“Nem mesmo o Papa pode abolir o celibato dos padres”. Entrevista com Gerhard Mueller

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11 Outubro 2019

No apartamento que pertencia a Joseph Ratzinger na época em que liderava a Doutrina da Fé, o prefeito emérito do antigo Santo Ofício, Gerhard Müller folheia os rascunhos de seu último livro "Affinché siate una benedizione" (Cantagalli).

A entrevista é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 10-10-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Doze cartas sobre o sacerdócio, nas livrarias nestes dias em que o Sínodo questiona a possibilidade de abrir o sacerdócio aos "viri probati", homens idosos casados, de fé comprovada. O que pensa a respeito?

Eu acredito que seja errado introduzir os ‘viri probati’. Já existem diáconos casados. Se os aceitarmos, eles devem respeitar os costumes da Igreja antiga: devem viver em castidade.

Mas se eles são casados, como podem fazer isso?

Mesmo na Igreja Ortodoxa, que inclusive fez uma abertura nesse sentido, os padres casados devem viver em castidade nos dias que antecedem a celebração da missa. Você não conhece o Sínodo de Trullo de 692? Lá, sob pressão do imperador, a lei do celibato foi dissolvida, mas apenas a Igreja Ortodoxa aderiu a isso. Não aquela latina. É por isso que aqueles que desejam inserir a prática dos padres casados na Igreja Latina não conhecem sua história.

No entanto, o celibato é apenas uma lei eclesiástica.

Não é uma lei qualquer que pode ser alterada à vontade. Mas tem raízes profundas no sacramento da ordem. O padre é o representante de Cristo noivo e tem uma espiritualidade vivida que não pode ser alterada.

No entanto, Bento XVI permitiu que os padres anglicanos que se convertem permanecessem casados.

Trata-se de exceções. Os apóstolos deixaram tudo para seguir Jesus: Cristo é o modelo para os ministros, os padres. E isso não pode ser alterado por impulsos seculares. Também não pode contradizer o Concílio Vaticano II, que em "Presbyterorum ordinis", no número 16, fala sobre celibato e o vínculo de conveniência entre aqueles que representam Cristo cônjuge celibatário e a Igreja.

Sem o celibato, os abusos sexuais cometidos por padres não diminuiriam?

Não, é falso. Isso esconde uma falsa antropologia. Um abuso é uma contradição contra a castidade. Os abusos ocorrem em toda parte, não apenas no sacerdócio. E não devemos esquecer que estatisticamente mais de 80% das vítimas não são crianças, mas adolescentes do sexo masculino. Isso significa que muitos abusos são cometidos por pessoas que não querem respeitar o sexto mandamento. Ninguém deveria ser admitido no sacerdócio se não aceita viver de acordo com os mandamentos de Deus e as exortações de Cristo. Escrevi meu livro para muitos padres bons e fiéis, obrigados a enfrentar acusações por causa de alguns que cometem erros.

É verdade que parte do mundo conservador está pronta para o cisma se o Sínodo mudar questões fundamentais da doutrina?

Um cisma é contra a vontade de Jesus, e é a traição das sãs palavras de Jesus ou da doutrina dos apóstolos. O magistério atuará na esteira da tradição apostólica da Igreja, aliás não pode fazer o contrário. Nenhum papa, nem a maioria dos bispos, podem mudar dogmas de fé ou leis do direito divino de acordo com sua própria vontade. A tradição da Igreja não é um jogo que possa ser modelado à vontade.

Há quem o descreva como um inimigo de Francisco.

O papa deve refletir sobre alguns de seus aduladores. Aqueles que dizem essas coisas tecnicamente são ignorante. Escrevi um livro de 600 páginas sobre o papa e o papado, a monografia atual mais extensa sobre o assunto. Adversários do papa são aqueles que negam que o papado seja uma instituição divina, que desejam mudar a doutrina revelada sem levar em conta o Vaticano I e II. Quem diz essas coisas causa graves danos à credibilidade da Igreja Católica.

O que pensa da ordenação feminina?

Não se pode falar sobre isso porque dogmaticamente é impossível chegar à tanto.

Houve protestos no Instituto João Paulo II contra sua renovação. Alguns professores perderam suas cátedras e disseram que está sendo traído todo o magistério de Wojtyla. É verdade?

Foi um grande erro destruir aquele Instituto, um atentado contra a qualidade intelectual da teologia católica. No mundo acadêmico, todos ficaram sem palavras: impensável demitir professores por seu pensamento verdadeiramente ortodoxo. Entre outras coisas, não é um pensamento que trai a doutrina, por isso não se entende por que os demitir.

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