Comunidade católica brasileira lidera a escalada da renovação carismática

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09 Agosto 2014

Como um movimento em constante crescimento dentro da Igreja Católica, a Renovação Carismática conta com aproximadamente 160 milhões dos cerca de 1.2 bilhão de católicos romanos no mundo.

A reportagem é de Chris Kudialis, publicada pelo The Catholic World Report, 04-08-2014. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Enquanto muitos dos membros da Renovação Carismática estão espalhados nas diversas paróquias de 238 países nos quais o movimento existe, há um grupo – formado no Brasil – que está ajudando a aproximá-los.

Fundado em julho de 1982, a Comunidade Católica Shalom comemorou o seu 30º aniversário dois meses antes de ser confirmada como uma associação internacional privada de fiéis pelo Vaticano em 2012. Com mais de 110 centros comunitários em 20 países e 30 mil membros, o Shalom é um dos maiores movimentos da Renovação Carismática.

E apesar do crescimento impressionante do movimento, os seus fundadores e seus principais membros da comunidade dizem que os trabalhos de evangelização do Shalom estão apenas começando.

Fundação jovem

Em 1980, com 20 anos de idade, Moysés Azevedo teve a oportunidade de sua vida: a chance de representar a juventude da Arquidiocese de Fortaleza durante a visita do Papa João Paulo II à cidade.

Convidado pelo cardeal Aloísio Lorscheider, então arcebispo desta arquidiocese, Azevedo ficou com a tarefa de dar um presente ao Santo Padre durante o Ofertório da missa que seria realizada no estádio Castelão, em Fortaleza.

Feliz por ser o escolhido, Azevedo ficou também surpreso quando lhe disseram para escolher o presente do pontífice.

“[O cardeal Lorschieder] me disse: ‘Moysés, é você quem deve escolher’”, falou Azevedo.
“O que é que um jovem de vinte anos, como eu, pode dar de presente a um Papa?”

Avisado apenas 10 dias antes da visita em 9 de julho, Moysés Azevedo escreveu uma carta ao Papa João Paulo II, em que dedicava sua vida para a evangelização da juventude católica. Embora não tenha havia nenhum diálogo entre os dois, Azevedo disse que o encontro com o Santo Padre o inspirou a pôr seu plano em ação.

“Estou convencido de que, naquele momento, recebi uma graça especial”, disse ele, “uma graça de como evangelizar os jovens que não sabem sobre Cristo ou a Igreja”.

Exatamente dois anos depois, em 9 de julho de 1982, Azevedo e sua amiga Maria Emmir abriram o Centro Católico de Evangelização Shalom, em Fortaleza; era uma lanchonete onde os jovens católicos buscavam aconselhamento, ajuda e consolo espiritual. Com apenas 22 pessoas, Azevedo admite ter se surpreendido com o sucesso da noite de abertura do primeiro Centro de Evangelização.

“Nessa noite a casa estava lotada, com muitos jovens”, escreveu sobre experiência. “Os jovens que participaram na primeira noite trouxeram, depois, seus familiares, em seguida vieram os pobres. Havia uma verdadeira multidão”.

Embora nem Azevedo nem Emmir consigam se lembrar do número exato de jovens presentes na noite de 9 de julho, outro membro da comunidade chamado Cassiano Azevedo (sem relação com Moysés) estima que aproximadamente 100 pessoas estiveram presentes na noite de abertura do Shalom.

Crescimento e expansão

Na medida em que a sua comunidade crescia, Azevedo e Emmir começaram a incorporar grupos de oração e evangelização, convidando jovens e famílias de Fortaleza para se juntarem a eles. Três anos depois, em 1985, o Shalom estabeleceria as suas duas principais comunidades: a Comunidade de Aliança e a Comunidade de Vida, que envolveu membros consagrados que dedicam suas vidas à evangelização carismática católica.

Segundo se lê no site do movimento, a Comunidade de Aliança é formada por membros que desejam seguir a Jesus Cristo “em meio à vivência familiar e às atividades profissionais”. Seus membros foram chamados a ser “luz do mundo e sal da terra”.

Os membros da Comunidade de Aliança reúnem-se, atualmente, duas vezes por semana em “Células Comunitárias Shalom”, onde rezam, cultivam a vida fraterna e recebem formação segundo a Palavra de Deus, o Magistério da Igreja e o Carisma Shalom – que envolve falar em línguas.

“Isso é importante porque abre nossos olhos aos outros e nossos corações ao Espírito Santo”, diz Cassiano Azevedo, 50, sobre falar em línguas. “Esta prática nos dá força para trazermos amor e esperança”.

A Comunidade de Vida exige uma “dedicação plena a Deus e ao serviço de Sua Vinha”. Os participantes são desafiados a abandonar as ambições mundanas em troca de um modelo das primeiras comunidades cristãs, onde as necessidades eram partilhadas e todos os bens materiais, projetos e planos pessoais eram renunciados.

Hoje, os missionários da Comunidade de Vida vivem em casas comunitárias e realizam o trabalho missionário segundo as necessidades da Igreja Católica e do discernimento de suas respectivas comunidades Shalom.

“O nosso espectro é amplo”, explica Emmir, participante da Comunidade de Vida. “Na evangelização, trabalhamos em tempo integral”.

Em 1998, a presença do Shalom em Fortaleza chegou a quase 1 mil membros. O cardeal Claudio Hummes, então arcebispo de Fortaleza, assinou um decreto canônico reconhecendo, legalmente em nível diocesano, o Shalom.

“É claro que ficamos surpresos com a rapidez que estávamos crescendo”, diz Emmir. “Não esperávamos isso. Acho que, no início, ninguém imaginou que esse crescimento iria acontecer”.
Em 2007, o Reconhecimento Pontifício foi decretado pelo Pontifício Conselho para os Leigos, e em 22 de fevereiro de 2012 o Vaticano confirmou a Comunidade Católica Shalom como uma associação privada internacional de fiéis, aprovando definitivamente seus estatutos.

“Receber a aprovação do Vaticano foi, com certeza, a nossa maior realização”, falou Emmir. “É o que nos dá mais orgulho e é o que tem nos ajudado a alcançar mais e mais pessoas”.

Entre as regiões em que o movimento deseja crescer, Emmir especifica a Austrália, a Ásia e a África como as principais prioridades para se estabelecer Centros de Evangelização Shalom. Ainda que a comunidade tenha aberto um centro de evangelização nos Estados Unidos em 2012, Emmir disse que também espera um maior crescimento dos centros nesta região.

“Gostaríamos de estar presente, em grande número, nos cinco continentes”, disse. “Onde quer que algum bispo ou padre nos chame, nós vamos. Realmente queremos aí estar”.

Shalom, JMJ e Halleluya

Em 2013, mais de mil membros de centros Shalom participaram, como peregrinos e voluntários, na celebração do Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.

Embora as viagens ao Rio de Janeiro, o tempo que passaram na cidade e as responsabilidades tanto como peregrinos quanto como voluntários variem muito entre os jovens do Shalom que foram à JMJ, quase todos os participantes entrevistados compartilham um grande apreço pela simplicidade do Santo Padre.

“Especialmente quando ele foi a uma favela falar com os moradores”, diz o paulistano Lucas Justo, de 22 anos, membro de uma Comunidade de Vida Shalom e peregrino na Jornada Mundial da Juventude. “Essa iniciativa foi muito corajosa”.

“Ele nos deu uma imensa alegria”, acrescenta a carioca Lúcia da Silva, de 24 anos. “A sua felicidade é radiante, não só no nome Francisco, mas em sua homilia e no amor aos pobres”.

Além da JMJ, o Shalom comemora o seu próprio congresso anual de jovens católicos em Fortaleza. No ano passado, o evento, que durou cinco dias, reuniu mais de 500 mil jovens Shalom de todo o mundo.

“Incrível”, diz Cassiano Azevedo sobre o Halleluya. “Em nenhuma outra parte do mundo há uma outra celebração como essa”.

Acima de tudo, apesar de seu status de Igreja Católica carismática, os membros dos centros Shalom enfatizam a obediência e o compromisso do movimento com suas arquidioceses locais.

“Sempre somos chamados a cooperar junto de nossas arquidioceses”, diz Aldemir Neto, 18, da cidade de Natal. “Não somos um movimento separado, não somos outra igreja ou religião. Somos parte da Igreja Católica”.

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