Refugiados enfrentam um novo desastre com a covid-19 ameaçando seus acampamentos

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17 Julho 2020

Milhões de refugiados no mundo estão encarando a perspectiva de um outro desastre: a disseminação da covid-19.

A reportagem é de Charles Collins, publicada por Crux, 15-07-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Geralmente os refugiados vivem em acampamentos lotados, com baixos níveis de higiene e poucos serviços de saúde, o que os faz candidatos perfeitos para os surtos de uma doença.

Além disso, as atuais medidas de confinamento social têm dificultado a chegada dos suprimentos necessários, e a recessão provocada pela pandemia significa que os fundos financeiros estão em falta também.

O Comitê de Emergência em Desastres, agência humanitária inglesa, lançou um programa de ajuda aos refugiados vulneráveis, unindo forças com a CAFOD, agência de desenvolvimento humanitário da Igreja Católica na Inglaterra.

“No Reino Unido, a nossa luta contra o coronavírus entrou na fase seguinte, mas em muitas das comunidades mais pobres do mundo a luta recém começou”, diz Christine Allen, diretora da CAFOD.

“As famílias que fugiram do conflito e que vivem em acampamentos lotados, ou em abrigos improvisados, são particularmente vulneráveis”, afirma a ela. “Em muitos lugares do mundo, não há leitos nem suprimentos hospitalares suficientes para tratar todos os que adoecem. Mas promover a lavagem das mãos e fornecer equipamentos de proteção individual, dar conselhos para a saúde e cestas de alimentos pode fazer uma enorme diferença”.

Os principais objetivos da CAFOD são fornecer instalações para a limpeza das mãos, água potável, sabão e desinfetante; promover informações públicas sobre as formas pelas quais as pessoas podem permanecer seguras e proteger outras pessoas; e apoiar os sistemas de saúde e auxiliar os trabalhadores, fornecendo treinamento, equipamentos de proteção individual e suprimentos médicos para os atendentes da linha de frente.

A CAFOD também está apoiando o treinamento de lideranças religiosas na promoção da higiene e trabalhando com as igrejas para que usem suas redes e compartilhem informações claras e precisas sobre como as comunidades podem se proteger contra o coronavírus.

No lançamento do programa, em 14 de julho, Saleh Saeed, executivo-chefe do Comitê de Emergência em Desastres, falou que países como Iêmen, Síria, Somália e Sudão do Sul ficaram enfraquecidos após anos de guerra e instabilidade e que agora enfrentam uma nova ameaça.

“Aqui na Inglaterra, temos visto um grande sofrimento e fizemos sacrifícios sem precedentes na proteção das pessoas e para salvar vidas. Também vimos a dedicação incansável dos funcionários em nosso incrível NHS”, referindo-se ao sistema nacional de saúde inglês.

“Mas imagine viver em um dos lugares mais frágeis do mundo, onde não há sistema de saúde, e nenhuma outra forma de seguridade aos pobres e vulneráveis”, continuou Saeed. “As famílias que se viram forçadas a fugir de conflitos, secas e inundações – vivendo em campos lotados de refugiados e deslocados –, com pouco acesso a água potável, assistência médica ou comida suficiente, agora enfrentam uma nova ameaça mortal e silenciosa: a covid-19”.

Alexander Matheou, diretor executivo de assuntos internacionais da Cruz Vermelha inglesa, disse que houve um golpe triplo de crises humanitárias no trabalho junto aos refugiados, golpe provocado pela pandemia: a vulnerabilidade pré-existente, o impacto na saúde provocado pelo próprio vírus, e o impacto econômico e social secundário da pandemia.

“Aquelas pessoas que já conviviam com a insegurança alimentar agora enfrentam uma grande crise de fome. Aquelas pessoas que já eram pobres perderam a pouca renda que tinham. Aquelas pessoas que dependiam da ajuda não estão mais recebendo essa ajuda. Aquelas pessoas que já corriam o risco de violência doméstica estão agora trancadas com as pessoas que as ameaçaram”, continuou Matheou.

“Não estaremos seguros até estarmos todos seguros”, acrescentou. “O mundo está interligado. Precisamos nos ajudar nesse momento de necessidade”.

O programa feito pelo Comitê de Emergência em Desastres veio poucos dias depois que duas agências das Nações Unidas disseram que a situação de um grave subfinanciamento, de conflitos e desastres – assim como a ocorrência de certos desafios na cadeia de suprimentos, do aumento dos preços dos alimentos e da perda de renda devido à covid-19 –, ameaça deixar sem comida milhões de refugiados em toda a África.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e o Programa Mundial de Alimentos disseram que, a menos que sejam tomadas medidas urgentes para resolver a situação, os níveis de desnutrição aguda, nanismo e anemia deverão aumentar.

“Atualmente, milhões de refugiados em toda a África dependem de ajuda regular para atender às necessidades alimentares. Cerca de metade são crianças, que podem desenvolver problemas crônicos se privadas de alimentos em estágios cruciais de desenvolvimento”, disse Filippo Grandi, Alto Comissário da ONU para Refugiados.

O Programa Mundial de Alimentos fornece assistência alimentar a mais de 10 milhões de refugiados em todo o mundo.

“Enquanto a situação continua se deteriorando para todos, o desastre se amplia para os refugiados que não têm absolutamente nada para amortecer a queda”, diz David Beasley, diretor executivo do Programa Mundial de Alimentos.

Esse mesmo programa notou que o assentamento de refugiados de Bidibidi, em Uganda, um dos maiores do mundo, reduziu as porções alimentares servidas em 30% no mês de abril em decorrência da falta de financiamento.

“No melhor dos nossos dias, os refugiados vivem em condições apertadas, lutam para satisfazer as necessidades básicas e, por vezes, não têm opção senão a de contar com a assistência externa para a sobrevivência. Hoje, mais do que nunca, eles precisam do nosso apoio para salvar suas vidas”.

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