Um bilhão de dólares por mês. A vacina contra a Covid é um grande negócio para a Pfizer

Foto: Felton Davis | Flickr CC

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

05 Mai 2021

 

Mais de um bilhão de dólares por mês graças à vacina contra a Covid, um faturamento de 3,5 bilhões apenas no primeiro trimestre. Receitas em claro aumento, dividendos elevados, mas acima de tudo previsões ainda mais otimistas: os números divulgados pela Pfizer são assombrosos após os primeiros três meses de 2021, o ano da vacina contra a Covid.

A reportagem é de Claudio Paudice, publicada por Huffington Post, 04-05-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

A multinacional melhorou sua projeção para 2021 e agora espera que as receitas fiquem entre US $ 70,5 e US $ 72,5 bilhões no ano (entre US $ 3,55 e US $ 3,65 por ação). A previsão anterior, por outro lado, previa receitas de cerca de 60 bilhões de dólares. Mas basta olhar as contas e as estimativas recém-divulgadas para entender que 2021 será um ano inesquecível para a multinacional estadunidense: no primeiro trimestre de 2021, o faturamento foi de 14,58 bilhões de dólares, em claro aumento em relação aos 10,08 bilhões do ano passado. O resultado é ainda melhor do que as estimativas e, como é óbvio, pode ser atribuído em grande parte à comercialização da vacina contra a Covid desenvolvida em conjunto com a alemã BioNTech. A receita proveniente exclusivamente do medicamento BNT162b2 foi de 3,5 bilhões de dólares entre janeiro e março. Sem as vacinas, o aumento do faturamento é ″apenas″ de 8%. Por fim: o lucro líquido entre janeiro e março foi de 4,877 bilhões, em relação aos 3,5 do ano anterior.

Os próximos meses não ficarão atrás, já que a empresa farmacêutica dos EUA espera vendas em 2021 de US $ 26 bilhões relativas apenas à vacina, acima de sua previsão anterior de cerca de 15 bilhões, quase o dobro. A meta é administrar 1,6 bilhão de doses da vacina contra a Covid. Para se ter uma ideia, basta pensar que de acordo com os dados atualizados de 3 de maio, já foram entregues 430 milhões de doses em 91 países e territórios ao redor do mundo.

Mas já nos primeiros três meses do ano, o faturamento da Pfizer é impressionante. As receitas aumentaram US $ 4,5 bilhões, ou 45%, em relação ao trimestre anterior. A força motriz por trás das receitas da BNT162b2, no valor de 3,5 bilhões de dólares, fez com que o lucro por ação aumentasse 47% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A empresa sediada em Nova York declarou que teve um lucro de 93 centavos por ação. Os resultados superaram as expectativas de Wall Street: a estimativa média de cinco analistas entrevistados pela Zacks Investment Research era de 79 centavos por ação. Os acionistas receberam dividendos de US $ 0,39 por ação, para um total de US $ 2,2 bilhões pagos pela Pfizer nos primeiros três meses do ano. Ainda no segundo trimestre o Conselho de Administração deliberou o mesmo valor por ação.

Ganhos possíveis apenas graças às compras maciças dos países industrializados da União Europeia e da América do Norte. Em 2021 haverá um total de 600 milhões de doses que Pfizer e BioNTech entregarão aos 27 países membros da União Europeia, e 300 milhões para os Estados Unidos, além de vários milhões para Israel e Canadá, num total de 1,6 bilhão de doses, segundo os últimos contratos firmados pela multinacional em meados de abril. E não está excluído que até dezembro outros possam ser assinados, caso em que as previsões atualizadas serão revisadas.

Mas, embora o mundo inteiro precise de uma vacina, nem todos os países têm igual poder econômico e os números sobre o andamento das vacinações naqueles menos avançados são uma triste confirmação disso, além de representar uma condenação implícita contra aqueles que tiveram a sorte de nascer na parte "certa" do mundo. A pandemia de fato aprofundou mais ainda o abismo entre os países de renda média e alta - onde se concentra a maior disponibilidade de vacinas anti-SarsCoV2 - e os de baixa renda. Apenas 0,2% das doses disponíveis até o momento chegaram a estes últimos, segundo os números da OMS. O continente africano é aquele que sofre há meses a mais grave escassez de medicamentos contra a Covid.

Uma boa notícia para a África do Sul, que tem o maior número de casos e mortes por Covid-19 em toda a África, é a chegada de seu primeiro lote da vacina Pfizer de 325.260 doses. Espera-se que muitas outras remessas de vacinas da Pfizer sejam entregues nas próximas semanas, totalizando 4,5 milhões de doses até o final de junho e 30 milhões até o final do ano, além da entrega de 31 milhões de doses da vacina Johnson & Johnson: a meta declarada é imunizar 40 milhões de cidadãos, dos 60 milhões de habitantes, até fevereiro de 2022. De acordo com o African Center for Disease Control and Prevention, a África do Sul registrou um total de mais de 1,58 milhão de casos confirmados, incluindo mais de 54.000 mortes e até agora vacinou pouco mais de 317.000 de seus 1,2 milhão de trabalhadores de saúde. Olhando por um ângulo mais amplo, o número assusta: em todo o continente africano apenas 1,3% dos habitantes receberam a primeira dose.

No entanto são um bilhão e 134 milhões de doses da vacina administradas em todo o mundo, das quais mais de 20% - 240 milhões - nos Estados Unidos. Cerca de 272 milhões de pessoas completaram o ciclo de vacinação, o equivalente a 3,5% da população mundial. Mas 83% das vacinações realizadas, destaca o Comitê No Profit on Pandemic - que lançou uma campanha com o objetivo de um milhão de assinaturas para pedir à UE a suspensão das patentes de vacinas e medicamentos anti-Covid - está em alta em países de renda média. Apenas 0,2% das doses foram administradas em países de baixa renda. O resultado é que enquanto 47 em cada 100 pessoas na América do Norte receberam pelo menos uma dose da vacina e 30% na Europa, a porcentagem cai drasticamente na Ásia, onde 12% da população recebeu pelo menos uma dose. Sem mencionar a África.

 

Leia mais