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10 Agosto 2018

Quase todos os dias na mídia em diferentes partes do mundo há pelo menos uma notícia sobre a Igreja. Mas, em geral, não se trata de informações sobre as muitas intervenções de ajuda e assistência, apoio à justiça, frequentemente levadas a cabo em contraste flagrante com as ações das instituições estatais e muitas vezes também daquelas internacionais, mas sim de denúncias de abusos sexuais, mais ou menos recentes, escandalosamente acobertadas pelo silêncio e pela cumplicidade. E o fato que hoje a mídia tenha se tornado tão invasiva e disseminada, especialmente nos meios informatizados, faz com que uma entrevista com uma vítima amplamente difundida tenha o poder de causar desconforto e indignação muito mais forte do que um artigo de denúncia.

O artigo é de Lucetta Scaraffia, historiadora, membro do Comitê Italiano de Bioética e professora da Universidade de Roma “La Sapienza”, publicado por L’Osservatore Romano, 09/10-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Nos últimos anos, e com um crescimento contínuo, a Igreja, como instituição, tem sido atingida por essa onda midiática, que parece implacável e impiedosa, mesmo porque se origina da decepção de descobrir buracos negros de um organismo que, aos olhos do mundo, parece, ao contrário, como uma importante agência moral. Nas sociedades em que a revolução sexual já está afirmada há décadas e onde a secularização é um fenômeno já estabelecido há tempo, o que causa mais indignação não é tanto a infração sexual ou a fraqueza humana, demonstrada pela incapacidade de manter um compromisso assumido, mas a trama de poder que permeia esses episódios e também explica o silêncio que os encobriu e, de fato, protegeu.

No geral, no entanto, não se deve considerar essa onda midiática como um ataque malévolo contra a instituição, como uma vontade agressiva de quem busca o escândalo a qualquer custo: o escândalo realmente existe, está lá, e não consiste tanto na transgressão sexual, quanto no abuso de poder, e, depois, no silêncio e na falta de sanções contra os responsáveis, silêncio e impunidade que humilham as vítimas. Os meios de comunicação, com suas investigações e entrevistas, obrigam aqueles que queriam encobrir e esquecer a fazer justiça, e recordam que as vítimas têm uma dignidade a ser respeitada e protegida.

Quase sempre, como agora também acontece com os abusos de religiosas, quem fala são vítimas que tentaram obter justiça, mas geralmente sem sucesso, dentro da instituição a que pertencem, a Igreja. Pensando que elas também, as vítimas, fazem parte da Igreja, assim como os responsáveis pelos abusos que muitas vezes foram encobertos com o silêncio, e em nome da instituição a ser protegida. Mas, dessa forma, que instituição quis se proteger?

Sabemos que as denúncias não sempre são fundadas, que as relações humanas são muito complexas e pode não ser tão fácil defini-las com base nas dinâmicas que acontecem entre vítimas e agressores, especialmente quando se trata de adultos e não de menores. Mas a clareza é necessária para todos, inclusive para defender contra suspeitas infundadas, e de olhares acusadores, quem for injustamente acusado.

Assim, a mídia está, paradoxalmente, ajudando a Igreja a esclarecer, a enfrentar problemas complexos e dolorosos que vinham se arrastando, se não mesmo sendo acobertados. E é legítimo esperar que uma análoga disposição por informação séria seja estendida também para as contribuições positivas de uma instituição milenar, que tem sim necessidade de ser sacudida, mas que se fundamenta sobre uma boa notícia a não ser jamais esquecida.

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