Milhares de crianças refugiadas vítimas de traficantes

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27 Maio 2017

Esta é a história de mais de 300.000 meninas e meninos refugiados e migrantes que são apenas uma fração dos milhões que atravessam fronteiras internacionais sem a companhia de adultos e que são presa fácil para o tráfico de pessoas em todo o mundo.

A reportagem é de Baher Kamal, publicada por Rebelión, 25-05-2017. A tradução é do Cepat.

Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que apresenta um cenário da infância refugiada e migrante, os motivos de seus deslocamentos e os riscos que enfrentam no caminho, aponta que meninas e meninos ascenderam para 28% das vítimas do tráfico de pessoas.

O relatório, Uma criança é uma criança, Proteger as crianças em movimento da violência o abuso e a exploração, publicado pela Unicef, informa que a África Subsaariana e a América Central e o Caribe têm a maior proporção de meninas e meninos entre as vítimas do tráfico de pessoas, na razão de 64 e 62%, respectivamente.

Além disso, o número de crianças que viajam sozinhas se quintuplicou a partir de 2010, e muitos refugiados e migrantes de baixa idade transitam por rotas sumamente perigosas, muitas vezes à mercê dos traficantes, para chegar a seus destinos.

Ao menos 300.000 meninas e meninos não acompanhados foram registrados em 80 países, em 2015 e 2016, frente a 66.000, em 2010 e 2011, segundo o relatório que foi publicado no dia 18 de maio.

“Uma criança que se desloca sozinha já é muito, e hoje há um número assombroso de crianças que fazem justamente isso. Nós, como adultos não as protegemos”, denunciou o subdiretor executivo da Unicef, Justin Forsyth.

Traficantes desapiedados exploram sua vulnerabilidade para benefício pessoal, ajudando as crianças a cruzar as fronteiras, só para vendê-los à escravidão e prostituição forçada. É inadmissível que não estejamos defendendo adequadamente as crianças destes depredadores”, queixou-se.

Em primeiro lugar, as e os menores de idade precisam de proteção, recordou o representante da Unicef, ao mesmo tempo em que destacou a importância da Convenção sobre os Direitos da Criança, pela qual os Estados se comprometem a respeitar e assegurar a aplicação dos direitos de “cada criança sujeita a sua jurisdição, sem qualquer distinção”.

Uma das rotas mais perigosas do mundo

Um relatório anterior, ‘Uma viagem letal para as crianças: A rota migratória do Mediterrâneo central’, publicado em fins de fevereiro, advertia que “as crianças e mulheres refugiadas e migrantes sofrem sistematicamente violência sexual, exploração, abuso e detenção ao longo da rota migratória do Mediterrâneo central, do norte da Ásia a Itália”.

Nesse momento, 256.000 imigrantes se registraram na Líbia, incluídas aproximadamente 54.000 mulheres, meninas e meninos. “Esta é uma apuração baixa, dado que os números reais são ao menos três vezes maiores”, assegurou o relatório.

A agência da Organização das Nações Unidas calcula que ao menos 181.000 pessoas – incluídos mais de 25.800 crianças não acompanhadas – recorreram a traficantes, em 2016, para tentar entrar na Itália. “Na parte mais perigosa – do sul da Líbia a Sicília –, uma em cada 40 pessoas é assassinada”, destacou.

Vítimas abusadas, exploradas e endividadas

Afshan Khan, diretor regional e coordenador especial da Unicef para a Crise dos Refugiados e Migrantes na Europa, observou que o Mediterrâneo central, do Norte da África a Europa, é uma das rotas migratórias mais mortíferas e perigosas para crianças e mulheres.

“A rota é controlada principalmente por contrabandistas, traficantes e outras pessoas que buscam apanhar crianças e mulheres desesperadas que simplesmente estão buscando refúgio e uma vida melhor”, expressou.

“Quase a metade das mulheres e das crianças entrevistas tinham sofrido abusos sexuais durante a migração, muitas vezes, em múltiplas ocasiões e... lugares”, com violência sexual “estendida e sistemática” nos cruzamentos e pontos de controle, afirmou Khan.

“Além disso, aproximadamente três quartos das meninas e meninos entrevistados disseram que tinham experimentado violência, assédio e agressão, nas mãos de adultos”, o que inclui surras e abuso verbal e emocional, acrescentou.

No oeste da Líbia com frequência, mulheres são detidas em locais onde se denunciam “condições difíceis, como má nutrição e saneamento, aglomeração considerável e falta de acesso à saúde e assistência jurídica”, informou a Unicef.

O que deveriam – e podem – fazer os mais poderosos

Inclui-se no relatório uma agenda de seis pontos que pede “vias e garantias seguras e legais para proteger as crianças migrantes”. A Unicef instou a União Europeia a adotar a agenda antes da Cúpula do Grupo dos 7 países mais poderosos, que ocorrerá em Taormina, Itália, nos dias 26 e 27 deste mês.

A agenda destaca a necessidade de proteger as meninas e meninos refugiados e migrantes, em especial aquelas(es) que não viajam acompanhados, da exploração e violência. Também exorta a interromper a detenção de crianças que solicitam refúgio ou emigram, mediante uma série de alternativas práticas, e a manter as famílias unidas como a melhor maneira de proteger a infância.

Recomenda, também, que as crianças refugiadas e migrantes continuem recebendo educação formal e que tenham acesso a serviços de saúde e outros serviços de qualidade. Pressiona para que se atue sobre as causas subjacentes dos movimentos em grande escala de refugiados e migrantes, e que se promova medidas para combater a xenofobia, a discriminação e a marginalização nos países de trânsito e destino.

Estes compromissos seriam fáceis de aplicar pelos governos do G7. O ponto é: os líderes políticos dos países mais ricos do mundo levarão a sério esta tragédia desumana?

Os poderosos são conscientes de que o número de meninas e meninos que se ficaram sós segue aumentando? A Unicef – que foi fundada em 1946 para ajudar milhões de crianças europeias refugiadas, vítimas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – acaba de informar que 92% das meninas e meninos que chegaram a Itália pelo mar, em 2016, não estavam acompanhados, frente a 75%, em 2015.

Sabem estes mandatários que 75% das meninas e meninos que chegaram a Itália – o país anfitrião de sua Cúpula – denunciaram que foram retidos contra sua vontade ou obrigados a trabalhar sem remuneração?

Isto sem falar das centenas de meninas e meninos que são sequestrados para que se vendam seus órgãos, recrutados por organizações terroristas como crianças soldados ou exploradas em duros trabalhos de escravidão “moderna”.

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