O que é a zoonose, fenômeno natural muito antigo que está na origem das pandemias

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25 Mai 2020

"Covid-19, peste, gripe espanhola, sarampo, coqueluche, varíola, Ebola. Essas e muitas outras doenças se originaram do antigo fenômeno natural da zoonose (agentes infecciosos patogênicos transmitidos por espécies animais). A pandemia nos conta o nosso passado", escreve Elena Cattaneo, pesquisadora e professora de farmacologia na Universidade de Milão e, desde 2013, senadora vitalícia, em artigo publicado por La Repubblica, 23-05-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Não há nada no que a ciência descobre ou estuda que não possa ser explicado. Isso foi lembrado dramaticamente pela terrível pandemia causada pelo novo Coronavírus, um ente vivo menor que 160 nanômetros (um milionésimo de milímetro) que há meses condiciona nossas vidas e hábitos. Entendemos que o bem-estar de todos nós também depende do respeito de comportamentos sociais individuais compatíveis com a proteção da saúde coletiva. E aprendemos a ouvir os especialistas, a familiarizar-nos com conceitos, termos, gráficos geralmente desconhecidos para a maioria, a apreciar o valor do conhecimento e da competência, quando as certezas da vida cotidiana desaparecem.

Mas a história do SARS-CoV2 também nos conta muito sobre o nosso passado e das outras epidemias e doenças infecciosas que atribularam a existência das gerações que nos precederam e que hoje não parecem mais tão distantes. Entre 1918 e 1920, aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o mundo perderam a vida devido à gripe espanhola. O vírus daquela terrível doença teve origem de uma ave aquática silvestre, passou por alguns animais domésticos "intermediários", entre eles os patos da China meridional e os porcos de Iowa, para depois chegar aos seres humanos. Nisso, a história da "espanhola" não difere da história da peste, do sarampo ou do Ebola, nem da própria SARS-CoV2. A característica comum dessas e de muitas outras doenças, por mais diferentes e distantes no tempo, é justamente ter tido origem de patógenos e agentes infecciosos transmitidos ao homem por espécies animais. Esse fenômeno natural é conhecido como zoonose.

As doenças zoonóticas não são fenômenos recentes, ocorrem há milhares de anos, desde que o homem começou a domesticar animais e também são bastante difundidas: a Organização Mundial da Saúde estima em cerca de um bilhão os casos de infecção de zoonoses todos os anos.

Também derivam de zoonoses a coqueluche, que evoluiu a partir dos cães, o sarampo, originário da peste bovina, a gripe, proveniente de porcos e aves, a varíola, proveniente de gado ou camelos. O novo Coronavírus também é resultado de uma zoonose: após o Ebola, é a segunda vez que um vírus chega aos seres humanos a partir de um morcego.

Esse é o poder da ciência: ser capaz de rastrear a história desses entes invisíveis - vírus, recentes ou antigos - desde sua gênese, acompanhar sua evolução com precisão, cada mutação, para poder imaginar novas perguntas e traçar novos caminhos a seguir, verificar, relatar. Esses caminhos certamente nos permitirão estar mais preparados num amanhã, assim como hoje estamos mais preparados do que um século atrás, se e quando tivermos de enfrentar a próxima emergência. Nas últimas semanas, com dor e sacrifício, entendemos o quanto o homem continue sendo vulnerável diante da natureza e que, apesar das extraordinárias realizações da ciência e da medicina nas últimas décadas, os vírus ainda representam uma enorme ameaça. Para combater o medo, no entanto, existe a consciência de que a pesquisa sobre terapias e vacinas cresce com força e eficácia, apesar dos obstáculos, preconceitos e ideologias, para construir uma esperança contra o pequeno inimigo que "desligou" o mundo.

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