Primeiros passos para a Articulação da Economia de Francisco e Clara no Regional Norte 1

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07 Abril 2021

 

Criar uma economia com alma, um sistema que pensa no ser humano e no cuidado da casa comum, esse é o propósito da Economia de Francisco e Clara. Trazer essa reflexão para o Regional Norte 1 da CNBB, tentando envolver os jovens, tem sido a motivação do encontro virtual que aconteceu nesta terça-feira, 06 de abril, dando início a uma semeadura.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Na Amazônia foi criado em agosto de 2020 um grupo de animação com representações dos estados do Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia e Pará, que nos últimos meses tem pensado juntos uma caminhada de semeaduras sobre o anúncio do Papa e como pensar os rostos dessa outra economia que já existe e acontece em nosso território.

Partindo da ideia das vilas ou aldeias temáticas em que é dividida a Economia de Francisco e Clara, 12 espaços temáticos para debater a economia em nível global, querem ser dados passos que ajudem trazer essas propostas para o Regional Norte 1. Trata-se de subdivisões em grupos temáticos, realizadas com os jovens selecionados para o encontro em Assis. São laboratórios de diálogo, escuta e partilha de vida, com o propósito de encontrar soluções conjuntas e caminhos alternativos para uma nova economia. Junto com economistas, os jovens são chamados a pensar de forma crítica e sustentável, soluções para os problemas do mundo contemporâneo.

O encontro serviu para fazer uma apresentação geral de cada uma das vilas, fazendo referência à articulação de cada uma delas no Brasil. Ao falar sobre “Finanças e Humanidade”, a Ir. Michele Silva, que faz parte da coordenação da Economia de Francisco e Clara no Regional Norte 1 e também em nível nacional e que apresentou as vilas, destacava a necessidades de promover o bem-estar das pessoas com as finanças, de investimentos que trabalhem pelo bem comum. A vila sobre “Agricultura e Justiça”, reflete sobre o papel da agricultura para enfrentar as mudanças climáticas e os conflitos por terra, assim como os direitos trabalhistas, o direito à água, a demarcação dos territórios dos povos indígenas, a segurança alimentar, a produção de biocombustíveis e as novas tecnologias.

A vila sobre “Energia e Pobreza” procura um futuro onde a energia não divida, não polua e inclua as pessoas mais frágeis. Falar de “Lucro e Vocação” deve levar a encontrar caminhos que ajudem as pessoas a florescer e encontrar sua vocação no trabalho. A vila sobre “Negócios em Transição”, nos faz entender a grande transformação que está vivendo a economia em decorrência da crise ambiental, a revolução tecnológica e as mudanças sociais envolvidas. Tudo isso buscando incluir os mais pobres e vulneráveis. “Gestão e Dom”, que é uma outra vila, deve levar a entender que a economia convencional pode levar a uma visão reduzida da natureza e dos seres humanos. Nela são abordadas questões antropológicas, éticas, relacionais, explorando novas abordagens para a gestão sustentável.

Trabalho e Cuidado”, é uma vila que leva a refletir sobre novas perspectivas culturais da atividade do trabalho, a descobrir a necessidade de cuidar da criação a través do trabalho, desde uma perspectiva de “ecologia humana integral”. Falar sobre “Políticas e Felicidade”, bem-estar individual e social, relações em famílias, comunidades e cidades, é o propósito de uma outra vila, que fomenta as dimensões comunitárias. O “CO2 das Desigualdades” é o nome de outra vila, que leva a refletir sobre as crescentes desigualdades, determinadas pela economia, mas também a saúde e expectativa de vida, conquistas educacionais, bem-estar, funcionamentos, habilidades e competências, apoio social, pegada ecológica, poder democrático, direitos humanos e empoderamento de gênero.

Vida e Estilo de Vida” é uma reflexão presente em outra das vilas, que deve nos levar a refletir sobre os hábitos de consumo, a combater a cultura do desperdício e propor novos modos de vida. Uma outra vila é “Negócios e Paz”, que quer levar a descobrir que a paz é frequentemente ameaçada pela desigualdade, vulnerabilidade econômica, pobreza e injustiça. Tudo isso gera conflitos, que podem ser resolvidos através das práticas de sustentabilidade socioambiental. Finalmente, a vila “Mulheres pela Economia”, procurando uma economia mais inclusiva, equitativa e centrada nas pessoas, que promova o reconhecimento total das capacidades das mulheres, assim como a necessidade da divisão de tarefas, novos estilos de governança e liderança, novas ferramentas de inclusão e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Partindo dessa visão geral, o desafio planteado tem sido construir as “Malocas” que contemplem a Articulação Brasileira da Economia de Francisco e Clara na realidade do Regional Norte 1. O primeiro passo é identificar as iniciativas que já existem, escutar as pessoas que dinamizam essa economia e pensar com elas meios de ampliá-la e torná-la sustentável. Também subsidiar essas iniciativas e ampliar o trabalho, para que Economias alternativas, tenham espaço e fomentem um consumo consciente e construir as Malocas com as temáticas (grupos de estudo) ligadas a nossa realidade local. Finalmente, criar uma Casa ou mais Casas de Francisco, como referencial da ECOFRAN Norte 1.

A partir da partilha de experiências já presentes no Regional Norte 1, os participantes do encontro tem conhecido algumas realidades que fazem parte do trabalho de algumas pastorais, movimentos e grupos ligados com a Igreja católica, se propondo abrir esse espaço a outra igrejas e pessoas que não tem relação com nenhuma igreja. Na partilha tem aparecidos os rostos de pessoas e realidades, presidiários, indígenas, famílias atendidas pela pastoral da criança, vítimas do abuso e exploração sexual, juventudes, pessoas acompanhadas pela Caritas. Tem sido refletido sobre as consequências da pandemia em relação com aquilo que é abordado pela Economia de Francisco e Clara, que deve levar a pensar em diferentes alternativas diante de uma realidade que está provocando muito sofrimento, especialmente nos mais pobres.

Frente ao desafio de semear e a necessidade de realmar a economia, Marcela Vieira, que faz parte da coordenação da Economia de Francisco e Clara no Regional Norte 1, convidou a somar forças, propondo frentes para atuar, no campo da formação, que ajude a entender o chamado do Papa Francisco, e gerar uma economia de comunhão, indígena e que gere oportunidades para os jovens; no campo da articulação, fazendo um mapeamento de parceiros e ações transversais; e na busca da sociedade do Bem Viver, analisando os rostos da economia de Francisco e Clara no Regional Norte 1 e descobrindo se uma outra economia é possível e já acontece.

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