Há uma “homofobia desequilibrada” por trás dos ataques contra o Pe. James Martin, diz jornal católico

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03 Março 2020

Um importante jornal católico publicou um editorial sobre a recente controvérsia em torno do papa, dos bispos dos EUA e do ministério LGBT do Pe. James Martin, SJ, sugerindo uma “homofobia desequilibrada” por parte de algumas pessoas que levantaram rumores e críticas contra o padre jesuíta.

O comentário é de Robert Shine, publicado em New Ways Ministry, 02-03-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Intitulado “Papa NÃO está incomodado com o Pe. James Martin”, o editorial do National Catholic Reporter começava fortemente:

“Uma sequência de eventos se desenrolou nos últimos dias – a intriga ‘O que o papa realmente disse?’ – que pode ter a qualidade de uma comédia de Molière, exceto que, no fim, a campanha de sussurros ocultos deturpou o que o papa disse e tinha como objetivo destruir a reputação de um bom padre. Pior, ela alimentou ainda mais a ala mais extrema da direita católica e a sua insana fixação na homossexualidade.”

A polêmica começou quando a Catholic News Agency, uma agência de notícias de direita, relatou, com base em bispos anônimos, que durante a reunião ad limina dos bispos do sudoeste dos EUA com o Papa Francisco, o papa demonstrou desagrado com o modo como Martin agiu após um encontro de setembro de 2019 entre o pontífice e sacerdote jesuíta.

Ela também informou que Martin havia recebido uma “reprimenda” sobre como a história do encontro foi noticiado na imprensa. Mas o editorial da NCR expôs a verdade sobre esses bastidores daquela publicação de direita:

“Não confunda a Catholic News Agency (CNA) com o Catholic News Service (CNS). A primeira, que publicou a fonte anônima que criticava de Martin, é afiliada à EWTN, que apresentamos anteriormente em nossa série sobre o dinheiro e as entidades da extrema direita católica que tentam moldar uma narrativa católica estreita para a cultura em geral. É uma narrativa que não consegue imaginar uma Igreja que abraça e celebra seus membros LGBT com o mesmo calor e entusiasmo que acolhe a outros.”

O NCR observou ainda que o editor-chefe da CNA, J. D. Flynn, publicou recentemente um ataque contra Martin em outra publicação da direita, e que Flynn tem laços estreitos com alguns dos críticos mais severos do Papa Francisco nos EUA.

Antes de seu editorial contra as reportagens de má reputação da CNA, o NCR publicou um artigo do arcebispo de Santa Fe, John Wester, que, tendo participado da mesma reunião ad limina, refutou as alegações de que o papa havia criticado Martin. Ele publicou um artigo posterior em que o bispo de Cheyenne, Steven Biegler, também presente na reunião, respaldou o relato de Wester.

O editorial do NCR concluiu com palavras afiadas para os agressores de direita de Martin:

“É suficiente dizer aqui que sites que se autodenominam como católicos tem se engajado em gestos de homofobia absolutamente desequilibrados e fizeram de Martin o alvo principal. O fato de bispos – que, ousamos salientar, são padres companheiros – darem mesmo que a menor legitimidade a esse pensamento perigoso é horrível. No clima atual, e dados os padrões tradicionais de sigilo e de silêncio na cultura episcopal, a Igreja deve uma profunda gratidão a Wester e a Biegler pela sua coragem em apoiar um bom padre e por esclarecerem as suas conversas com Francisco.”

Também escrevendo sobre esse tema no National Catholic Reporter, o colunista Michael Sean Winters comentou:

“É chocante que um bispo tente difamar a reputação de um padre de uma forma tão pública. É mais do que chocante que os meios para alcançar esse fim incluam o fato de colocar palavras na boca do papa durante uma reunião privada. Como isso fortalece a unidade da Igreja? Como isso aumenta a comunhão dos bispos com o sucessor de Pedro? E por que esses bispos saem de uma reunião privada e tagarelam sobre o que o papa disse ou não? Essa última pergunta é a mais assustadora. Talvez eles estivessem apenas tentando fazer aquilo de que acusam Martin de fazer, manipulando uma reunião com o papa para obter uma vantagem tática. Agora é lugar-comum observar que, na Igreja Católica dos EUA, a nossa vida e teologia eclesiais foram reduzidas a categorias e análises políticas. Agora, pior ainda, empregam-se táticas políticas. Tudo segue em frente, desde que você possa promover a sua causa.”

Winters também sugeriu que, se as agendas políticas dos bispos impedirem seu senso de apostolicidade ou de unidade com o papa, então talvez se deva sugerir aposentadorias precoces para eles.

O editorial do National Catholic Reporter, assim como as refutações de Wester e Biegler que ele publicou, são muito bem-vindas e uma reação necessária. Não é apenas o Pe. Martin que é ferido por essa retórica e falsidades cruéis, mas mais ainda as pessoas LGBTQ que são fundamentalmente desumanizadas.

Pelo bem delas, do Pe. Martin e da Igreja, os católicos devem não apenas pregar dignidade e inclusão, mas também denunciar o preconceito e a ignorância quando estes se manifestam.

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