Economia de Francisco e Clara para construir um socialismo democrático e fraterno

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22 Setembro 2020

 “Embora uma parcela dos integrantes da ABEFC aprecie características do capitalismo, a maior parte, claramente, se identifica com a ideia de um socialismo democrático e fraterno, construído de baixo para cima na sociedade”, André Ricardo de Souza, sociólogo, professor da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar e membro da Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara - ABEFC.

Eis o artigo.

A Carta encíclica Laudato Si: sobre o Cuidado da Casa Comum (2015) é o principal documento que embasa a Economia de Francisco, uma proposta lançada na emblemática data de 1º de maio de 2019 pelo Papa que escolheu este nome e também a cidade de Assis para sediar um encontro mundial com jovens, de modo a selar um verdadeiro pacto de paz e bem com eles e elas. Previsto inicialmente para março de 2020, foi adiado, devido à pandemia, para 19 a 21 de novembro. Porém, ocorrerá virtualmente, havendo previsão de um encontro presencial no segundo semestre de 2021, se houver condições sanitárias para isso.

O papa Francisco não usou na encíclica o termo capitalismo, preferindo dizer “sistema mundial atual”. Mas ele efetivamente trata do capitalismo em sua vertente neoliberal e financeirizada.

Para o encontro em Assis foram pensados diversos temas, havendo inclusive uma visão hegemônica de certo capitalismo melhorado em relação ao atual. No Brasil, entretanto, uma mobilização ocorre desde julho de 2019, culminando num encontro nacional, preparatório, ocorrido entre 18 e 19 de novembro em São Paulo, quando veio à luz uma carta de princípios que ganhou versão definitiva dois meses depois, sendo a ‘certidão de nascimento’ da Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara - ABEFC.

O incremento no nome se deve não só ao valor moral-evangélico de Clara de Assis, mas também ao princípio de que “feminino e masculino devem caminhar lado a lado, sem primazia”. Pouco tempo depois, a Argentina também incorporou tal adaptação.

A carta brasileira questiona fortemente as balizas do capitalismo neoliberal, apresentando propostas para a sua superação. E a prática da ABEFC também aponta nesse sentido, sobremaneira ao envolver entidades nacionais que já produzem conforme tais princípios, cujos representantes participaram do encontro nacional de 2019 e prosseguem nessa sinergia: a Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab-MST), a Articulação pelo Semiárido Brasileiro Brasileiro (ASA), a Rede Nacional de Bancos Comunitários, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e o Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES). Outras entidades afins estão também se aproximando: União Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Unicatadores), União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol Brasil).

O termo socialismo ainda é alvo de preconceito, permanecendo associado a regimes não democráticos, alguns com histórico bastante contraditório. Embora uma parcela dos integrantes da ABEFC aprecie características do capitalismo, a maior parte, claramente, se identifica com a ideia de um socialismo democrático e fraterno, construído de baixo para cima na sociedade.

Não é efetivamente o mercado que caracteriza o capitalismo, mas sim a separação capital-trabalho.

Cabe dizer ainda que o mercado (que cumpre uma função social relevante) existe desde antes do capitalismo e deverá estar presente também na sociedade pós-capitalista (socialista), sendo pautado, porém, por parâmetros realmente civilizados, de modo a propiciar a ampla atuação nele de empreendimentos econômicos autogestionários. Também dialogando com o artigo do colega sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira, digo que é para a busca desse socialismo democrático e fraterno que a maioria de nós, da ABEFC, nos dedicamos à edificação da Economia de Francisco e Clara.

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