Campos de refugiados nas ilhas gregas abrigam 5,5 mil crianças desacompanhadas

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28 Abril 2020

Um grupo de 12 crianças desacompanhadas que viveram durante meses em centros de acolhida e identificação superlotados nas ilhas de Lesbos, Samos e Chios, na Grécia, chegaram a salvo, no dia 15 de abril a Luxemburgo. Outro grupo de 47 crianças desembarcou no dia 18 no aeroporto de Hannover, onde permanecerão em quarentena de 14 dias e depois serão transferidas para vários estados alemães. 

A informação é de Edelberto Behs, jornalista.

Mapa das ilhas da Grécia, entre elas a de Lesbos, Samos e Chios. (Imagem: Reprodução)

Os dois países europeus dão início ao acordo firmado em março passado, quando sete países membros da União EuropeiaAlemanha, Croácia, Finlândia, França, Irlanda, Luxemburgo e Portugal – concordaram em receber, no mínimo, 1,6 mil migrantes menores de idade que se encontram nos superlotados campos de refugiados erguidos na Grécia

O Conselho de Igrejas da Holanda reiterou em carta, na semana passada, o pedido ao governo holandês para que honre o apelo do Comitê Europeu quanto à realocação de crianças vulneráveis e desacompanhadas. A carta também foi dirigida às organizações irmãs do continente, para que apelem aos seus governos a receberem tais grupos de crianças. 

“Ainda precisamos ver unanimidade e solidariedade entre os Estados membros para encontrar um solução conjunta para essa situação”, destaca a missiva. A Caritas Europa também conclamou, em carta, os governos europeus para que cumpram imediatamente os compromissos assumidos no acordo, de modo especial diante da ameaça da pandemia do coronavírus. A Alemanha deverá acolher entre 350 a 500 crianças refugiadas desacompanhadas nas próximas semanas. 

A coordenadora de Médicos sem Fronteiras na Ilha de Lesbos, a belga Caroline Willemen, 33 anos, contou à repórter Márcia Bechara, da Época, que cerca de 40% das pessoas que chegam à ilha tem, em média, menos de 18 anos de idade. 

Dos 17 mil migrantes em Moria, 8 mil são crianças, calcula. E dessas, mais de 1 mil se perderam dos pais no caminho, outras são afegãs entre 14 e 18 anos, “que não suportavam mais viver em zonas devastadas pela guerra e decidiram fugir a qualquer preço, sozinhas. São muitos motivos diferentes que levam ao isolamento das crianças, não existe uma história única”, disse.

Nos campos de refugiados nas ilhas gregas de Lesbos, Samos, Kos, Leros e Chios estão abrigados mais de 42,5 mil migrantes; 5,5 mil são crianças, com idade média de 14 anos, desacompanhadas de algum adulto responsável. Esses campos têm capacidade para abrigar apenas 6 mil refugiados

O clima de desamparo gera traumas e desespero. “Ouvir crianças de 7, 8 anos, dizendo ‘eu quero morrer’ é algo que eu nunca pensei que fosse ouvir” contou à BBC a psicóloga infantil Angela Modarelli, de Médicos sem Fronteiras, que está ativa no campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos. Nos últimos três meses, ela lidou com duas tentativas de suicídio e 20 casos de automutilação. 

Na Ilha de Samos vivem 400 crianças desacompanhadas, entre 7,5 mil refugiados, onde falta água e o espaço suporta apenas 650 pessoas. O campo de Moria, o maior da Europa, é considerado uma “bomba sanitária” aberto à propagação do covid-19 por causa das péssimas condições higiênicas no local. 

O campo de Moria tem uma densidade de menos de cinco metros quadrados por pessoa. O lixo não é recolhido há meses. Mais de 13 mil pessoas dividem uma torneira, muitas pessoas não têm acesso a banheiros e fazem suas necessidades ao ar livre, relatou o médico Apostolos Veizeis à Deutsche Welle. “Está tudo lotado. A situação é ideal para a propagação do covid-19”, lamentou. 

Dados mais recentes da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) indicam que na Grécia vivem 118 mil refugiados e pessoas que pediram asilo político; 76 mil encontram-se no continente e 42 mil nas ilhas do Mar Egeu.

 

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