O processo contra Becciu e outros nove

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10 Julho 2021

 

Quando os historiadores chegarem a escrever sobre as tentativas do Papa Francisco de reformar as finanças da Santa Sé, a sua decisão de permitir o processo contra um importante cardeal por supostos malfeitos será julgada como uma virada crucial.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada em The Tablet, 09-07-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Angelo Becciu, que atuou como o equivalente a um chefe de gabinete papal durante sete anos, está sendo processado junto com outros nove indivíduos depois de uma longa investigação sobre o desastroso investimento de 350 milhões de euros [2,2 bilhões de reais] por parte da Santa Sé em uma propriedade de luxo em Chelsea, na Inglaterra.

Isso não tem precedentes. Nunca antes um cardeal vaticano foi processado dessa forma por improbidade financeira, e isso envia uma mensagem de que a responsabilização por supostas irregularidades está sendo aplicada independentemente do nível clerical.

Becciu não é um cardeal qualquer, já que o outrora muito influente prelado da Sardenha ocupou o cargo de sostituto de 2011 a 2018, uma posição de grande autoridade e influência. Dada a sua posição como cardeal, ele só poderia ser indiciado com a aprovação do papa, com a decisão de prosseguir com um julgamento após a remoção dos privilégios legais para cardeais e bispos vaticanos.

Embora Francisco tenha introduzido leis para combater a corrupção, evitar conflitos de interesse e fortalecer o sistema regulatório que supervisiona a atividade financeira do Vaticano, a falta de processos contra figuras importantes por irregularidades tem levantado críticas persistentes. Em outras palavras: é bom emitir leis e regulamentações, mas elas precisam ser cumpridas.

“A decisão de realizar o julgamento e processar um cardeal renomado é realmente importante e muito encorajadora”, disse Lord Tom Camoys, um veterano banqueiro do Reino Unido e consultor financeiro de longa data do Vaticano. “Isso mostra que não há mais nenhuma proteção de indivíduos, e isso é importante, pois a reputação do Vaticano está em risco.”

No entanto, um julgamento de alto nível, sob a luz direta dos holofotes da mídia, dificilmente será um mar de rosas. A liderança da Secretaria de Estado da Santa Sé provavelmente será examinada minuciosamente. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, e o chefe do gabinete papal, o arcebispo Edgar Peña Parra, assinaram vários elementos do complexo acordo imobiliário de Londres, embora os promotores vaticanos digam que não foram “efetivamente informados” dos detalhes dos negócios nem estavam cientes das suas ramificações legais. O cardeal Parolin afirma que a secretaria “se considera uma vítima”.

No entanto, o que este caso evidenciou é o sistema impraticável de bispos e cardeais – que carecem de treinamento financeiro suficiente – como responsáveis por carteiras de investimento de vários milhões de euros.

“Um dos problemas é que os membros do clero em posições de responsabilidade nem sempre foram devidamente informados sobre o que o seu papel envolvia quando se tratava de supervisão financeira. É um problema ligado a um sistema desatualizado”, disse Lord Camoys.

A má gestão do negócio de Londres levou Francisco a ordenar a transferência da gestão dos bens da Secretaria de Estado para a APSA (Administração do Patrimônio da Santa Sé), onde Fabio Gasperini, com 25 anos de experiência na área em serviços financeiros, é o número dois, a primeira autoridade não ordenada em uma função tão importante.

“É o papa quem quer que as coisas sejam limpadas”, disse Lord Camoys, que foi membro da APSA de 1992 a 2016 e é ex-presidente do fundo da The Tablet. “Nós limpamos a barragem, mas é preciso uma grande reforma do sistema.”

O cardeal Becciu, que renunciou ao seu cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos em setembro passado e também ao seu direito de voto em um futuro conclave, negou todos os malfeitos.

 

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