Violências, injustiças e sofrimento humano: o impacto das desigualdades latino-americanas

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08 Dezembro 2020

“Na história do pensamento filosófico, Nietzsche resgata o olhar trágico sobre a vida. A felicidade acontece para os que são corajosos e enfrentam os seus sofrimentos. Faz críticas ao Cristianismo, que seria responsável por ‘criar um sofrimento contra o sofrimento’ ao afirmar que a vida só deixa de ser sofrimento quando remetida para o além, extinguindo, nesta medida, o próprio sofrimento humano. Como filósofo, Nietzsche entendia que era necessário aprender a agir diante do sofrimento, das dores, das injustiças, das doenças, das violências, de forma a aliviá-los, reconhecendo as vulnerabilidades, fragilidades e limites da humanidade”, comentam Lina Farias e Rafael Andrés Patiño, autores dos Cadernos IHU Ideias número 308, intitulado “Violências, injustiças e sofrimento humano: o impacto das desigualdades sociais nas percepções de Martín-Baró, Ricoeur e Nietzsche”.

Para os autores, “a desigualdade social é um problema global que aflige com maior intensidade as populações dos países mais pobres. Seus efeitos reverberam de forma diferente nos sistemas de saúde, nas relações sociais e nas condições de vida das pessoas”. O artigo elaborado por eles objetiva “descortinar um grande painel produzido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), em relatórios oficiais para os anos compreendidos entre 2012 e 2020”.

“A documentação revela um cenário de fragilidade das estruturas econômicas, políticas, sociais e sanitárias associadas a fenômenos como violência, sentimento de injustiça e sofrimento. A segunda parte do artigo trará um desafio igualmente ambicioso, de recorte sobretudo interpretativo e preliminar das análises, interpretações e narrativas de caráter sociopsicológico e filosófico de pensadores hoje em dia considerados clássicos, a exemplo de Ignacio Martín-Baró, Paul Ricoeur e Friedrich Nietzsche, no que tange às discussões sobre os conceitos e fenômenos alinhados com os relatórios da OPAS/OMS”, relatam.

“No capítulo sobre o Brasil, o Relatório da OPAS de 2012 lembra que o país experimentou, entre 2000 e 2014, um crescimento econômico significativo, com a criação de 10 milhões de empregos formais e por meio dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que, ainda segundo o documento, ajudou a melhorar as condições de vida nas áreas pobres. O Relatório mostra também a redução da mortalidade de crianças com menos de 5 anos, como reflexo do controle de doenças evitáveis por vacinação e a diminuição do analfabetismo no país”, apontam Lina e Rafael.

“Contudo, a negligência e a escassez são ainda palavras de ordem no continente. As ações de algum impacto não se traduziram na diminuição da violência; entre 2008 e 2014 as taxas de homicídios aumentaram, em particular nas áreas mais pobres e marginalizadas das grandes cidades, locais em que a riqueza e a pobreza extrema se aproximam. As disparidades econômicas, sociais e demográficas, especialmente nas periferias das grandes cidades latino-americanas, atingem principalmente os jovens pretos, vítimas dessa tragédia urbana, levando-os à adesão à criminalidade e ao tráfico de drogas”.

A partir deste cenário de desigualdade e pobreza multidimensional latino-americana que Lina e Rafael desenham um quadro teórico acerca do sofrimento humano e das diversas violências intrínsecas neste processo.

“Para Ricoeur e, de certa forma, também para Martín-Baró, o sujeito encontra um meio de apreender-se como uma singularidade em meio à multiplicidade que caracteriza sua identidade pessoal. O sujeito compreende que sua existência não se restringe aos limites individuais, sendo antes caracterizada por um trabalho interminável de apropriação das alteridades, de sua relação multifacetada com o mundo. Esta relação, quando o cogito se reduz ou é tragicamente obscurecido diante do mundo, é a percepção maior de Nietzsche”, concluem.

Imagem: Capa dos Cadernos IHU Ideias número 308, de Lina Faria e Rafael Andrés Patiño.

O texto está estruturado da seguinte forma:

Introdução

Relatórios da OPAS/OMS sobre as desigualdades na Região das Américas

Desigualdades sociais no Brasil

Os impactos das desigualdades sociais na saúde

Um olhar interpretativo sobre os conceitos

Um ponto de inflexão no debate

Ignacio Martín-Baró: o conceito de violência sob uma perspectiva psicossocial

Injustiça e indignação segundo Paul Ricoeur: o sujeito injustiçado

Friedrich Nietzsche: o conceito de sofrimento e sua dimensão trágica

Conclusão

O texto integral pode ser acessado aqui.

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