Dom Erwin espera que Sínodo da Amazônia abra as portas a padres casados e diaconisas

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25 Outubro 2017

As tentativas de resolver a escassez do clero, como trazer sacerdotes do exterior, não provaram ser bem-sucedidas, afirmou o bispo Erwin Kräutler.

A reportagem é de Christa Pongratz-Lippitt, publicada por La Croix International, 24-10-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um bispo emérito que liderou a maior diocese territorial do Brasil durante 34 anos disse esperar que o Sínodo especial de 2019 para a região panamazônica leve à ordenação de homens casados ao sacerdócio e de mulheres ao diaconato permanente.

O bispo Erwin Kräutler, missionário austríaco que dirigiu a diocese do Xingu, na floresta tropical brasileira, de 1981 a 2015, disse à agência Kathpress que a “horrível” escassez de padres privou da Eucaristia os povos indígenas da Amazônia.

O bispo de 78 anos, que ainda é secretário da comissão dos bispos brasileiros para a região amazônica, disse em uma entrevista do dia 19 de outubro à agência de notícias católica austríaca que essa desastrosa situação pastoral significa que 90% dos fiéis católicos da região não podem celebrar a Eucaristia regularmente.

Dom Kräutler disse que os católicos na Amazônia limitam-se a celebrar ritos da Liturgia da Palavra. Ele disse que isso, por sua vez, os leva a participar de comunidades evangélicas protestantes que estão crescendo rapidamente na América Latina.

“Eles não veem nenhuma diferença entre os ritos da Palavra e os ritos dominicais evangélicos”, afirmou.

O bispo disse que encontrar formas de enfrentar a falta de padres será um dos principais temas da reunião especial do Sínodo para a região panamazônica. Ele disse que os critérios para a admissão ao sacerdócio devem ser modificados, para permitir a ordenação de homens casados. E acrescentou que, uma vez que as mulheres agora lideram muitas das pequenas comunidades católicas, também é urgente ordenar diaconisas.

“Talvez até mesmo a sugestão do bispo Fritz Lobinger será aceita”, disse.

Lobinger, missionário de Regensburg (Alemanha), que foi bispo de Aliwal (África do Sul) de 1987 a 2004, é o autor de Like his Brothers and Sisters: Ordaining Community Leaders [Assim como seus irmãos e irmãs: ordenando líderes da comunidade] (1998).

O bispo aposentado de 88 anos defendeu um projeto experimental pelo qual as comunidades paroquiais seriam lideradas por “equipes de anciãos” escolhidos entre os seus membros e baseadas nos primeiros tempos do cristianismo. Esses anciãos não seriam clérigos, embora seriam sacramentalmente ordenados sacerdotes. Um padre-animador celibatário supervisionaria essas várias equipes ministeriais.

Dom Kräutler disse que as tentativas de encontrar outras soluções para enfrentar a escassez de clérigos, como a transferência de padres do Sul do Brasil para as regiões do Norte, não tiveram sucesso. Muitos dos que foram transferidos, disse, acharam extremamente difícil se adaptar à cultura amazônica.

Ele fez as suas declarações à Kathpress apenas um dia depois que o Papa Francisco anunciou formalmente os planos de realizar o Sínodo em 2019 no Vaticano – oficialmente chamado de Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região panamazônica. O papa disse que “algumas Conferências Episcopais da América Latina, além de diversos bispos e fiéis de outras partes do mundo” o exortaram a convocar a reunião.

Dom Kräutler disse que isso mostrava a determinação de Francisco de fortalecer a colegialidade episcopal.

“O principal objetivo dessa convocação é identificar novos caminhos para evangelizar essa porção do povo de Deus, especialmente os indígenas que, muitas vezes, são esquecidos e deixados sem perspectivas de um futuro pacífico”, disse o papa no Ângelus do domingo, 15 de outubro.

Ele sublinhou que o Sínodo especial também era necessário “por causa da crise da floresta amazônica, um pulmão de suma importância para o nosso planeta”.

Dom Kräutler confirmou que, além de enfrentar o desafio da evangelização, a assembleia do Sínodo de 2019 também buscará respostas para o desafio regional e ecológico da região amazônica, que são agora de importância mundial, em vista das mudanças climáticas e das consequências da contínua destruição da floresta tropical.

Espera-se que um dos grupos que vai desempenhar um papel considerável na reunião especial do Sínodo, especialmente na sua preparação, seja a Repam (a Rede Eclesial Panamazônica). A rede foi criada em 2014 pelo Celam (o Conselho Episcopal Latino-Americano) para responder aos desafios enfrentados pelos povos da Amazônia e pelo seu ambiente natural.

Os bispos do Brasil e a Confederação Latino-Americana de Religiosos (CLAR) se juntaram ao Celam como cofundadores.

Dom Kräutler, que é membro da Repam, disse que tais redes são essenciais, porque a Igreja é incapaz de responder a desafios como os levantados pela região amazônica “com soluções autoritárias, de cima para baixo”. Ele acrescentou que o ensino da Igreja, a priori, não tem respostas prontas para todos os desafios. Por isso, o Papa Francisco quer envolver bispos com experiências de primeira mão sobre os problemas da região no processo de tomada de decisão.

Kräutler, que é religioso da Congregação dos Missionários do Precioso Sangue, foi um dos primeiros bispos católicos do mundo a anunciar a vontade do papa de ordenar padres casados.

Após um encontro com Francisco em abril de 2014, o bispo disse a um jornal austríaco:

“O papa explicou que não poderia assumir tudo em suas mãos pessoalmente em Roma. Nós, bispos locais, que conhecemos melhor as necessidades dos nossos fiéis, devemos ser ‘corajudos’, isto é, ‘corajosos’, em espanhol, e fazer sugestões concretas.”

Ele disse que Francisco lhe disse que “as Conferências Episcopais regionais e nacionais devem buscar e encontrar um consenso sobre a reforma, e, então, devemos apresentar as nossas sugestões de reforma em Roma”.

Eles terão essa oportunidade em outubro de 2019, na assembleia especial do Sínodo no Vaticano.

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