Coronavírus, primeiros resultados de testes de fármacos

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25 Março 2020

As indicações claras ainda são poucas. O chefe do hospital San Raffaele, Dagna: "Vamos tentar dar antivirais na fase inicial da doença e anti-inflamatórios na fase mais avançada". Otimismo ainda moderado para a cloroquina, um antigo antimalárico "reconvertido" contra os coronavírus desde a época da SARS por um grupo de médicos italianos.

A reportagem é de Elena Dusi, publicada por La Repubblica, 24-03-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Ainda não emergem diretrizes claras desde os primeiros testes científicos dos medicamentos contra o coronavírus. Medicamentos específicos contra esta doença não existem. Atualmente, administram-se fármacos para outras doenças a pacientes que necessitam de hospitalização. O fato é que 97 em cada 100 pessoas se recuperam do coronavírus, a gama de sintomas é muito ampla e o que realmente faz a diferença é o oxigênio que ajuda o pulmão a superar a fase aguda da infecção. Não é fácil entender nessas condições se e o quanto a cura esteja sendo promovida ou acelerada também por um medicamento.

As constatações individuais de pacientes que se recuperaram após tomar um medicamento não mostram que os pacientes tenham se recuperado porque tomaram o medicamento. "Também existem exemplos contrários", explica Lorenzo Dagna, chefe da imunologia, reumatologia, alergologia e doenças raras do IRCCS do Hospital San Raffaele. “Eu tive um paciente na enfermaria que se recusou a receber medicamentos e depois de alguns dias se recuperou. Sem estudos controlados, é muito difícil distinguir o papel do medicamento no curso natural da doença".

Atualmente, existem mais de 250 testes em curso em todo o mundo para o tratamento contra o coronavírus, a maioria na China, cobrindo uma centena de substâncias diferentes, incluindo as ervas medicinais tradicionais. "Teremos que entender qual o fármaco será mais eficaz - confirmou o presidente do Instituto Superior de Saúde de Silvio Brusaferro - mas só conseguiremos isso realizando estudos metodologicamente controlados e coordenados. Ao fazer isso, faremos um trabalho importante para nós, mas também para o resto do mundo".

Cloroquina

Faz parte da classe dos antivirais, mas não age diretamente no vírus. Torna o ambiente ao redor da célula mais ácido que o normal, criando condições hostis para a entrada do vírus. É um medicamento antigo usado contra a malária, já após a Primeira Guerra Mundial. Em 2003, na época de Sars, três médicos italianos (Andrea Savarino, Antonio Cassone e Roberto Cauda) sugeriram que também poderia ter um efeito contra aquele coronavírus. Os primeiros testes chineses sobre a epidemia atual deram resultados animadores. O presidente dos EUA Donald Trump saudou a cloroquina como uma "enorme promessa" e até "um dom de Deus". Mas o diretor do Instituto Americano para as Doenças Infecciosas, Anthony Fauci, esfriou as esperanças, repetindo que apenas testes científicos darão indicações no que se pode confiar. "Não confiamos em anedotas." Aos resultados otimistas dos chineses, acaba de ser adicionado um pequeno estudo francês (apenas 26 pacientes) do Instituto de Infecções de Marselha, que encontrou concentrações de vírus ligeiramente menores em pacientes tratados com esse antimalárico. O governador de Nova York, Andrew Cuomo, pediu 750.000 doses. "Começaremos um teste na terça-feira", anunciou. "Também o usamos em nós mesmos", diz Cauda. "Entre médicos e enfermeiros, acreditamos que todos fomos um pouco contagiados. Seria interessante entender se tem um papel também preventivo. Mas é um objetivo difícil de demonstrar, dada a enorme porcentagem de pacientes que se recuperam sozinhos".

Anti-inflamatórios

Na Itália, a Agência Italiana de Fármacos (Aifa) lançou um estudo sobre a eficácia e segurança de Tocilizumab em pacientes não apenas positivos para coronavírus, mas que também desenvolveram pneumonia. Trata-se de um anti-inflamatório usado contra a artrite reumatoide, que reduz a intensidade da inflamação causada pelo coronavírus e, portanto, também o exsudato que atinge os pulmões e impede materialmente a respiração. Iniciado em 19 de março, o teste reúne atualmente 281 hospitais (57 na Lombardia), num total de 411 pacientes (214 na Lombardia). Ter um estudo coordenado pela Aifa significa que todos os médicos registrarão os dados de seus pacientes de maneira homogênea, com as mesmas amostras de sangue, plasma e urina antes, durante e após os tratamentos, para que os resultados sejam todos comparáveis.

"O excesso de inflamação caracteriza a segunda fase da doença", explica Dagna. "O primeiro sintoma é a febre, que dura alguns dias. Só mais tarde, em um número limitado de casos, surgem danos nos pulmões e as dificuldades de respiração." Atualmente, os medicamentos antivirais (que dificultam a replicação do vírus) e os anti-inflamatórios são administrados juntos e apenas nos estágios avançados. "Pode valer a pena antecipar os tratamentos já nas primeiras fases da doença para evitar sua progressão", sugere Dagna. "Naqueles que já desenvolveram uma forma grave de doença pulmonar, provavelmente é necessário bloquear o excesso de reação do sistema imunológico com fármacos mais potentes".

Antivirais

Impedem a replicação do vírus. Hoje existem vários tipos em uso contra a pandemia. Ainda estão em andamento os testes com Remdesivir, o medicamento estadunidense estudado para o Ebola. Levará algumas semanas para os primeiros resultados. Ainda não chegou nenhuma indicação também para o Favipiravir, o medicamento japonês conhecido como Avigan, sobre o qual o próprio fabricante Toyama Chemical (parte da Fuji Film) pediu cautela: apesar da grande publicidade midiática sobre esse medicamento, não há evidências de sua eficácia. A Aifa também anunciou o início de um teste na Itália, mas um estudo recém-publicado pela Universidade de Wuhan não encontrou grandes taxas de melhora em pacientes que receberam Avigan. Entre os medicamentos antivirais usados atualmente, há também uma dupla de anti-HIV, Lopinavir e Ritonavir, que um estudo chinês no New England Journal of Medicine, no entanto, não considerou muito significativo em suas experiências realizadas em 199 pacientes.

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