É necessária uma reconversão ecológica da economia, defende o Papa Francisco

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08 Setembro 2020

Mensagem do Papa Francisco para o encontro de formação de dois dias para banqueiros e gerentes que participam do Fórum “European House - Ambrosetti”, no Lago de Como.

A reportagem é de Alessandro Di Bussolo e Mariangela Jaguraba, publicada por Vatican News, 04-09-2020.

Para recomeçar da crise é necessária uma “reconversão ecológica de nossa economia”, para que se torne realmente uma expressão de “cuidado” da “casa do mundo”, que “não exclui mas inclui, não sacrifica a dignidade humana aos ídolos das finanças, não gera violência e desigualdade, não usa o dinheiro para dominar, mas para servir”, escreve o Papa Francisco na mensagem aos banqueiros e gerentes reunidos até 5 de setembro na cidade italiana de Cernobbio, situada na Província de Como, na Lombardia, para a 46ª edição do Fórum Ambrosetti. O Pontífice cita a sua exortação apostólica "Evangelii gaudium", documento programático do Pontificado, para indicar o caminho que nos fará sair melhor da emergência de saúde, econômica e social causada pela pandemia da Covid-19, “que ainda atormenta toda a humanidade”.

Abandonar o “paradigma tecnocrático”

O Papa insiste que deve ser abandonado, como única abordagem dos problemas, o “paradigma tecnocrático”, marcado “pela lógica do domínio sobre as coisas”, na falsa suposição de que “existe uma quantidade ilimitada de energia e meios utilizados, que a sua regeneração imediata é possível e que os efeitos negativos das manipulações da natureza possam ser facilmente absorvidos”, explica citando a sua encíclica social "Laudato si’". A técnica, explica Francisco, deve ser colocada “a serviço de outro tipo de modelo de desenvolvimento, mais saudável, mais humano, mais social e mais integral”.

Mais do que ciência e técnica, generosidade

A prova da pandemia, lembra o Pontífice, nos mostrou “a grandeza da ciência, mas também seus limites”, pois a maior ajuda veio do “excedente de generosidade e coragem, posto em prática por muitas pessoas”. A prova também “colocou em crise a escala de valores que coloca o dinheiro e poder no vértice” e “nos obrigou a prescindir do supérfluo e ir ao essencial”. Desta forma, “abateu as frágeis motivações que sustentavam um determinado modelo de desenvolvimento”. É por isso que “somos convidados a viver o presente discernindo o que é necessário do que não é”.

O lucro autêntico é riqueza para todos

Aos banqueiros e gerentes que participam do Fórum da Villa d'Este, no Lago de Como, organizado pelo grupo de consultoria empresarial “The European House – Ambrosetti”, o Papa Francisco repete que o lucro autêntico consiste em uma riqueza à qual todos têm acesso: “O que eu realmente possuo é o que sei doar”, havia dito numa Audiência Geral em 2018.

Não a um ritmo desumano de consumo e produção

Ao discernir os sinais dos tempos, como Jesus sempre convidou, o Papa nos pede agora que vivamos uma “conversão ecológica” para “desacelerar um ritmo desumano de consumo e produção, para aprender a compreender e contemplar a natureza, para nos reconectarmos com o nosso ambiente real”. Ele convida “a ser criativo, como os artesãos, forjando caminhos novos e originais para o bem comum”.

Criatividade dos jovens economistas e empresários

Para esta conversão e criatividade, enfatiza Francisco, “é essencial formar e apoiar as novas gerações de economistas e empresários”. O Pontífice recorda o seu convite, de 19 a 21 de novembro próximo, para o evento “Economia de Francisco”, “na cidade de Assis do jovem São Francisco que, despojado de tudo”, como escreveu o Pontífice aos jovens economistas e empresários de todo o mundo, “para escolher Deus como a estrela polar de sua vida, se fez pobre com os pobres e um irmão universal”. A sua escolha de pobreza também deu origem a uma visão da economia que permanece muito atual”.

 

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