Solenidade da Santíssima Trindade - Ano B - A Trindade é modelo para toda convivência humana

Foto: Cathopic

Por: MpvM | 28 Mai 2021

 

Hoje fazemos memória da Santíssima Trindade, fonte, horizonte, modelo e meta de nossa caminhada humana, eclesial, social e cósmica. Somos profundamente agradecidas pela vida de comunhão, de igualdade, de interação e partilha a que somos chamadas pelo batismo.

 

Somos batizadas em “nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, missão que foi confiada por Jesus aos apóstolos/as. (Mt 8,20). Nosso Deus é muito acessível e conta com nossa relação de amor (1ª Leitura) e Paulo aponta que o Pai nos dá o Espírito que nos torna filhas/os no Filho, Jesus (2ªleitura).

 

Bendito seja Deus Uno e Trino! Ele é misericordioso para conosco.

 

A reflexão é de Maria de Lourdes Zavarez, leiga consagrada ao povo de Deus. Ela é  Bacharel em teologia pela Faculdade Teológica de Goiânia (1990) e mestre em Liturgia pela Faculdade de Teologia N. Senhora Assunção (1999). Ela é membro da Rede Celebra, rede de animação litúrgica e atua como assessora de comunidades, teóloga com mestrado em liturgia. Além disso, coordena e leciona no Curso de Pós graduação em Liturgia, pela Rede Celebra e FAJE/ BH.  Reside em Nova Veneza/GO.

 

 

Leituras do Dia
1ª Leitura - Dt 4,32-34.39-40
Salmo - Sl 32,4-5.6.9.18-19.20.22 (R.12b)
2ª Leitura - Rm 8,14-17
Evangelho - Mt 28,16-20

 

Dentro de uma realidade insegura, pandêmica e sofrida, encerramos este ano as festas pascais, animadas pelo evangelho de João que nos fortaleceu a esperança na vitória da vida e do amor.

Este quadro joanino nos permite interpretar as leituras de hoje, Solenidade da Santíssima Trindade. Ligamos assim o tempo pascal à segunda parte do tempo comum, contemplando e agradecendo o conjunto da ação maravilhosa de Deus, realizada pela Encarnação e pela Redenção.

Hoje não é uma festa litúrgica para afirmar e defender a doutrina e dogma do grande mistério trinitário, mas uma celebração com olhar retrospectivo e agradecido pela salvação que o Pai realizou a toda humanidade, por Jesus Cristo sob o impulso amoroso e renovador da divina RUAH, o seu Espírito.

Este ano as leituras evidenciam a ação misericordiosa das Três Pessoas divinas entre nós, estabelecem e fortificam nosso vínculo batismal de filhas e filhos na Comunhão Trinitária, “a melhor Comunidade”, como nos dizia o querido Pedro Casaldáliga no 6º. Intereclesial das CEBs, em Trindade no ano de 1986.

A conclusão do evangelho de Mateus, hoje, nos coloca com o Senhor Ressuscitado, na montanha da Galileia, ponto de partida, onde Ele reuniu e “precedeu” seus discípulos e discípulas.

Esta volta para a GALILEIA é opção decisiva, pois retoma o mesmo caminho feito por Ele. Foi na Galileia que Jesus iniciou sua missão, no meio a oposições, resistências e fracassos. É daí, do lugar dos pobres, pequenos e insignificantes, que as discípulas e discípulos devem iniciar o anúncio do evangelho, a Boa Notícia, testemunhando que o Senhor está vivo e chama toda a humanidade para a Comunhão de Amor, imagem da vida trinitária.

Duas atitudes são necessárias para que a “prática da justiça” proposta do evangelho de Mateus, estabeleça o Reino: O Batismo em nome da Trindade e a vivência de tudo o que Jesus ensinou, cuja síntese está no sermão da montanha (cf. Mt 5-7). Agindo assim, a comunidade torna-se autêntica discípula.

 

 

Ser batizada em nome da Trindade é ser vinculada plenamente ao projeto de Deus que Jesus nos revelou e que nossa vida cristã deve assumir e atualizar. O batismo em nome da Trindade significa consagração, dedicação total a serviço da justiça e da fraternidade, hoje com tão necessária urgência.

O evangelho termina com uma promessa de grande afago, consolo e esperança: “Estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo”. Mateus inicia seu evangelho apresentando Jesus como o Emanuel, o Deus conosco (Mt 1,23) e conclui mostrando a presença viva, permanente e indestrutível d'Ele na comunidade e na história, para que o Reino de justiça se concretize. Isto muito nos encoraja e anima neste tempo de aflição e de graça em que estamos. Sua presença é viva, amorosa e eficaz entre nós!

O capítulo 4 do Deuteronômio desmascara os ídolos e acentua a unicidade e a originalidade do Deus da Aliança que libertou seu povo da escravidão do Egito e o conduziu para uma terra livre, de maneira impressionante. É um acréscimo feito no tempo do exílio da Babilônia, revelando que Deus age na história como um aliado fiel e por isto, ancora a fé do povo com a experiência de ser um povo livre, feliz, organizado e com o cuidado da terra, nossa “Casa Comum”.

 

 

Hoje é preciso nos desvincular dos ídolos prepotentes e gananciosos que nos envolvem enganosamente e massacram nossa dignidade de povo livre e participativo. Nosso Deus está muito junto conosco de maneira acessível, comprometedora e cheia de amor.

Por isto, cantamos no salmo 32 o louvor a Deus, uno e trino que é misericordioso para conosco e nos escolheu por sua herança. Que Ele nos confirme em sua aliança!

A carta de Paulo aos Romanos foi escrita para animar e fortalecer a comunidade no compromisso da vivência do espírito cristão num contexto difícil de medo, de exploração e violência. Traz hoje uma síntese da “vida no Espírito”. Recebemos o Espírito de filhas e filhos de Deus, pelo qual gritamos “Abba, Pai” (Papai...Paizinho!) como Jesus O chamava, na sua experiência de intimidade com o Pai.

Isto é comovente: recebemos o mesmo Espírito que Jesus recebeu no seu batismo e com Ele somos batizadas. Espírito de liberdade e coragem e não de escravidão e de medo. Assumimos livremente viver como filhas e filhos de Deus, Trindade Santa, quando amamos com autenticidade e com práticas concretas a favor da vida.

Na comunhão trinitária estão inseridos harmoniosamente nosso feminino e nosso masculino. A Trindade é modelo para toda convivência humana, social respeitosa, igualitária das diferenças e justa. A partir da fé em Deus Uno e Trino, nós podemos sonhar com uma sociedade imagem e semelhança da Trindade, vencendo esta sociedade de desigualdade e exclusão que temos agora.

 

 

“Tudo está interligado, e isto convida-nos a maturar uma espiritualidade global que brota do mistério da Trindade” (Laudato Si, n.240)

Hoje fazendo memória da Trindade, fonte, horizonte, modelo e meta de nossa caminhada humana, eclesial, social e cósmica, somos agradecidas pela vida de comunhão, de igualdade, de interação e partilha a que somos chamadas pelo batismo.

Celebramos este mistério estreitando nossa comunhão de amor com o Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. A Santíssima Trindade é o principal agente que atua na liturgia, em conjunto com o povo e um com o outro. A saudação dialogal que acolhemos no início da celebração nos introduz nesta relação comprometedora e amorosa de aliança:

Confiantes na ação trinitária e benfazeja em nós e entre nós, hoje rezamos, neste tempo de sofrimento e morte, clamando ao “Paizinho” Amado, como fez Jesus, através da oração inicial:

Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito Santificador, revelastes o vosso inefável mistério. Fazei que professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a Unidade onipotente. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

A comunhão fecunda entre os divinos Três, sem antes nem depois, sem acima e sem abaixo, sua paixão recíproca sem posse e subordinação é fonte inspiradora e modelo de uma sociedade humana que se assenta sobre a colaboração de todos, em pé de igualdade, a partir das diferenças de cada um/a, gerando uma formação social fraterna aberta, justa e igualitária”.
(Leonardo Boff)

 

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