A caminho para o cuidado da casa comum. Artigo de Paul Richard Gallagher

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22 Junho 2020

No dia 18 de junho, foi apresentado na Sala João Paulo II da Sala de Imprensa da Santa Sé o livro “In cammino per la cura della casa comune: a cinque anni dalla Laudato si’” [A caminho para o cuidado da casa comum: a cinco anos da Laudato si’”], preparado pela Mesa Interdicasterial da Santa Sé sobre a Ecologia Integral.

O site Settimana News, 19-06-2020, publicou o discurso do arcebispo Paul Gallagher, secretário para as Relações com os Estados, da Secretaria de Estado do Vaticano. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Caras Excelências, Senhoras e Senhores,

É um prazer para mim estar aqui com vocês para a apresentação do texto “In cammino per la cura della casa comune: a cinque anni dalla Laudato si’”, elaborado pela Mesa Interdicasterial da Santa Sé sobre a Ecologia Integral, que começou esse trabalho em 2018, quando recebeu a aprovação do Santo Padre, a quem tive o privilégio de entregar a primeira publicação ontem à tarde.

Pode ser interessante refazer brevemente a gênese desse texto, cujo principal objetivo, é bom sublinhar, não é o de duplicar a Laudato si’ por meio de reflexões éticas de valores que estão bem desenvolvidos na própria encíclica. As finalidades do texto, de fato, são diferentes e múltiplas:

- relançar a riqueza dos conteúdos de uma encíclica que, embora tenha completado cinco anos há pouco tempo, ainda é muito atual, como evidenciado ainda mais pela situação mundial determinada pela pandemia da Covid-19;

- oferecer uma orientação sobre a leitura da encíclica, promovendo seus elementos operacionais decorrentes das reflexões nela contidas e minimizando seus riscos de equívoco;

- favorecer a colaboração entre os dicastérios da Cúria Romana e as instituições católicas envolvidas na difusão e na implementação da Laudato si’, valorizando as suas inúmeras sinergias.

O livro que vocês têm à sua frente, de fato, é fruto de um trabalho colegiado de inúmeras entidades que atuam dentro da Santa Sé e da Igreja Católica, às quais vai o nosso agradecimento. A Mesa Interdicasterial da Santa Sé sobre a Ecologia Integral contou com a colaboração de muitas realidades, além daquelas que estão representadas nesta coletiva de imprensa.

Posso citar, por exemplo, a Congregação para a Doutrina da Fé, o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, o Dicastério para a Comunicação, os Pontifícios Conselhos para a Promoção da Unidade dos Cristãos, para o Diálogo Inter-Religioso, para a Cultura, para a Promoção da Nova Evangelização, as Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais, o Sínodo dos Bispos, inúmeras Conferências Episcopais, representadas muitas vezes pelas suas Reuniões Internacionais, como a Secam para a África, a FABC para a Ásia, a FCBCO para a Oceania, o Celam para a América Latina, a CCEE e a Comece para a Europa, as Uniões Internacionais das e dos Superiores Gerais, algumas redes de organizações não governamentais como a Cidse.

Além da participação de tais instituições, também se quis envolver as Nunciaturas Apostólicas, às quais foram solicitadas indicações sobre as boas práticas e sobre os modelos operacionais para a implementação do Laudato si’ que tenham sido realizados nos seus países de pertinência por realidades locais ligadas à Igreja Católica.

Somente essa longa lista evidencia o intenso trabalho que levou à redação de um texto que viu a sucessão de inúmeros esboços e se tornou cada vez mais rico em conteúdos, mas mantendo uma dimensão simples, sintética e orientada para a ação, e permanecendo ancorado na abordagem na qual a encíclica está focada: a da ecologia integral.

A esse respeito, tentou-se oferecer ao leitor respostas a um quesito que aparece na conclusão do texto: “E nós, o que devemos fazer?”, em conformidade com a abordagem da Laudato si’ ao levar em consideração uma vasta gama de situações que vão da cotidianidade da economia doméstica às implicações para a comunidade internacional.

A propósito desse último aspecto e como testemunho adicional desse compromisso, tenho a alegria de lhes informar sobre a futura adesão da Santa Sé à Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal sobre as substâncias que empobrecem a camada de ozônio, um instrumento voltado a combater tanto o problema do chamado “buraco de ozônio”, quanto o fenômeno das mudanças climáticas. Um instrumento que vai na direção desejada pelo Santo Padre, quando afirma na Laudato si’, no número 112, que “a liberdade humana é capaz de limitar a técnica, orientá-la e colocá-la ao serviço de outro tipo de progresso, mais saudável, mais humano, mais social, mais integral”.

Caras Excelências, Senhoras e Senhores, a pandemia da Covid-19 nos exorta ainda mais a fazer da crise socioeconômica, ecológica e ética que estamos vivendo um momento propício de estímulo à conversão e a decisões concretas e improcrastináveis, como bem evidenciado no texto que vocês têm à sua frente.

Para fazer isso, precisamos de uma proposta operacional, que no caso em questão é representada pela ecologia integral. Como indicado no texto, ela requer uma “visão integral da vida para elaborar o melhor possível políticas, indicadores, processos de pesquisa e de investimento, critérios de avaliação, evitando concepções enganosas de desenvolvimento e de crescimento” (p. 9); uma “visão clarividente, que deve se concretizar nos lugares e nos espaços em que se cultivam e se transmitem a educação e a cultura, em que se cria consciência, em que se forma para a responsabilidade política, científica e econômica e, em geral, em que se procede a ações responsáveis” (p. 11).

Isso representa um desafio exigente, mas também uma oportunidade mais do que nunca atual para “desenhar e construir juntos um futuro que nos veja unidos na salvaguarda da vida que nos foi dada e cultivar a criação que nos foi confiada por Deus para que a fizéssemos frutificar sem excluir ou descartar qualquer um dos nossos irmãos e irmãs” (p. 16). Trata-se de uma tarefa complexa e repleta de insídias ditadas pela dificuldade de fazer prevalecer os interesses comuns sobre os particulares, de reconhecer que “o todo é superior à parte” (Evangelii gaudium, n. 237).

Trata-se de uma tarefa que remete a um “diálogo honesto e coerente sobre o bem comum, capaz de valorizar o multilateralismo e a cooperação entre os Estados e voltado a evitar os perigos de instrumentalizações político-econômicas” (p. 219). Cooperação multilateral que, é bom repetir, é necessária, mas não suficiente para dar uma resposta adequada, integral e inclusiva ao grande e estimulante desafio que a nossa época tem à sua frente e deve ser enfrentado com urgência.

A esperança é que esse texto possa ser uma efetiva contribuição para a formulação dessa resposta.

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