Uma década para acabar com a fome: a esperança está nos pequenos agricultores

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14 Fevereiro 2020

“Podemos nos afastar da beira do precipício em que estamos agora e fazer notícia anunciando que o mundo se uniu para acabar com a pobreza, acabar com a fome e corrigir as desigualdades e, ao fazê-lo, conseguiu proteger os recursos naturais para gerações futuras. Com maior investimento em desenvolvimento rural sustentável e agricultura em pequena escala, esse futuro é possível”, escreve Gilbert F. Houngbo, presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), agência da ONU, em artigo publicado por El País, 11-02-2020. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

No início de uma nova década, o mundo parece ter certamente atingido um ponto de inflexão: os incêndios varrem a Austrália, as inundações devastam terras de cultivo na Europa, os enxames de gafanhotos acabam com fazendas agrícolas na África Oriental e 45 milhões de pessoas - um número recorde - são afetados pela crise alimentar na África Meridional.

Os fenômenos meteorológicos extremos estão se tornando normais, o que representa uma ameaça à existência de nossos sistemas alimentares e, por extensão, a nós mesmos. Todos os dias, 820 milhões de pessoas passam fome e a brecha da desigualdade se amplia, sendo os mais pobres e os mais marginalizados os que ficam cada vez mais para trás. Conforme vão as coisas, não alcançaremos os dois primeiros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de erradicar a fome e a pobreza em 2030.

Mas, apesar de tudo, há esperança. Uma esperança que se encontra nos pequenos agricultores que, nas áreas rurais do planeta, geram renda e produzem alimentos para as pessoas mais pobres do mundo.

Sabemos que a agricultura é afetada pelas condições climáticas e também que as práticas agrícolas têm um impacto sobre o clima. No entanto, é frequentemente negligenciada a importância mundial de investir em pequenas propriedades agrícolas.

Metade das calorias consumidas no mundo são produzidas por pequenos agricultores, em apenas 30% das terras agrícolas do mundo. Esses agricultores têm um forte incentivo pessoal para tirar o máximo proveito de suas terras e de seu próprio trabalho. Também tendem a plantar uma gama maior de variedades de cultivos que se adaptam às condições locais.

Essa maior diversidade agrícola reduz a vulnerabilidade dos sistemas agrícolas, as epidemias causadas por pragas e doenças, melhora a fertilidade do solo e torna as culturas mais resistentes a inundações e secas. As práticas agrícolas inteligentes em termos de clima reduzem as emissões de gases do efeito estufa e aumentam a taxa de sequestro de carbono, e podem reabastecer os lençóis freáticos e evitar deslizamentos de terra e tempestades de poeira. Em resumo, protegem o capital natural que é a base da vida, os meios de subsistência e a atividade econômica nas áreas rurais.

As pequenas propriedades prósperas não somente fornecem comida, mas também criam empregos e aumentam a demanda por bens e serviços produzidos localmente. Isso, por sua vez, estimula oportunidades e crescimento econômico e, portanto, contribui para a estabilidade social.

Chegou a hora de reconhecer o valor dos pequenos agricultores e apoiá-los. Estima-se que é necessário investir 115,6 bilhões de dólares anualmente na agricultura para acabar com a fome no mundo. No entanto, a Assistência Oficial ao Desenvolvimento destinada a atividade agrícola atinge apenas 10 bilhões de dólares por ano. Se realmente queremos erradicar a pobreza e a fome, é necessário resolver esse déficit de financiamento.

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a agência das Nações Unidas especializada em desenvolvimento rural, se centra nessa questão. Investimos nas pessoas com maior probabilidade de serem deixadas para trás: pobres, pequenos agricultores, mulheres, jovens e indígenas que vivem em áreas rurais remotas. Falamos de pessoas que raramente se beneficiam de iniciativas de desenvolvimento.

Trabalhamos de mãos dadas com os governos e com a própria população rural para aumentar seu acesso a recursos de financiamento, tecnologia e capacitação. O objetivo final é garantir que a agricultura se torne um negócio sustentável e que a população rural tenha ferramentas para lidar com os efeitos de um clima cada vez mais imprevisível.

Após mais de 40 anos de experiência trabalhando nesse campo, sabemos que o fim da estrada pode ser a parte mais difícil. Restam apenas 10 anos para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em particular para alcançar o compromisso de acabar com a pobreza extrema e a fome. Só podemos alcançar esse objetivo com mais fundos, novas alianças, melhores modelos financeiros e abordagens mais inclusivas. Para duplicar nosso impacto até 2030, o FIDA insta os governos a fortalecerem seu compromisso, investindo mais no desenvolvimento rural.

Não é tarde demais. Podemos nos afastar da beira do precipício em que estamos agora e fazer notícia anunciando que o mundo se uniu para acabar com a pobreza, acabar com a fome e corrigir as desigualdades e, ao fazê-lo, conseguiu proteger os recursos naturais para gerações futuras. Com maior investimento em desenvolvimento rural sustentável e agricultura em pequena escala, esse futuro é possível.

 

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