México. Acabou a solidariedade com os migrantes?

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26 Abril 2019

São muitos os testemunhos de migrantes centro-americanos que cruzam o sul do México em direção aos Estados Unidos, que contam o que aconteceu na última terça-feira, 23 de abril, quando conseguiram escapar da polícia, passando por baixo das cercas de arame farpado e indo em direção aos campos para passar a noite entre as árvores, depois de mais de 400 pessoas terem sido presas em uma blitz nunca antes vista na área sul do México.

A reportagem foi publicada por Agência Fides, 25-04-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Um dos poucos grupos que conseguiu salvar-se foi o que havia escondido na igreja de Tonalá, em Chiapas. A operação policial praticamente dispersou a caravana de cerca de 3 mil migrantes, a maioria de Honduras. Muitos deles fugiram para as montanhas, outros se refugiaram em igrejas ou subiram em trens de carga. Poucos se aventuraram nas estradas, sabendo que dezenas de policiais as patrulhavam e havia várias barreiras. "Eles nos caçaram" foi a frase que muitos deles disseram enquanto procuravam algo para comer nas pequenas aldeias no sul do México.

Quando a notícia chegou à imprensa nacional, o presidente Andrés Manuel López Obrador não ofereceu detalhes sobre a operação, mas reconheceu que o governo não permite que os migrantes circulem simplesmente "onde querem". Ele negou a adoção de uma política rígida e afirmou que o controle dos migrantes é para sua segurança, pois há traficantes de pessoas infiltrados entre eles. "Não queremos que tenham passagem livre - disse López Obrador -, não apenas por razões legais, mas por questões de segurança".

O diretor do Instituto Nacional de Migração (INM), Tonatiuh Guillén, declarou que foi uma operação normal e que o México expulsou 11,8 mil migrantes até agora neste mês. Agora, o país é mais seletivo na concessão de vistos humanitários, que permitem que os migrantes permaneçam e trabalhem no país. A secretária do Interior Olga Sánchez Cordero informou que os imigrantes detidos nesta semana se recusaram a se registrar para obter um visto regional, que lhes permitiria permanecer no sul do país.

De acordo com a imprensa internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou a pressão da opinião pública contra o México para que faça mais para cortar o fluxo de centro-americanos que cruzam seu território. López Obrador reiterou que seu governo não mudou de posição em relação à política de imigração: se o México expulsou milhares de migrantes nos últimos meses, também emitiu mais de 15.000 vistos humanitários que lhes permitem permanecer e trabalhar no país.

Diante dessa situação no sul do México, a Igreja Católica está cada vez mais empenhada a favor desses grupos vulneráveis. Assim aparece na apresentação feita por Dom Alfonso Miranda Guardiola, Bispo Auxiliar de Monterrey e Secretário Geral da Conferência Episcopal Mexicana (CEM), na Câmara dos Deputados do México, em 23 de abril (ver Fides, 24-04-2019).

Segundo as informações recebidas pela Agência Fides, se inicialmente a população de Chiapas se mostrara solidária com as caravanas migrantes da América Central, algo que historicamente não fazia parte do seu modo de vida, agora manifesta intolerância pelo aumento da população migrante que vive m suas ruas, à procura de comida ou dinheiro. O padre Heyman Vázquez, pastor de Huixtla, vilarejo no caminho dos migrantes, não hesitou em indicar as razões pelas quais a solidariedade diminuiu: "Isso se deve à intensa campanha de discriminação e xenofobia disseminada pelas redes sociais e pela mídia, que culpam os migrantes pela insegurança em Chiapas", explicou ele aos jornais locais.

Segundo a nota enviada à Agência Fides, os grupos de migrantes que conseguem chegar à fronteira norte do México apresentam uma nova peculiaridade: a enorme quantidade de crianças sozinhas. O número de crianças com menos de 12 anos que está tentando atravessar a fronteira sem pais ou responsáveis está aumentando, com mais de 8.900 menores desacompanhados detidos em março (nos EUA), quase o dobro em relação a outubro de 2018.

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