Opositores continuam guerra subterrânea contra o papa. Mas Bergoglio permanece impassível

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20 Abril 2017

A longa marcha da oposição ao Papa Francisco marca outra etapa. Para o próximo sábado, 22 de abril, está agendada em Roma (em um salão do Hotel Columbus, a poucos passos do Vaticano) uma reunião dos defensores do matrimônio indissolúvel. Ou, melhor, uma reunião daqueles que atacam a linha de Francisco expressada na Amoris laetitia: o documento pós-sinodal que abre o caminho – sob certas condições – para a comunhão dos divorciados em segunda união.

A reportagem é de Marco Politi, publicada por Il Fatto Quotidiano, 19-04-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Se alguns, na comitiva papal, ainda se iludem que fingir que nada está acontecendo pode amortecer a guerra subterrânea, conduzida pela oposição anti-Bergoglio contra a linha reformadora do atual pontificado, é melhor abandonar a ideia. Os anti-Bergoglio, assim como no seu tempo o Tea Party Movement contra Obama, não deporão as armas enquanto, no trono papal, não estiver sentado um novo pontífice. O objetivo é deslegitimar Francisco sistematicamente.

“Criar clareza” é o título do congresso. É o mesmo slogan que quatro cardeais (Brandmüller, Burke, Caffarra e Meisner) brandiram em uma carta enviada em setembro passado ao papa e que foi tornada pública em novembro passado, com a qual o convidavam a esclarecer uma série de “dúvidas” teológicas. “Temos observado a desorientação de muitos fiéis e a confusão em que se encontram, relativamente a questões de grande importância para a vida da Igreja. Temos notado também que inclusive no seio do colégio episcopal se fazem interpretações contrastantes do capítulo oitavo da Amoris laetitia”, escreveram os quatro purpurados dissidentes. Por isso, acrescentaram, “foi necessário dirigir-se ao papa. Ele não respondeu...”.

E, sobre essa base, invocando a proclamada contraposição entre as aberturas de Francisco e a tradição doutrinal, para a qual nunca e jamais pode-se dar a comunhão a quem se divorcia e se casa pela segunda vez (porque, dizem, seria como sancionar o adultério), a oposição continuará martelando. É uma guerra religiosa em que não se preveem compromissos.

Por outro lado, não há dúvida de que, entre a posição de João Paulo II, totalmente intransigente sobre esse ponto, e a atitude pastoral de Francisco, a diferença é clara. O Papa Ratzinger, que também quisera abordar o assunto como teólogo, conhecendo a sua necessidade, não conseguiu se decidir, embora tendo na gaveta vários esboços para resolver a questão da validade dos matrimônios. Era forte demais o chamado a não tocar na questão da indissolubilidade do matrimônio católico.

Entre o passado de condenação irremovível e o presente de compreensão pastoral, a contradição existe. É inútil negar.

Já logo depois da promulgação da exortação apostólica Amoris laetitia, o conflito eclodira. Quarenta e cinco sacerdotes e professores de teologia (prudentemente anônimos) haviam publicado, em julho de 2016, um carta endereçada ao decano do Colégio Cardinalício, o cardeal Sodano, para solicitar uma intervenção do Sacro Colégio para que o Papa Francisco “corrigisse os erros” do seu documento.

Tinha-se seguido a escalada da carta dos quatro cardeais. O cardeal estadunidense Burke, ex-presidente do Tribunal da Signatura Apostólica (o Supremo Tribunal vaticano), havia até sugerido, em uma entrevista, a possibilidade para a Igreja de “corrigir o Romano Pontífice”.

O congresso “Criar clareza” do dia 22 de abril serve para manter Francisco sob pressão. O escritório de imprensa do congresso nega categoricamente que a reunião queira ser um gesto de “revolta ou um ato de deslealdade” contra Francisco. Trata-se, em vez disso, segundo os organizadores, de manifestar “fidelidade a uma doutrina social bimilenar, que alguns gostariam de derrubar com a intenção de ‘modernizar’ a abordagem da Igreja ao mundo”.

Palavras muito claras. “Isso seria – acrescentam – um rendimento que condenaria o catolicismo à irrelevância. Nós não concordamos com isso”. Com isso, a estratégia dos rebeldes anti-Bergoglio parece ser evidente. Sacra Tradição contra a perniciosa Modernização.

Os organizadores da iniciativa são duas mídias da área tradicionalista: o jornal online La Nuova Bussola Quotidiana e a publicação apologética mensal Il Timone. Os mesmos que, na véspera do Sínodo sobre a Família de outubro de 2015, convocaram em Roma um simpósio internacional “em defesa do perene Magistério da Igreja”, com a participação ativa dos cardeais Burke e Caffarra.

Desta vez, espera-se uma presença de expoentes leigos de várias nações. Entre os italianos, o ex-presidente do Senado, Marcello Pera, de acordo com o qual, na Igreja Católica atual, “percebem-se consideráveis ruídos, derivados do fato de querer se conciliar com a crescente maré laicista”. Um ato de acusação nem tão velado.

Diante da elevação da maré de oposição, Francisco continua impassível. Durante a sua visita a Carpi, no dia 2 de abril, ele abraçou ostensivamente o cardeal Caffarra, um dos autores da carta com as “dúvidas” dirigidas ao papa. Mais cedo, em uma entrevista muito articulada ao jornal Il Foglio, o cardeal ex-arcebispo de Bolonha tinha proferido: “Só um cego pode negar (...) que, na Igreja, existe uma grande confusão, incerteza, insegurança causadas por alguns parágrafos da Amoris laetitia”.

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