Igreja em crise com Madalena

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24 Julho 2019

Festa litúrgica de Santa Maria Madalena, um evento que para os "leigos" e católicos distraídos, diz pouco; muito, ao contrário, para aqueles que sabem que um repensamento da Igreja a partir da tarefa que Jesus confiou àquela mulher implicará uma autêntica revolução na maneira de se organizar o cristianismo na história.

O comentário é de Luigi Sandri, publicado por L'Adige, 22-07-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Fundindo em uma única pessoa as várias Marias das quais o Evangelho fala, a Madalena passou a ser considerada como a pecadora redimida pelo Senhor; hoje, no entanto, os exegetas alertam contra tal simplificação. Aqui nos referimos àquela Maria de Magdala que correu para o sepulcro onde o Crucifixo havia sido colocado, e, vendo a tumba vazia, perguntou ao homem quem ela acreditava ser o jardineiro onde haviam colocado o corpo de Jesus. E quando Este se fez reconhecer por ela chamando-a com extrema doçura de "Maria!", Ele confiou-lhe a missão de anunciar sua ressurreição aos apóstolos.

Portanto, as Escrituras cristãs testemunham que, nas origens da Igreja, para anunciar o núcleo central de sua mensagem, Jesus quis uma mulher. Ela não estava, portanto, "sob" os apóstolos, mas no mesmo nível. De fato, entretanto, as comunidades cristãs - esta é a história, com poucas exceções, contadas até hoje - teriam se estruturado todas excluindo a mulher dos ministérios do presbiterado e do episcopado, reservados aos homens.

Mas no início deste mês Ally Kateusz, uma acadêmica estadunidense, em uma conferência na Universidade Gregoriana de Roma (administrada pelos jesuítas), trazendo uma extensa documentação histórica e arqueológica, defendeu que uma série de mosaicos dos primeiros séculos, por muito tempo deliberadamente ocultados, demonstrariam que Nossa Senhora usava vestimentas reservadas, ao que se sabe até agora, aos bispos. Outras mulheres estariam vestindo roupas presbiterais.

Documentos antigos - acrescentamos - representam Maria Madalena como "equivalente" a Pedro. Embora não tenham sido incluídos nos livros canônicos (isto é, considerados inspirados por Deus), abrem vislumbres sobre aquela que poderia ter sido a Igreja primitiva.

De algumas décadas até o presente, as Igrejas ligadas à Reforma e as Igrejas anglicanas, quase todas abriram para o pastorado feminino e, muitas, para o episcopado também para as mulheres.

As Igrejas ortodoxas, por outro lado, e a Igreja católica romana persistem em negar essa possibilidade, salientando que entre os doze apóstolos Jesus não quis mulheres e que elas jamais presidiram à Eucaristia.

Quaisquer que sejam as consequências dos estudos de Kateusz, é evidente que o "não" às mulheres nos mais altos ministérios eclesiais é minado na raiz precisamente pela "missão" que Jesus confiou a Maria Madalena. Aceitá-la obviamente envolverá mudanças profundas na estrutura da Igreja romana e da ortodoxia. Mas rejeitar, agora, a mudança apenas retarda uma revolução que, mais cedo ou mais tarde, será inevitável.

É isso que movimentos femininos e feministas propõem, assim como muitas vozes do mundo teológico. A admissão da mulher-diácono seria apenas um primeiro passo tímido para uma renovação mais ampla. Negar isso, no entanto, é realmente árduo, se o que o Evangelho relata sobre Jesus e Maria Madalena for tomado com a seriedade que merece.

Uma comissão vaticana, comissionada pelo Papa Francisco em 2016 para discutir a possibilidade da mulher-diácono, não conseguiu, após anos de trabalho, dar uma resposta. Imagine-se, então, a hipótese da mulher no presbitério e no episcopado. Apenas um Concílio, aberto a "padres" e "madres", poderia ousar tanto. Talvez.

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