O coronavírus já sofreu 33 mutações desde que apareceu na China em dezembro de 2019. Aqui estão as possíveis consequências

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29 Abril 2020

O coronavírus não é um só. Como outros vírus, continua sofrendo mutações, produzindo resultados diferentes como, por exemplo, a distinta gravidade da infecção entre os países afetados. Este é o resultado de uma pesquisa publicada recentemente por Li Lanjuan, um dos mais respeitados pesquisadores chineses.

A reportagem é de Mariella Bussolati, publicada por Business Insider, 28-04-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

É graças à sua análise e conselho que Wuhan foi fechada em uma noite para tentar conter o vírus. De acordo com os resultados do estudo, o Sars-CoV 2 já sofreu 33 mutações desde que apareceu na China em dezembro de 2019.

A palavra mutação geralmente assusta.

No imaginário, que também depende dos contos de ficção científica, acredita-se que sempre leve a algo muito mais poderoso e mortal. Na realidade, esses tipos de mudanças são parte do ciclo natural de vida de qualquer organismo, e em particular os menores e mais ainda aqueles formados por uma única cadeia de RNA, como o Covid-19. A maioria dessas variações é mortal para o próprio vírus, porque, se não forem úteis, são eliminadas.

Nathan Grubaugh, pesquisador do Departamento de Epidemiologia da Universidade de Yale (EUA), escreve na Nature um artigo intitulado Por que não devemos nos preocupar com as mutações que ocorrem durante uma epidemia. Grubaugh ressalta que, para se tornar mais letal, um vírus deve alterar muitas características genéticas simultaneamente, uma operação que se mostra difícil em um período de tempo tão limitado.

Talvez sua nocividade não piore, mas Li Lanjuan descobriu que as modificações dizem respeito a aspectos tão raros que até o momento não haviam sido estudados e que podem afetar sua contagiosidade. Em particular, podem produzir efeitos diferentes nas células e na carga viral. Algumas são realmente mais perigosas que outras.

Por exemplo, uma cepa particularmente agressiva provou ser capaz de gerar uma carga viral 270 vezes maior que outras variedades e matar as células mais rapidamente. Em particular, cepas mais agressivas foram encontradas na Europa e em Nova York, que tiveram taxas de mortalidade similares, enquanto outras mais leves infectaram outras partes dos Estados Unidos, como o estado de Washington. Justamente aquele proveniente dessa área foi o que se disseminou no navio de cruzeiro Gran Princess. Outros gêneros atingiram a Califórnia.

Em suma, a pandemia pode ter diferentes taxas de infecção e letalidade de país para país, e isso poderia ser uma explicação para as diferenças, embora a mortalidade também dependa de fatores como idade, condições de saúde e até mesmo grupo sanguíneo. Quem é do grupo A é mais sensível, quem é do O menos.

Isso ocorre porque pode haver alterações funcionais na proteína spike, aquela através da qual a célula é atacada. Para verificar esses mecanismos, células de diferentes tipos foram infectadas e seus efeitos foram analisados.

Segundo Lanjuan, a identificação da mutação local poderia ajudar melhor na ação contra o vírus. Os medicamentos que estão sendo testados são de fato muito importantes, assim como a busca de vacinas. Mas é evidente que, se as formas possíveis do vírus mudam, deveriam ser eficazes para todos, caso contrário, corre-se o risco de fracasso.

Outras pesquisas sobre mutações foram realizadas no Campus Biomédico de Roma. Domenico Benvenuto, estudante e pesquisador do 6º ano de medicina, o primeiro a identificar a estrutura do coronavírus, e Massimo Cicozzi, professor de estatística médica e epidemiologia, estabeleceram que uma sequência que regula a autofagia, portanto a possibilidade de contágio, ausente na China, resultou depois presente nos EUA e na Europa.

Outra pesquisa realizada com Robert Gallo diz respeito à polimerase, a enzima necessária para a replicação. Foram identificadas 8 mutações, algumas prevalentes na Europa, outras encontradas exclusivamente na América do Norte. A partir dos dados, pareceria que o vírus está se tornando menos eficiente, sugerindo, portanto, que esteja perdendo potência. É apenas uma hipótese, mas certamente para um patógeno não é útil matar todos seus hospedeiros, enquanto poderia achar mais conveniente transformar-se tornando-se menos letal.

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