Francisco reconhece o martírio de dom Angelelli e seus três colaboradores

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11 Junho 2018

A Igreja Católica argentina conta, a partir de hoje, oficialmente com os primeiros quatro mártires em consequência da cruel repressão da última ditadura. O Papa Francisco assinou o decreto que reconhece o martírio de Dom Enrique Angelleli, os sacerdotes Carlos de Dios Murias e Gabriel Longueville, assassinados em La Rioja em 1976.

A reportagem é de Sergio Rubin, publicada por Valores Religiosos, 09-06-2018. A tradução é de André Langer.

A decisão do Pontífice – após anos de estudo desses casos na Igreja de La Rioja e no Vaticano – implica que todos eles serão declarados bem-aventurados – o degrau anterior a santo – nos próximos meses, durante uma cerimônia solene na Província.

A novidade foi transmitida por telefone pelo próprio Pontífice ao bispo de La Rioja, Marcelo Colombo, que vinha promovendo o processo de beatificação de Angelelli, iniciado em 2014, e de dois padres, que começou em 2011. Em 2014, a Justiça – após a reabertura do caso em 2010 – determinou que a morte de Angelelli foi um homicídio e condenou o ex-general Luciano Benjamín Menéndez e o ex-comodoro Luis Fernando Estrella, considerando-os autores mediatos. A causa contou a contribuição fundamental de arquivos do Vaticano que Francisco tinha enviado (à Argentina).

“O Santo Padre me comunicou por telefone que tinha assinado o decreto instantes antes”, disse dom Colombo ao Clarín. Ele acrescentou que o Papa “estava muito feliz por tê-lo feito e queria comunicá-lo formalmente. Foi – destacou – um gesto extraordinário de sua paternidade em relação à Igreja de La Rioja”. Quanto ao resto, Colombo disse que agora começarão na Província os preparativos para a cerimônia de beatificação, mas ele ainda não podia precisar a data. Esse tipo de cerimônia é presidida pelo prefeito da Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano.

Dom Angelelli morreu em 4 de agosto de 1976 em Punta de los Llanos, La Rioja, em um acontecimento que apresentado inicialmente como um acidente automobilístico (um carro o fechou, o carro tombou, o prelado ficou inconsciente e foi atingido no cabeça). Angelelli estava retornando à capital da Província com seu secretário, o padre Arturo Pinto – que também ficou inconsciente –, após participar de uma homenagem aos padres Murias e Longueville, carregando três pastas com informações que comprometiam os líderes militares com a repressão ilegal, e que não foram encontrados no local.

Dias antes, mais precisamente na noite de 18 de julho, desconhecidos que diziam ser da Polícia Federal apresentaram-se na casa de algumas religiosas na localidade riojana de Chamical, onde os padres Murias e Longueville estavam jantando. Pediram-lhes para acompanhá-los à cidade de La Rioja com o pretexto de declarar sobre algumas pessoas que foram detidas em Chamical. Mas foram levados para a base aérea local, onde foram torturados e finalmente levados para um descampado, onde foram baleados. Seus corpos foram encontrados três dias depois ao lado de algumas trilhas por alguns trabalhadores.

Pouco depois, na madrugada de 25 de julho, quatro homens encapuzados bateram na porta da casa de Pedernera, um camponês que tinha cursado até a terceira série e trabalhava como andorinha, organizador do movimento rural católico e colaborador de Angelelli. Ao abrir a porta, levou quatro tiros na frente da sua esposa Coca e suas três filhas: María Rosa, Susana e Estela, vindo a falecer na mesma hora.

No 30º aniversário de sua morte, o então presidente da Conferência Episcopal, cardeal Jorge Bergoglio, celebrou uma missa na catedral de La Rioja em sua memória. Na homilia, assinalou que Angelelli recebia pedradas por pregar o Evangelho e derramou seu sangue por isso. E citando Tertuliano, disse: “O sangue dos mártires é a semente da Igreja”.

Ao contrário de outras causas de canonização, quando o candidato é considerado mártir, não é necessário determinar que Deus operou um milagre por sua intercessão para ser declarado beato (e um segundo para ser um santo).

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