Oração e jejum. O Papa pela paz na Síria, no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo

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23 Fevereiro 2018

Um dia de oração e de jejum pela paz, dedicado principalmente para a República Democrática do Congo e para o Sudão do Sul, sem esquecer a situação na Síria destruída pela guerra, que está se tornando cada vez mais dramática na Ghouta Oriental. O Papa Francisco propôs essa iniciativa diante dos persistentes conflitos no mundo para envolver os fiéis católicos, mas também cristãos e não-cristãos. O dia será comemorado em 23 de fevereiro, sexta-feira da primeira semana da Quaresma. Com este anúncio, dado de forma significativa no dia em que a Itália celebrava o Dia pela Vida, o Papa mostrou mais uma vez sua preocupação com a Igreja universal e sua proximidade com as pessoas que mais sofrem.

O artigo é do cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, publicado por L'Osservatore Romano, 22-23-02-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Nessa iniciativa pela paz, que tem um foco especial sobre aqueles dois grandes países do continente africano, o Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral associa-se com uma participação total. A iniciativa alia-se a outras do Papa que têm ocorrido nos últimos tempos com o objetivo de chamar a atenção da comunidade internacional sobre situações de violência extremamente dolorosa que não encontram espaço suficiente na mídia. No entanto, a recente declaração dos bispos do Congo - onde pessoas desterradas e refugiados passam por enormes sofrimentos - tem acentos dramáticos ao recordar as marchas pacíficas de 31 de dezembro de 2017 e do último 21 de janeiro, que foram violentamente reprimidas: "Por que tantas mortes, feridos, prisões, sequestros, ataques a paróquias e comunidades religiosas, humilhação, tortura, intimidação, profanação de igrejas, proibições de oração? "(Declaração da Conferência Episcopal do Congo, 17 de fevereiro, 2018).

E no Sudão do Sul, onde a situação em maio último foi tão grave a ponto de obrigar o Papa Francisco a cancelar a visita que estava programada, os refugiados e os desterrados representam cerca de um quarto da população que, como um todo, está sofrendo uma grave crise econômica e enfrenta uma terrível situação de pobreza. Eles também "são homens e mulheres, crianças, jovens e idosos à procura de um lugar para viver em paz" (Mensagem pontifícia para o Dia Mundial da Paz de 2018) e, nas palavras de seus bispos, mostram gratidão para com aqueles que generosamente os acolhem, como testemunha uma mensagem comovente de 20 de outubro de 2017 enviada pelo Presidente da Conferência Episcopal do Sudão à do Quênia, nos dias de violência pós-eleitorais que atingiram o seu país.

O dia de 23 de fevereiro, assim como a vigília de oração que o Papa presidiu na Basílica de São Pedro em 23 de novembro de 2017, são uma primeira resposta essencial, com os "remédios" fornecidas pelo tempo forte da Quaresma, para a pergunta "O que posso fazer pela paz ?": a oração e o jejum, e depois os donativos.

De fato, o gesto de nos privarmos de algo "nos liberta da cobiça, ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão" e "constitui um testemunho concreto de comunhão que vivemos na Igreja" (Mensagem do Papa para a Quaresma de 2018): as ajuda materiais, também são necessárias. Em novembro passado, o Papa através do Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral, assim como tinha feito para o Sudão do Sul depois da visita cancelada, enviou uma contribuição concreta para a ajuda das populações congolesas da região dos Grande Kasai, vítimas de um conflito que durante aqueles meses tinha somado mais de 3400 vítimas e ingentes danos materiais. Tal contribuição era a parte inicial das ajudas que chegaram logo depois, vindas de toda a Igreja Católica com o envolvimento direto das Conferências episcopais e das numerosas entidades de caridade, entre as quais, a Cáritas Internationalis. Mas, uma resposta à pergunta "O que posso fazer pela paz?" é também aquela dada por Francisco durante o Angelus de 4 de fevereiro, depois, é claro, de tê-la apresentado "cada um pode concretamente dizer "não" à violência no que depende dele ou ela. Porque as vitórias obtidas por meio da violência são falsas vitórias". Uma falsidade que se reflete "na hipocrisia de calar ou negar os massacres de mulheres e crianças, que é onde a guerra mostra sua pior face" (homília da Vigília de Oração Homilia de 23 de novembro de 2017).

Além da pergunta sobre o que pode fazer cada um de nós para construir a paz, é preciso também considerar o papel dos responsáveis pela coisa pública que têm o dever de assegurar uma vida pacífica para os seus concidadãos. A comunidade internacional, por sua vez, tem a responsabilidade de garantir uma transição não violenta para a nova presidência do Congo e os países que têm algum interesse econômico devem se preocupar com o bem da população local.

Os bispos da República Democrática do Congo, paladinos de uma Igreja não controlada por nenhuma organização política (Declaração de 17 de fevereiro de 2018), há tempo estão corajosamente empenhados na busca de uma saída para a crise. Uma saída que parecia possível de ser alcançada justamente por obra de mediação paciente que a Conferência Episcopal tinha realizado ao longo de meses, sem abrir mão de seu papel profético, mesmo diante dos duros ataques sofridos no impasse atual, especialmente na pessoa do Arcebispo de Kinshasa, Cardeal Laurent Monsengwo Pasinya.

O Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral, está particularmente sensível aos sofrimentos que o clero, os religiosos e as religiosas, e toda a população congolesa estão sofrendo, especialmente em algumas regiões, e expressa o seu total apoio ao cardeal, que tem a honra de contar entre os seus membros e de quem valoriza a competência, a sabedoria e a preocupação pelo respeito da dignidade humana e do bem comum inspirado nos valores do Evangelho e fundado na doutrina social da Igreja. A constante preocupação do Papa pela paz no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo é acompanhada também pelo empenho pessoal de religiosos e religiosas naqueles países e suas famílias religiosas em todas as partes do mundo. Prova disso é o evento, realizado em Roma, em 18 de janeiro último, da Comissão conjunta da União dos Superiores Gerais e da União Internacional das Superioras Gerais, com a colaboração do Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral.

No dia de 23 de fevereiro, e na Vigília noturna ficaremos juntos, portanto, em comunhão com o Papa para rezar pela paz no mundo e especialmente pela República Democrática do Congo e pelo Sudão do Sul. Vamos pedir ao Senhor para derrubar os muros da inimizade e fortalecer nos governantes e nos responsáveis a vontade de procurar soluções pacíficas através do diálogo e da negociação, com certeza de que, como disse o Pontífice no Angelus de 4 de fevereiro "o nosso Pai celestial sempre escuta seus filhos, que clamam a ele na dor e no desespero ‘cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas’ (Salmo 147: 3)".

 

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