Amazônia, Ecologia para os últimos. Entrevista com Erwin Kräutler

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18 Junho 2015

Em meio século amazônico atravessou tantas cumeadas. No entanto, para dom Erwin Kräutler são três as datas específicas de sua experiência de homem e pastor. O dia 16 de outubro de 1987, quando um autokiller procurou matá-lo e, ao invés, assassinou o sacerdote que o acompanhava, o italiano Salvatore Deiana. Aos 15 de fevereiro de 2005, dia do homicídio a amiga e colaboradora, Irmã Dorothy Stang. No dia do último “giro de boia”, aos 29 de junho de 2006, recorda até a hora exata: “Eram as 22 h. Depois de ter celebrado a Eucaristia em Altamira, eu me pusera a trabalhar no estúdio. De improviso chegou o comandante da polícia junto com dois agentes – conta a Avvenire o bispo do Xingu -. E ele me comunicou que, por ordem da Secretaria dos direitos humanos da Presidência, eu era posto ‘sob proteção’.”

A reportagem é de Lucia Capuzzi, publicada por Avvenire, 17-06-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

A partir daquele momento, isto é, por causa das contínuas ameaças de morte, tornadas mais insistentes para a oposição no faraônico dique de Belo Monte, uma escolta teria acompanhado o presidente do Conselho indigenista missionário (Cimi) em qualquer deslocamento. “Perdi assim a liberdade de mover-me sozinho. Mas, de dizer e escrever o que penso em defesa dos povos da Amazônia e de sua floresta ninguém jamais poderá me impedir”.

Aos 76 anos Dom Erwin não perdeu a garra com que, em 1965, deixou a nativa Áustria pelas margens do impetuoso rio Xingu: a “casa de Deus”, como o chamam os nativos. Guiado por “uma misteriosa intuição” da qual “jamais me arrependi” – conta com tom cheio de paixão. O mesmo que transparece das páginas de Ouvi o grito da Amazônia’ (288 págs., 15 euros), a autobiografia de Kräutler recém-publicada na Itália pela Emi, aos cuidados do teólogo Paulo Suess, com prefácio de Leonardo Boff.

Muito mais do que uma coletânea de fatos interessantes, o livro percorre a recente história brasileira a partir de uma perspectiva inédita, aquela dos eternos invisíveis, os últimos veteranos de outra época e, como tais, considerados sacrificáveis em nome daquela fantasmagórica ideia de pro-gresso vendida a bom mercado por latifundistas e senhores do agronegócio.

A perspectiva dos índios.

A perspectiva é a mesma de dom Erwin que, há cinco décadas, vive ao seu lado, compartilhando seu empenho para salvar a floresta da fome insaciável de recursos das grandes sociedades hidroelétricas e mineradoras, da indústria da madeira, das monoculturas de soja e palma.  

“Vi a aflição do meu povo e ouvi o grito que lhes arrancam os seus opressores. São as palavras de Deus. Adonai, nosso Senhor, no Éxodo. Mas, com todo o respeito, eu posso pronunciar estas palavras porque encontrei um povo escravo”, escreve o bispo e missionário da Congregação do Preciosíssimo Sangue. Uma frase reveladora. Na raiz do empenho de Dom Erwin não se encontra um ideal ecologista, talvez um pouco fanático e obtuso, e sim a palavra de Deus. O Deus bíblico que, na concretude da história, toma posição a favor dos últimos. Sem esquecer, todavia, os primeiros: a estes o Senhor dirige uma exortação incessante para que se liberem da opressão do business a todo custo: também aquele da sobrevivência de povos inteiros e do próprio planeta. A luta pela defesa da Amazônia é, portanto, luta em defesa da vida: “O Papa Francisco já o disse numerosas vezes e agora tal temática será enfrentada de modo contundente na encíclica que será apresentada amanhã”, diz o bispo.

A enorme floresta de esmeralda encastoada no coração do continente latino-americano “não é só flora e fauna, embora maravilhosas. É a pátria de inúmeros povos que a habitam a milênios e agora estão ameaçados de morte, física e cultural. É a pátria das famílias que vivem ao longo das margens dos rios e lagos, dos quais retiram ‘o peixe cotidiano’. É também a ‘terra prometida’ dos milhares de migrantes vindos nas últimas décadas de todos os ângulos do Brasil em busca de oportunidades. Me tocou ser bispo destes povos e, como pastor, devo empenhar-me em defendê-los. Por isso luto pelo ambiente: não é só o ambiente no qual estes povos habitam. É a terra na qual, com a qual e da qual vivem”. E graças à qual vivemos também nós.

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