‘É errado dizer que os abusos de menores são causados pela homossexualidade’, afirma sociólogo italiano

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09 Novembro 2018

De modo paroxístico a galáxia de sites e blogs que se denominam católicos, engajados na luta diária contra o Papa Francisco, insiste em afirmar - e isso aparece enfaticamente também no dossiê Viganó - que o problema na Igreja Católica não é a pedofilia, não são os abusos contra menores, mas a homossexualidade espalhada nos seminários e entre os sacerdotes. Não há dúvida de que uma parte consistente dos abusos contra menores seja cometida não contra crianças, mas contra adolescentes, e que, portanto, seria melhor classificar esses casos não como pedofilia, mas como "efebofilia". Na origem destes últimos haveria uma atração homossexual.

O comentário é de Andrea Tornielli e Gianni Valente, autores do livro Il Giorno del Giudizio, publicado por Vatican Insider, 08-11-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

É verdade que o percentual de seminaristas, sacerdotes e religiosos que sentem atração sexual por pessoas do mesmo sexo é significativamente mais alto entre o clero do que no resto da sociedade. Os últimos Papas têm tentado buscar remédio, com a emissão de normas que inibem a entrada para o seminário de jovens que sentem atração por pessoas do mesmo sexo, que teriam muito mais dificuldade em viver a castidade em um ambiente onde convivem apenas homens. Mesmo nesse caso, trata-se de um caminho longo, que passa por uma seleção mais cuidadosa e precisa de candidatos ao sacerdócio, evitando abrir as portas dos seminários em um momento em que os sacerdotes diminuem a olhos vistos no Ocidente, para pessoas com problemas afetivos e sexuais não resolvidos.

Uma das acusações que circulavam nos palácios do Vaticano contra o então Arcebispo de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio dizia respeito ao uso - considerado excessivo – de avaliação psicológica para os candidatos a seminarista. É inclusive bastante curioso que os ambientes conservadores - hoje muito críticos contra o Papa Francisco e prontos a atribuir-lhe as últimas três décadas de falta de vigilância nos seminários do mundo todo – tenham sido justamente aqueles, até algum tempo atrás e ainda hoje, menos propensos a permitir que estudiosos da psique ou do comportamento fossem consultados e envolvidos na seleção de novos padres.

O problema, em suma, existe. Mas talvez devêssemos ser mais cautelosos ao propagar a tese de que os abusos infantis seriam causados pela homossexualidade. (...) O terceiro relatório do prestigioso John Jay Institute estadunidense, publicado em 2011, se expressa justamente sobre este assunto e corrige afirmações contidas nos relatórios anteriores de 2004 e de 2006, à luz de novos dados. "O que não se entende muito bem", registra o último relatório, "é a possibilidade de uma pessoa participar de um ato com uma pessoa do mesmo sexo sem assumir ou reconhecer para si uma identidade homossexual. Mais de três quartos dos atos de abusos sexuais de jovens por parte de padres católicos, como mostramos no estudo de 2004, são atos entre pessoas do mesmo sexo (sacerdotes que abusam de vítimas do sexo masculino). Mas é possível que, embora as vítimas desses sacerdotes fossem na maioria dos casos do sexo masculino, definindo assim os atos como homossexuais, o sacerdote nunca tenha reconhecido a própria identidade como homossexual "(p. 36). Quanto aos sacerdotes, tanto aqueles que chegaram como os que saíram dos seminários como homossexuais - as duas categorias não coincidem - de acordo com o relatório, estatisticamente "estão mais em risco [do que os heterossexuais] de ter relações sexuais após a ordenação" (p 62.), mas na maioria dos casos, eles terão relacionamentos com adultos e não com menores.

Portanto, "os dados clínicos não apoiam a conclusão [...] que a identidade homossexual está ligada ao abuso sexual de menores" (p. 74). "O relatório também rejeita", explica aos autores deste livro o sociólogo Massimo Introvigne, "que as subculturas homossexuais que se desenvolveram nos seminários nos anos 1980 e foram truncadas, pelo menos em parte, nos anos 2000, tenham a ver com os abusos de menores. Não que essas subculturas não existissem: mas quando alcançaram sua maior difusão, a maioria dos sacerdotes responsáveis por abusos já havia sido ordenada. As subculturas homossexuais nos seminários e o abuso de menores são fenômenos paralelos, não sucessivos. Um não é causa do outro".

"Dizer que o problema dos abusos contra menores seja causado pela homossexualidade", acrescenta Introvigne, "está errado. Certamente não há como negar que exista um problema de homossexualidade na Igreja, mas os problemas são diferentes. Antes de tudo, há o tema do abuso de poder, difundido tanto na Igreja como na sociedade. Do treinador ao político, do magistrado ao cardeal: uma troca de favores para a carreira. Na Igreja isso está ligado ao clericalismo. Depois houve um problema contra o qual os últimos Papas reagiram, que é aquele da presença de pessoas homossexuais nos seminários. E, finalmente, há verdadeira pedofilia, que é menos sexuada do que se acredita, como também demonstram o Relatório da Pensilvânia e a investigação sobre os abusos na Alemanha. As vítimas são meninos e meninas inclusive de 5/6 anos até 9/10 anos. Estamos aqui na presença de uma doença psíquica. A prevalência de meninos comparada às meninas entre as vítimas dos padres pedófilos deve-se principalmente ao fato de que sacerdotes e religiosos tiveram acesso mais fácil a menores do sexo masculino".

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