Água, os números da indecência mundial

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22 Junho 2019

Aqui estão dois números terríveis, publicados no começo da semana pela Unicef e pela OMS, que confirmam a indecência política, social e humana de todas as classes dominantes do mundo, a partir daquelas política, econômica, financeira, técnico-científica e moral-religiosa, que se contentaram com declarações, promessas e "realismo" e não quiseram combater as causas estruturais do grande roubo da vida que mantiveram, inclusive, nos últimos 40 anos, em detrimento de bilhões de pessoas: uma pessoa em cada três no mundo não tem acesso a água potável boa (safe drinking water); 4.2 bilhões de pessoas - mais da metade da população mundial - não têm acesso a serviços de saneamento e higiênicos.

Confira o relatório Progress on drinking water no site da Unicef.

O comentário é de Riccardo Petrella, publicado por Il Manifesto, 20-06-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o comentário.

No entanto, há décadas essas desigualdades escandalosas e intoleráveis são conhecidas, denunciadas e divulgadas. O fato é que os dominantes não se importam com a vida de pessoas e das crianças, eles só estão interessados no crescimento da economia mundial, isto é, de sua riqueza e do fortalecimento de seus poderes. Orgulhosamente decantam as tecnologias que lhes permitem acumular mais riqueza e tudo se torna inteligente, maravilhoso, poderoso, possível (no caso dos executivos "ocidentais").

Afirmam que têm os meios para o bem-estar de todos e depois gastam o dinheiro dos cidadãos (não o deles) para as armas, para as guerras, para os robôs soldados (para serem exportados também para os países chamados "pobres"). Eles têm o dinheiro e o conhecimento para construir porta-aviões (o caso dos líderes da Índia), mas não o utilizam para promover pequenos e eficientes sistemas de aquedutos rurais que custam uma ninharia em comparação aos caças a jato. Eles o usam para organizar sistemas urbanos de distribuição de água potável via caminhões pipas (porque é um bom negócio), como o fazem os líderes do sudeste asiático ou das grandes metrópoles latino-americanas e africanas), mas não para construir redes de pontos de água públicos distribuídos nas grandes e abarrotadas periferias e favelas do mundo (porque não geram lucro)

Essa trágica farsa mundial deve cessar. As petições são boas, mas é preciso fazer outras coisas, mais eficazes. É fundamental que os cidadãos empreendam vastas ações coletivas de oposição em dois níveis: primeiro, a denúncia junto às instituições de justiça, em todos os níveis, das responsabilidades penais das classes dominantes pela morte de milhões de crianças a cada ano e o risco de morte para bilhões de pessoas devido ao não acesso a uma água boa para a vida; segundo, a luta pela rápida criação de instituições e organismos, em todos os níveis, para a salvaguardar e a promoção da segurança hídrica coletiva, considerando fora da lei, para tal fim, as finanças criminais (paraísos fiscais, entre outras coisas) e as finanças especulativas (produção de dinheiro a partir de dinheiro totalmente dissociada da economia real).

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