Católicos carismáticos chegam em Roma para semana cheia de Espírito Santo

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01 Junho 2017

Cerca de 30.000 cristãos carismáticos de 130 países estão na cidade para quatro dias de orações e liturgias e adoração de alto nível, além de oficinas, testemunhos, curas e uma série de invocações ao Espírito Santo. Os eventos terminarão em uma vigília no Circus Maximus com o Papa Francisco no sábado à noite e uma Missa de Pentecostes na Praça de São Pedro no domingo.

A reportagem é de Austen Ivereigh, publicada por Crux, 31-05-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Milhares de pessoas dos quatro cantos do globo estão correndo para Roma esta semana com grandes expectativas sobre o que chamam de "nova efusão do Espírito Santo" na festa de Pentecostes deste fim de semana.

Normalmente, isso não seria novidade. Mas este ano a Renovação Carismática Católica (CCR) está comemorando seu quinquagésimo Jubileu e, portanto, espera "graças especiais", como diz uma das organizadoras, Michelle Moran.

Cerca de 30.000 cristãos carismáticos de 130 países estão na cidade para quatro dias de orações e liturgias e adoração de alto nível, além de oficinas, testemunhos, curas e uma série de invocações ao Espírito Santo.

Os eventos terminarão em uma vigília no Circus Maximus com o Papa Francisco no sábado à noite e uma Missa de Pentecostes na Praça de São Pedro no domingo.

O Jubileu marca 50 anos do chamado "Fim de Semana de Duquesne", em que um grupo de professores e estudantes da universidade de Duquesne, 15 quilômetros ao norte de Pittsburgh, teve uma série de experiências de êxtase após um retiro de três dias sobre os Atos dos Apóstolos, com orações em línguas e curas.

De acordo com a escritora e palestrante Patti Gallagher Mansfield, de Nova Orleans, que estava presente no fim de semana de Duquesne, entende-se este "batismo no Espírito" como um fenômeno triplo: uma libertação das graças do batismo e da crisma que ficam dormentes devido à falta de fé e às "expectativas" das pessoas; uma nova vinda do Espírito para equipar a Igreja para uma nova missão e uma graça escatológica especial para unir cristãos de diferentes denominações.

A pedido de Francisco, que aponta para o nascimento ecumênico da CCR, cerca de 5.000 evangélicos e pentecostais que fazem parte das comunidades da CCR ao redor do mundo estarão presentes nas comemorações desta semana.

Em Duquesne o que havia sido um fenômeno exclusivamente pentecostal - aceito com dificuldade pelas Igrejas protestantes - começou a entrar na corrente sanguínea católica, espalhando-se rapidamente, apesar da oposição. E chegou ao Brasil, país com a mais forte presença carismática hoje (2 milhões de pessoas em 20 mil grupos de oração) apenas dois anos depois.

A Renovação Carismática Católica (CCR) afirma ter mais de 120 milhões de membros em 235 países atualmente, embora acompanhar os números não seja uma ciência exata, considerando a definição de carismático como aquele que foi "batizado no Espírito Santo" e mantém uma relação pessoal com Jesus Cristo.

Hoje em dia, em algumas partes da Igreja - acima de tudo no Brasil -, o culto carismático popularizou-se o ponto de se tornar indistinguível do culto católico comum.

Como quer que seja, em números a CCR é o mais significativo de todos os chamados "novos movimentos" - embora esse termo possa enganar. A CCR não é um movimento no sentido típico: não tem um fundador humano - os carismáticos dizem que seu fundador é o próprio Espírito Santo - e não é uma entidade única, mas uma rede global de comunidades livremente associadas e grupos de oração inspirados no carisma.

Como afirmariam seus primeiros defensores, principalmente o então arcebispo de Bruxelas, cardeal Leo Jozef Suenens, a Renovação não era tanto um movimento para as pessoas fazerem parte, mas um movimento que passou a fazer parte da Igreja.
Considerando a forte oposição da maioria dos bispos católicos na década de 1970, segundo os carismáticos a popularidade da CCR na vida católica comum hoje em dia evidencia a presença do Espírito Santo.

Entre os palestrantes dos eventos dos próximos dias estão alguns pioneiros, como Gallagher Mansfield e Ralph Martin, que estarão lembrando o caminho percorrido e exaltando o que foi alcançado.

Mas nos bastidores, é claro, a reunião desta semana também é uma oportunidade para Francisco ajudar a CCR na sua reforma - e incentivar o que pode se chamar de "renovação da Renovação". Ele certamente tem as credenciais para isso.

Ainda que outros papas também tenham dado forte apoio aos carismáticos, nenhum papa esteve tão perto da CCR quanto Francisco.

O padre Jorge Mario Bergoglio, SJ, deixou de ser um dos adversários da Renovação na década de 1970 - o então provincial argentino não gostava do seu estilo de oração, considerado por ele quase um samba, nem de seu elitismo espiritual e proibiu os jesuítas de se envolverem – e passou a apoiá-la fortemente como cardeal arcebispo de Buenos Aires.

Poucos meses antes do conclave de 2013, Francisco foi escolhido para ser assistente espiritual da CCR, ou capelão, pela conferência episcopal argentina.

Em uma reunião com carismáticos em junho de 2014, ele falou sobre como celebraria a missa para a CCR argentina na catedral e teria "alguns momentos de adoração em línguas" após a consagração.

Em resposta a uma pergunta feita por mim durante a conferência de imprensa em seu voo de volta da Suécia em outubro do ano passado, ele descreveu os 7.000 encontros ecumênicos no estádio Luna Park, em Buenos Aires, organizados pela Comunhão Renovada de Evangélicos e Católicos (CRECES) e como ele organizou os retiros espirituais conjuntos de 100 clérigos católicos e doze pastores pentecostais.

O carismático mais famoso da Igreja, o Padre Raniero Cantalamessa - Pregador da Casa Papal pelos últimos 34 anos - foi convidado a pregar em uma das missas e disse que a Igreja estava observando atentamente o que estava acontecendo na capital argentina.

Observando os discursos de Francisco aos grupos de Renovação depois da sua eleição (um em 2014 e dois em 2015), fica claro que ele quer ver a CCR voltar à visão original dos três famosos "documentos de Malines", elaborados pelo cardeal Suenens e o bispo brasileiro Helder Camara, principal expoente de uma "Igreja pobre, para os pobres".

Em 2014 Francisco usou os títulos desses documentos para lembrar a Renovação de que seu caminho era "evangelização, ecumenismo espiritual, cuidado com os pobres e necessitados e acolhimento aos marginalizados". Para marcar a última prioridade, na Vigília de sábado foram reservados lugares especiais para desabrigados de Roma.

A outra parte do convite de Francisco, para estar à frente da unidade cristã, também ficará evidente no sábado, quando ele compartilhará o palco com Cantalamessa e o pastor pentecostal Giovanni Traettino, a quem o o Papa fez uma visita confidencial em 2014 em Caserta para pedir desculpas pelo tratamento da Igreja Católica aos evangélicos no passado.
"Vocês, carismáticos, têm uma graça especial para orar e trabalhar pela unidade dos cristãos, para que a corrente de graça passe por todas as igrejas cristãs", disse ele em seu discurso de julho de 2015.

Francisco insiste que o mesmo Espírito Santo sopra em todas as Igrejas afetadas pela Renovação, criando unidade na diversidade, ou melhor, unidade através da diversidade. (Nem a divisão nem a uniformidade, na leitura de Francisco, é do Espírito Santo).
Como observou ontem Michelle Moran, presidente britânica de um dos dois órgãos que representam a Renovação no Vaticano, em um briefing para jornalistas, "podemos dizer juntos que Jesus é o Senhor e só podemos dizer isso por causa do Espírito Santo".

A opção pelo Circus Maximus - onde, no sábado, cerca de 300 líderes evangélicos e pentecostais estarão presentes na Vigília - reflete essa prioridade: em primeiro lugar, porque é uma alternativa neutra à Praça de São Pedro; em segundo, porque, por ser um lugar histórico relacionado ao martírio, oferece a Francisco a possibilidade de se referir ao "ecumenismo de sangue" dos mártires cristãos de hoje.

Mas, falando de unidade, uma das ironias da CCR é que, embora ela seja fruto do Espírito Santo, duas organizações rivais representam os carismáticos no Vaticano: assim como o ICCRS, predominantemente anglo-saxão, há a grande Fraternidade Católica Latino-americana de grupos de inspiração carismática.

Quando perguntei sobre isso ontem, tanto Moran quanto o presidente da Fraternidade Católica, o brasileiro Gilberto Gomes Barbosa, enfatizaram que as duas organizações eram fruto da história e que atualmente elas trabalham muito em conjunto.
Porém, Francisco é conhecido por considerar a divisão como algo escandaloso, que contradiz a ideia da renovação como uma única corrente de graça.

Ele pediu que os dois órgãos fossem "corresponsáveis" pela organização do Jubileu, para que trabalhassem em conjunto de maneira mais próxima. E depois que acabar o Jubileu, disse Moran à Crux ontem, eles vão pensar sobre como unir as duas organizações.

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