Encontro de Assis deve enfrentar o desafio posto pelo papa de superar uma economia ‘patológica’

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29 Junho 2020

Um padre e ativista argentino diz que um importante encontro marcado para novembro na icônica cidade italiana de Assis, local de nascimento de São Francisco, irá analisar a visão do papa que tomou o nome de Francisco tendo em vista uma reforma ampla, centrada na pessoa humana, reforma deste estado “patológico” em que se encontra a economia mundial.

A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 27-06-2020. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

“O Papa Francisco, de Evangelii Gaudium a Laudato Si’, estendeu um convite para se implementar um novo modelo econômico que ponha a pessoa humana no centro e reduza as desigualdades injustas”, disse o Pe. Claudio Caruso, coordenador da Cronica Blanca, organização civil que reúne rapazes e moças para estudar o ensino social da Igreja.

Caruso organizou um painel on-line para promover o evento de novembro, incluindo duas importantes vozes na luta do Papa Francisco contra o que ele chama de “cultura do descarte: o companheiro argentino Pe. Augusto Zampini e o professor italiano Stefano Zamagni. O evento é aberto e será realizado em espanhol.

Recentemente, Zampini foi nomeado secretário adjunto do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Zamagni é professor da Universidade de Bolonha e presidente da Pontifícia Academia de Ciências Sociais, o que o faz um dos leigos de mais alto escalão do Vaticano.

A eles irão se juntar Martin Redrado, ex-presidente do Banco de la Nación Argentina (2004-2010), e Alfonso Prat Gay, também ex-presidente desse banco e ministro da Economia entre 2015 e 2016.

O painel foi pensado para servir de preparação para o encontro de Assis, intitulado “A Economia de Francisco”, marcado para os dias 19 e 21 de novembro, depois que a pandemia de covid-19 forçou o seu adiamento em março. O encontro de Assis deve reunir cerca de quatro mil jovens estudantes de economia avançada, administradores de empreendimentos sociais, vencedores do Prêmio Nobel e funcionários de organizações internacionais.

Antes do adiamento do evento, Zampini conversou com Crux sobre o significado da proposta de um novo modelo econômico.

“Como realizar uma transição justa de uma economia baseada em combustíveis fósseis para uma economia de energias renováveis, sem que os mais pobres paguem por essa transição?”, perguntou o professor. “Como responder ao clamor dos pobres e da terra, como criar uma economia que convenha, centrada nas pessoas, para que as finanças sirvam a economia real? São coisas que o Papa Francisco diz e que estamos tentando ver como colocá-las em prática. E muitos estão fazendo isso”.

Redrado contou ao Crux que o evento A Economia de Francisco é a “busca por uma nova abordagem, por um novo paradigma econômico que lute contra a injustiça, a pobreza, a desigualdade”.

“É a busca de um modelo mais humano de capitalismo, que elimine as desigualdades que o sistema econômico mundial apresenta”, completou Redrado, observando que estas desigualdades se fazem também visíveis dentro dos diferentes países.

Segundo o entrevistado, ele decidiu participar do painel porque, desde que estudou economia na Universidade Nacional de Buenos Aires, viu-se marcado pela doutrina social cristã, particularmente a de Jacques Maritain, filósofo católico francês e autor de mais de 60 livros que advogam um “humanismo cristão integral” com base na dimensão espiritual da natureza humana.

Em particular, o livro de Maritain intitulado “Humanismo integral” levou o economista a entender o que Francis Fukuyama disse após a queda do Muro de Berlim, segundo o qual o capitalismo não é o fim da história, mas apresenta novos desafios para que se continue buscando um modelo econômico mais integral.

“Esta busca é aquela que o Papa Francisco lidera atualmente, com o seu protagonismo moral, intelectual e religioso, pressionando-nos e motivando nós economistas e os legisladores a procurarmos por novas respostas aos desafios que o mundo nos apresenta”, disse Redrado.

Esses desafios existiam antes da pandemia, mas foram “postos em evidência com muito mais virulência pela atual crise na saúde que o mundo está enfrentando”.

Redrado crê ser necessário um modelo econômico mais favorável e, acima de tudo, que promova a “mobilidade social ascendente, as possibilidades de poder melhorar, de poder progredir”. Hoje, isso não é possível em muitos países, reconhece Redrado, com os milhões em todo o mundo que nascem na pobreza e que não têm infraestrutura nem auxílio do estado ou instituições privadas que lhes permitam melhorar suas realidades.

“Sem dúvida, essa pandemia marcou as desigualdades sociais mais do que nunca”, disse ele. “Uma das grandes questões pós-pandemia é promover a igualdade para conectar os desconectados, com a banda larga e com nossos filhos que têm acesso a tecnologias da informação que lhes permita acessar formas de trabalho mais bem remuneradas”.

Redrado espera ainda que a consequência pós-coronavírus tenha implicações duradouras, embora imprevisíveis, na política.

“Penso que os atores precisarão ser avaliados ao final da pandemia, e cada sociedade fará a sua avaliação na hora de reeleger ou não as autoridades atuais. Ainda é cedo para falar dos impactos que esta crise terá sobre os atores políticos e sociais, mas sem dúvida teremos uma profunda reflexão feita em cada uma das sociedades e também entre as classes dominantes”, acrescentou.

“A impressão que tenho é que, com o passar do tempo, as nossas sociedades estarão muito mais exigentes com os seus líderes, e os que não entenderem isto obviamente cairão fora”, disse Redrado.

 

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