‘Não consigo ver como uma vacina contra coronavírus não funcione’

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14 Novembro 2020

Eduardo Sprinz é um médico confiante nas boas notícias que o mês de novembro deve revelar ao mundo. Chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e responsável pelos testes clínicos na instituição da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca, ele tem convicção de que em breve uma vacina estará disponível. O otimismo se baseia unicamente na capacidade científica existente.

A reportagem é de Luciano Velleda,  publicada por Sul21, 12-11-2020.

Sprinz acredita que as análises interinas de algumas vacinas serão conhecidas nas próximas semanas. A previsão, inclusive, já começou a se confirmar. Há poucos dias, a farmacêutica norte-americana Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech, anunciou que a vacina por ela desenvolvida apresentou mais de 90% de eficácia na análise preliminar dos testes da fase 3 – quando a vacina é testada em milhares de pessoas.

“Todos nós, como humanos, sabemos como fazer vacinas contra coronavírus. Por pior que pareça, qualquer vacina vai proteger, o quanto ela vai proteger a gente não sabe. Provavelmente, as vacinas iniciais não serão as melhores, mas vão servir pro início. Não consigo ver como uma vacina contra coronavírus não funcione”, afirma Sprinz, destacando que a primeira vacina a se revelar eficiente servirá de referência para os demais testes.

No Brasil, a Anvisa determinou que autorizará vacinas com eficácia comprovada a partir de 50%. Atualmente, há quatro vacinas sendo testadas no País: a desenvolvida pela Sinovac Biotech, da China, em parceria com o Instituto Butantan; a de Oxford/AstraZeneca; a da Pfizer; e a da Jansen-Cilag, unidade farmacêutica da Johnson & Johnson, que recentemente iniciou o recrutamento de voluntários no País.

“Nesse momento, qualquer proteção é melhor que nada, esse é o ponto chave. E é isso que leva à essa corrida desenfreada”, explica o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas. Nessa corrida para a vacina, Sprinz diz que a da Pfizer, a de Oxford e a da farmacêutica Moderna, estão em etapas mais adiantadas da fase 3.

O infectologista explica que a “corrida” para a vacina é algo positivo, pois demonstra conhecimento científico com relação a família do vírus coronavírus, e capacidade tecnológica. “As fases foram apressadas? Sim, foram. Estudos de fase um e dois foram feitos de modo simultâneo, e isso é ok, não tem problema, se pôde fazer isso baseado no que já sabemos sobre coronavírus em animais. É tudo muito claro. Houve os estudos em laboratório, depois em fase um, fase dois e agora na fase três. O conhecimento que temos sobre vacina já nos garante a aceleração do processo.”

Sprinz avalia que os estudos estão ocorrendo no tempo necessário e que não há o que temer. O responsável pelos testes no Hospital de Clínicas enfatiza que “um tratamento pode salvar uma pessoa, vacinas salvam populações”. O médico diz que o anúncio da eficácia das vacinas irá calar a opinião anti-ciência de críticos.

“Vai ser a única forma de mandarmos de novo pro esgoto as pessoas que saíram e fazem mal às outras, propalando ciência que não é ciência. Com uma vacina boa, essas pessoas vão desaparecer, os oportunistas vão embora. Quando a ciência falha ou inexiste, os oportunistas aparecem, até a ciência calar a boca deles”, afirma Sprinz.

Momento diferente

A poucos quilômetros de distância do Hospital de Clínicas, onde o médico Eduardo Sprinz conduz os testes com a vacina de Oxford/AstraZeneca, o infectologista Fabiano Ramos faz trabalho semelhante no Hospital São Lucas da PUC com a vacina CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

Ramos pondera que as repercussões da pandemia do novo coronavírus na vida das pessoas e na economia, exigem uma rapidez até então não empregada. “O atual momento é diferente de qualquer outro que já vivemos na medicina. A gente conseguir conduzir um estudo sério, mas com certa rapidez, é fundamental.”

E a seriedade, afirma o infectologista, tem conduzido as pesquisas, com respeito às etapas necessárias para descobrir o imunizante. Ramos explica que a maioria das vacinas testadas contra a covid-19 partiram de estudos já realizados. A de Oxford/AstraZeneca, por exemplo, foi desenvolvida a partir do vírus causador da MERS, enquanto a CoronaVac partiu dos estudos do vírus Sars-Cov-1. A covid-19 é causada pelo Sars-Cov-2.

“A nossa vacina produzida pela Sinovac já era baseada no vírus Sars-Cov-1. Então, já tinha o estudo de 2005 com essa tecnologia de vírus inativado em Sars-Cov-1. Até por esse motivo foram vacinas que tiveram avanços mais rápidos do que outras vacinas que ainda estão sendo produzidas”, explica.

Ramos destaca que, mesmo com rapidez, todos as etapas estão sendo cumpridas. Ainda assim, há respostas que só serão possíveis com o passar do tempo, um processo de desenvolvimento comum a qualquer vacina. O tempo de proteção da vacina é uma dessas questões que só serão compreendidas ao longo dos próximos meses e anos.

“É preciso ficar claro para a população e para todos da área da saúde que o trabalho tem sido sério, bastante árduo. É uma responsabilidade grande e esperamos que possamos demonstrar, não só com relação à segurança da vacina, que já está sendo demonstrada, mas também a eficácia. E que a vacina possa chegar o mais rápido à população, para que as pessoas tenham uma segurança maior”, diz o médico do Hospital São Lucas.

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