Meus queridos amigos. As crônicas de Dom Helder Câmara

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29 Agosto 2020

"Excelente obra para quem deseja conhecer um pouco mais da personalidade de Dom Helder Câmara. A partir da própria vida, ele soube mostrar como conciliar fé e política, igreja e sociedade, firmeza e ternura", escreve Eliseu Wisniewski, mestre em Teologia e professor na Faculdade Vicentina (FaAVI), Curitiba, PR. 

Eis o artigo.

Dom Helder Pessoa Câmara foi arcebispo de Olinda e Recife (1964-1985). Nasceu em 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, estado do Ceará, e faleceu no dia 27 de agosto de 1999 em Recife, estado de Pernambuco. No dia 3 de maio de 2015 foi aberto o processo de sua beatificação. Dom Helder foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e grande defensor dos Direitos Humanos durante a ditadura militar. Para se comunicar com a população nos tempos da Ditadura, quando qualquer referência ao Arcebispo de Olinda e Recife era proibida, a única forma encontrada pelo arcebispo foi o programa “Um olhar sobre a cidade”, veiculado pela Rádio de Olinda.

Tereza Rozowykwiat tem como profissão o jornalismo. Conviveu com Dom Helder durante três anos, de 1978 a 1981, como repórter do Diário de Pernambuco, responsável pela cobertura da Arquidiocese de Olinda e Recife, com ênfase especial no trabalho desenvolvido nas favelas. Nas questões dos Direitos Humanos e da Comissão de Justiça e Paz, a jornalista reúne, na obra Meus queridos amigos (título que repete a frase com que Dom Helder iniciava todas as suas crônicas), uma seleção de crônicas veiculadas em “Um olhar sobre a cidade”.

Na introdução, Rozowykwiat explica que das 2.549 crônicas difundidas, foram selecionadas 200. A seleção foi feita de modo a contemplar a diversidade de temas abordados pelo arcebispo, englobando sua opção prioritária pelos pobres; os aspectos políticos; os avanços que considerava necessários para a Igreja e que, atualmente, o Papa Francisco vem colocando em prática; e os conselhos aos ouvintes, sobre a situação do dia a dia e análise de sentimentos que podem engendrar ou amesquinhar indivíduos.

A obra está dividida em 6 blocos intitulados: 1) Injustiças Sociais (29 crônicas); 2) Política (34 crônicas); 3) Religião (42 crônicas); 4) Atitude (43 crônicas); 5) Sentimentos (30 crônicas); 6) Ele era assim (41 crônicas).

No primeiro bloco de crônicasInjustiças Sociais: a autora mostra que a luta contra as injustiças sociais foi o aspecto marcante da vida de Dom Helder. Sua preocupação não se restringia a Recife e Olinda, nem ao Brasil, mas assumia um caráter mundial, manifestando-se contra um sistema que mantinha dois terços da população global em cruéis condições de miséria. Por isso viveu de perto as condições da vida do povo, conclamando a população a engajar-se na difícil batalha de superar a fome, o desemprego e a falta de moradias, estimulou a criação de Comunidades Eclesiais de Base e apoiou todas as formas de organização popular.

No segundo bloco de crônicasPolítica: destaca-se a atuação de Dom Helder durante o período da ditadura militar. Defendeu os Direitos Humanos, condenou as perseguições políticas, as prisões, as torturas, o desaparecimento de pessoas e os assassinatos ocorridos na época. Diante disso, intensificou suas viagens ao exterior, onde denunciava as atrocidades que estavam sendo cometidas no Brasil, sendo por isso alvo de ameaças, perseguições e boicotes.

No terceiro bloco de crônicas – Religião: mostra a atuação do arcebispo na Igreja. Baseada no Vaticano II e nas Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano em Medellín, na Colômbia e em Puebla, no México, Dom Helder foi um dos defensores da Teologia da Libertação - numa Igreja comprometida com os pobres.

No quarto bloco de crônicasAtitude: apresenta a sensibilidade de Dom Helder. Com sua voz mansa e seu jeito calmo, não perdia oportunidades para mostrar erros que eram cometidos pelos que o procuravam. Tratou de problemas cotidianos das relações entre pais e filhos, marido e mulher, amigos, patrões e empregados, etc...

No quinto bloco de crônicasSentimentos: mostra a lucidez de Dom Helder ao ajudar as pessoas a perceberem detalhes, que até então, nunca haviam percebido; minimizando a tristeza dos que sofriam e alertando os egoístas para a gravidade dos atos praticados.

No sexto bloco de crônicasEle era assim: destaca o perfil de Dom Helder no cotidiano. Bem-humorado, engraçado, amoroso, sensível e poético. Cultivava um jardim cheio de flores e era aí que ele meditava todas as noites: flores, estrelas, animais, mares, luz, e até pedras, lhe deixavam feliz e serviam de base para suas orações.

Excelente obra para quem deseja conhecer um pouco mais da personalidade de Dom Helder Câmara. A partir da própria vida, ele soube mostrar como conciliar fé e política, igreja e sociedade, firmeza e ternura. Entendeu muito bem a dinâmica do Reino de Deus acontecendo como fermento agindo na massa, como a semente que cresce em meio ao joio e ao trigo. O leitor encontrará, nesta obra, uma apresentação, simples e profunda, das múltiplas facetas do arcebispo de Olinda e Recife. Com sua liberdade interior, Dom Helder tem muito a nos ensinar, com sua vida e com seus gestos corajosos e proféticos, em vista de uma Igreja misericordiosa e samaritana.

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