Ongs denunciam “banho de sangue racista” de Witzel no Rio

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26 Setembro 2019

Com apenas oito anos de idade, Ágatha foi baleada dentro de um veículo enquanto estava acompanhada da mãe a caminho de casa, no Complexo do Alemão, no Rio.

A reportagem é publicada por Conectas, 24-09-2019.

A morte da menina Agatha Félix, ocorrida na noite da última sexta-feira, 20, no Rio de Janeiro foi denunciada nessa terça-feira, 24, no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Em pronunciamento realizado por Conectas, Voz das Comunidades, Justiça Global e Rede de Observatórios da Segurança, as entidades pedem que a comunidade internacional se manifeste contra o “banho de sangue racista desencadeado pelo governador Witzel no Rio”.

De apenas oito anos de idade, Ágatha foi baleada dentro de um veículo enquanto estava acompanhada da mãe a caminho de casa, no Complexo do Alemão, no Rio. Segundo testemunhas, o disparo foi realizado por um policial, que atirou contra uma moto suspeita.

“Essa política de atirar para matar é incentivada pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel”, disseram as entidades em seu pronunciamento. “Ele prometeu dar poderes aos policiais para abater criminosos armados durante sua campanha. Isso agora se torna realidade, já que a letalidade policial no Rio atinge um novo recorde histórico.”

De janeiro a agosto de 2019, 1249 pessoas foram mortas pela polícia no estado de acordo com o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Pelo menos oito crianças foram baleadas em 2019 durante operações policiais no Rio de Janeiro.

A própria ONU, por meio de sua Relatora para Execuções Extrajudiciais, já questionou o uso abusivo da força contra comunidades pobres dos subúrbios cariocas, destacando que a maior parte das vítimas eram jovens negros das favelas e deixou claro que. De acordo com a ONU, se as alegações forem confirmadas, o governo do Rio pode estar violando artigos da Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos, da Convenção sobre os Direitos das Crianças, da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Convenção Americana de Direitos Humanos.

Em resposta ao pronunciamento das entidades, a missão brasileira no Conselho de Direitos Humanos da ONU respondeu que as autoridades do Estado do Rio de Janeiro já começaram as investigações necessárias dos fatos e criticou o que chamou de “politização” da morte de Ágatha.

“O Brasil lamenta que a morte de uma jovem menina há alguns dias, que está sob investigação pelas autoridades competentes, esteja sendo politizada neste Conselho de Direitos Humanos. Concluindo, ao empregar os esforços necessários para combater o crime e a violência, o Brasil reitera seu compromisso inabalável com os direitos humanos, o Estado de direito e, acima de tudo, com o caráter democrático de nossa sociedade”, disse o representante diplomático.

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