“A pandemia não é causada por um vírus, é causada por nós”

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22 Mai 2020

A pandemia é um sinal: o modo como os seres humanos habitam a Terra precisa mudar. Nas últimas décadas, 70% das novas doenças infecciosas são zoonoses – como o HIV/Aids, Ebola, Zika e a Covid-19. É uma consequência direta da destruição de habitats e ecossistemas, do modo como as populações, em todo o mundo, passaram a explorar a terra e da mudança climática.

A reportagem é de Hara Flaeschen, publicada por Associação Brasileira Coletiva de Saúde - Abrasco, 21-05-2020.

O painel Pandemia de Covid-19 e mudanças climáticas: emergências globais e ameaças à saúde, na semana passada (13/05), reuniu especialistas para discutirem o tema. Nelson Gouveia, do Comitê de Relações Internacionais da Abrasco, foi o coordenador, e os palestrantes foram Carlos Corvalan, Paulo Artaxo e Christovam Barcellos

“Não podemos esperar que, ao mesmo tempo em que estamos causando danos ao planeta, a saúde global vá melhorar. É uma contradição. Temos a pandemia da Covid-19, que é uma chamada para despertarmos frente a esta situação. Sabemos que a pandemia passará. Esperamos que passe rápido. Mas a crise climática continuará. Se não acordamos, teremos outras pandemias – mais graves, mais longas, mais custosas“, iniciou Carlos Corvalan, professor da Faculdade de Medicina (Sydney Medical School) da The University of Sidney.

Outra contradição, segundo o especialista, é que povos que contribuem secularmente para a preservação do meio ambiente – como as populações indígenas do Brasil – sejam vulneráveis, e sofram consequências de atos de populações que não se importam. Para ele, a escolha pela economia, e não pelas vidas, será, a médio prazo, catastrófica – tanto para a economia quanto para as pessoas: “Ações antecipadas salvam vidas. O atraso na resposta, tanto em relação às pandemias quanto à emergência climática, aumenta os custos humanos e econômicos. A desigualdade social econômica se manifesta em riscos e em impactos desiguais para a saúde”.

Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP, corroborou com a fala de Corvalan. Segundo ele, em florestas tropicais, como a Amazônia, existem milhares de vírus “prontos” para entrarem em contato com a sociedade: “A pior coisa que podemos fazer agora é destruir a floresta. Ninguém esperava uma pandemia deste tamanho, com esta virulência, sem vacina e sem tratamento apesar de tanto dinheiro investido em pesquisa nos últimos anos”. Diante desta reflexão, Artaxo afirmou que não basta só fazer o isolamento social, para esperar a pandemia passar – e reduzir seus danos. É necessário pensar em uma nova estrutura socioeconômica global.

Segundo Artaxo, é preciso mudar o modelo econômico, rediscutir todos os modos de vida – ou logo estaremos todos discutindo sobre uma outra pandemia que acabou de surgir: “A presença do Estado se tornou cada vez mais importante. Vemos o descaso aqui no Brasil, um descontrole total. Eliminar o desmatamento da Amazônia também é essencial para que a gente tenha perspectiva de existir. Que lições a nossa sociedade vai ter para o futuro? A pandemia não é causada por um vírus, é causada por nós”.

Christovam Barcellos, geógrafo e pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (ICICT/Fiocruz), fez uma fala localizada na sua área de atuação: mostrou vários mapas e e gráficos que indicam a interiorização do vírus pelo Brasil. Para o pesquisador, é importante levar em consideração as particularidades do país para considerar os diferentes estágios da propagação da doença pelo país. Além dos diferentes climas, há desigualdades sociais – que são ligadas diretamente aos fatores de risco, como doenças crônicas não transmissíveis.

“O vírus ‘pegou a estrada’ a partir de 30 de março, quando começou a interiorização no Brasil. O que acontece nas metrópoles hoje se manifesta daqui a duas semanas nas capitais regionais – cidades grandes – e posteriormente nos centros locais – cidades pequenas de interior. No Amazonas isso já acontece. O vírus se espalha pelo interior, por comunidades ribeirinhas, grupos indígenas. Não há tratamento nas aldeias e povoados, as pessoas são encaminhadas para Manaus”, explicou Barcellos.

Assista ao painel completo, na TV Abrasco:

 

 

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