutaram".

A almoço para cerca de doze acadêmicos e ativistas convidados que trabalham com desarmamento nuclear foi organizado pelo gabinete do presidente da Universidade de Georgetown, em uma sala com pinturas a óleo de velhos cardeais jesuítas que olham para os participantes de cima para baixo.

O discurso de abertura realizado por Tomasi foi um relatório pessimista sobre a contínua presença de armas nucleares, o perigo da sua utilização e a falta de progresso nas negociações de desarmamento.

"Atualmente, há nove Estados que possuem aproximadamente 17.000 armas nucleares", relatou ele. Em vez de caminhar rumo ao desarmamento, os Estados Unidos têm um programa abrangente para as próximas três décadas que custará cerca de 3 bilhões de dólares". Enquanto isso, "a Rússia tem implantado mísseis táticos em Kaliningrado".

Ele atentou para o fato de que o presidente eleito Trump apoiou a opção de uma Coreia do Sul nuclear. As consequências da proliferação nuclear na região "poderiam ser catastróficas", disse ele.

Tomasi disse que os riscos e perigos das armas nucleares são iminentes se não se rumar ao desarmamento agora. Ele concorda com William J. Perry, que escreveu, no livro “Minha Jornada no Limite Nuclear”: "Um pesadelo nuclear como o que eu encenei poderia tornar-se uma realidade trágica se as medidas preventivas necessárias não forem tomadas já".

O ex-núncio lamentou o fato de que "a Conferência das Nações Unidas sobre o Desarmamento está bloqueada há mais de 20 anos" e nem sequer é capaz de adotar uma agenda consistente.

Ele citou a fala do Papa Francisco de que "a dissuasão nuclear e a ameaça de destruição mútua não podem ser a base de uma ética da solidariedade e da coexistência pacífica entre os povos e Estados". Continuando a citar o Papa, o arcebispo disse: "A paz deve ser construída sobre a justiça, o desenvolvimento socioeconômico, a liberdade, o respeito pelos direitos humanos fundamentais, a participação de todos na vida pública e a construção da confiança entre os povos".

O professor da Universidade Católica Maryann Cusimano Love, um otimista confesso, questionou se a presidência de Trump poderia proporcionar uma oportunidade única para reduzir as armas nucleares ainda mais. "É um mundo nuclear muito assustador", disse ele ao The New York Times. "O maior problema do mundo, para mim, são as armas nuclear e a sua proliferação".

Love apontou que há rumores de que o tio de Donald, John Trump, um físico nuclear, há muitos anos explicou ao jovem Trump os perigos das armas nucleares. O próprio Trump perguntou por que estamos construindo armas nucleares se nunca vamos utilizá-las. Além disso, um acordo nuclear com o presidente russo Vladimir Putin consistiria em uma política externa de sucesso para confundir seus adversários, provando que Trump realmente é o grande negociador que ele diz ser.

Pierre concordou que a Igreja Católica nos EUA deve pressionar o novo governo em relação às questões nucleares como parte de seu papel profético. Outros convidados não foram tão otimistas quanto Love a respeito da possibilidade de um avanço sobre o desarmamento nuclear na presidência de Trump, mas concordaram que devem continuar pressionando.

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