O cantar da esperança pelas Antífonas do ‘Ó’

17 Dezembro 2019

O Natal de 2020 será um Natal num tempo de muitas dificuldades, mas, como ressaltou o Papa Francisco na audiência geral dessa quarta-feira, 16-12-2020, é preciso ter esperança. Ele propõe que olhemos com atenção para o primeiro Natal, aquele vivido por Maria e José, que, nas palavras do pontífice, “não foi um mar de rosas”. “Quanta dificuldade tiveram, quantas preocupações! Não obstante tudo, a fé, a esperança os guiaram e os ampararam. Que seja assim também para nós”, completa Francisco. É com esse espírito que devemos olhar além das crises e termos a coragem e esperança de imaginar e construir um Novo Tempo.

Tradicionalmente, como forma de animar os corações para a preparação para o Natal, o Instituto Humanitas Unisinos – IHU publica em seu site as sete antífonas que acompanham o cântico do Magnificat nas Vésperas da Liturgia das Horas, as chamadas antífonas do ‘Ó’. São composições poéticas que formam uma série conhecida como as “antífonas maiores”, todas iniciadas com a exclamação e invocação “Ó” dirigida a Jesus Cristo. Nessas composições, são aclamadas a Sabedoria, o Senhor, a Raiz de Jessé, Chave de Davi e até mesmo o Oriente, num tempo de muitas provações até a chegada de Emmanuel, ou Ó Emmanuel, como na última antífona.

Compostas entre o século VII e o século VIII, sendo um compêndio de cristologia da antiga Igreja, se constituem como resumo expressivo do desejo de salvação, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. A reforma litúrgica pós-Concílio Vaticano II, ao introduzir o vernáculo na liturgia, retomou os textos das Antífonas do Ó, veneráveis pela antiguidade e atribuídos por muitos ao Papa Gregório Magno. Embora sua origem não seja muito clara, estas sete antífonas seguramente já eram conhecidas e utilizadas na época do Papa Gregório, em torno dos anos 600.

Assim, em nosso tempo e em nossos contextos a necessidade de inspiração e preparação para chegada do Salvador se atualiza e mais uma vez, na semana do Natal, de 17 a 23 de dezembro, o IHU recupera diariamente cada uma das antífonas.

É possível observar também uma estrutura comum a todas as sete antífonas:

a) cada antífona começa com uma invocação endereçada ao Messias através de um título messiânico;

b) este título é ilustrado com referência a alguns atributos do Messias ou a algum evento crucial na história da salvação;

c) a antífona culmina com a súplica “Vem...”, e segue explicitando ainda mais as razões da súplica (salvar, acudir, libertar, mostrar o caminho...).

Apresentamos através dos links abaixo os textos integrais das sete antífonas, em latim e traduzidos (conforme a Liturgia das Horas, versão brasileira), com a inserção de áudio de cada antífona em canto gregoriano.

Na sequência, incluímos a versão das “Antífonas do Ó” do Ofício Divino das Comunidades. Para o ofício da novena de Natal, na versão brasileira, Reginaldo Veloso acrescentou duas novas, inserindo as expressões “Mistério” e “Libertação”, para completar os dias da novena. Cristo é o “Mistério” escondido e agora manifestado para trazer a Boa Nova e “Libertação” aos oprimidos (Ef 1,9-10 e Gl 4,4-7 respectivamente).

Confira

Ó Sapientia – Ó Sabedoria - 17 de dezembro

Ó Adonai – Ó Senhor - 18 de dezembro

Ó Radix Jesse – Ó Raiz de Jessé - 19 de dezembro

Ó Clavis David – Ó Chave de Davi - 20 de dezembro

Ó Oriens – Ó Oriente - 21 de dezembro

Ó Rex gentium – Ó Rei das nações - 22 de dezembro

Ó Emmanuel – Ó Emmanuel - 23 de dezembro

 

Notas:

[1] Estas antífonas constam no Liber responsalis sive antiphonarius como antífonas ao Magnificat nos sete dias que precedem a celebração do Natal. Cf. GILBERT, Marcel. Le antifone maggiori dell'avvento. In: Civiltà Cattolica, 2008, IV, p. 319.

[2] Ofício Divino das Comunidades foi elaborado como uma forma de inculturação da Liturgia das Horas, que adapta a tradição litúrgica romana à realidade cultural e religiosa dos católicos brasileiros e latino-americanos.

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