Papa visita o Egito

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17 Abril 2017

No final deste mês, o Papa Francisco visitará o papa da igreja Ortodoxa Copta Teodoro II, cuja comunidade sofreu dois bombardeios terríveis no domingo de ramos. Francisco também visitará autoridades egípcias, a comunidade católica e líderes muçulmanos durante sua curta estada. Ele chega às 14h (horário egípcio) em 28 de abril e parte 29 horas depois.

O artigo é de Thomas Reese, jornalista e jesuíta, publicado por National Catholic Reporter, 13-04-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

A Igreja Ortodoxa Copta existe no Egito há séculos e compreende cerca de 10% da população. Seu líder é chamado de "papa", que é a palavra derivada do latim e do grego para "pai", um título usado para bispos e até mesmo sacerdotes antes do século IV. Os coptas têm sofrido hostilidade e perseguição, bem como períodos de calma e paz com seus vizinhos.

Recentemente, com o surgimento do radicalismo islâmico, a comunidade copta viveu sua própria Via Crucis. As igrejas foram atacadas e queimadas por multidões; pessoas, famílias e comunidades estão na mira; e os coptas foram espancados e mortos. As coisas estão muito ruins nas áreas rurais, onde equipes de segurança estão fazendo vista grossa.

A comunidade copta sentiu-se especialmente sitiada durante a presidência de Mohamed Morsi, eleito em 2012, depois da "Primavera Árabe". Em 2013, extremistas destruíram dezenas de igrejas no Alto Egito e no Sinai do Norte.

Consequentemente, os coptas, juntamente com muitos egípcios, foram fortes partidários do golpe militar que colocou Abdel Fattah el-Sisi no poder. Teodoro demonstrou seu apoio a Sisi publicamente. Os coptas viram Sisi como o braço forte que manteria extremistas na linha e traria estabilidade novamente.

Sisi restaurou a ordem com vingança, colocando mais de 30.000-40.000 pessoas na cadeia, o que parece ter sido contraproducente. O apoio à Irmandade Muçulmana, que era de 26% antes do golpe, cresceu para 40%, atualmente. O regime de Sisi também foi fortemente condenado por todos os grupos de direitos humanos. Em consequência, alguns questionaram o apoio de Teodoro a Sisi assim como a vontade de Francisco de visitar o Egito.

Surpreendentemente, embora a situação dos direitos humanos no Egito tenha se deteriorado bastante durante o mandato de Sisi, as condições de liberdade religiosa melhoraram. (Embora eu seja o presidente da Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional, as opiniões expressas aqui não refletem necessariamente os pontos de vista da comissão.).

Sisi fez vários esforços para condenar os ataques sectários e agora há menos processos por blasfêmia do que antes. Ele demonstrou sua gratidão pelo apoio dos coptas ao comparecer à Missa de Natal do Papa por três anos seguidos. E restaurou ou reconstruiu mais de 50 igrejas destruídas pela violência sectária em 2013. O governo egípcio chegou a prender, processar e punir os pessoas ligadas aos ataques contra cristãos.

Os extremistas islâmicos responderam aumentando seus ataques contra os cristãos coptas, o que alimenta sua falsa narrativa de uma guerra entre muçulmanos e cristãos e também fornece um alvo fácil para envergonhar Sisi, mostrando sua impotência para proteger os cristãos, como ele prometeu. As pessoas por trás destes ataques também esperam ganhar atenção da mídia na Europa e nos EUA, prejudicando a reputação do Egito e a indústria do turismo.

Esses ataques tiveram como consequência a expulsão de milhares de coptas do Sinai pela versão egípcia do famoso Estado Islâmico. No Domingo de Ramos, uma bomba explodiu dentro de uma igreja copta em Tanta, a 80 quilômetros ao norte do Cairo, matando pelo menos 44 fiéis. Mais tarde, em Alexandria, outro atentado suicida detonou uma bomba em frente à catedral, onde Teodoro celebrava a liturgia do Domingo de Ramos.

Os atentados foram condenados por Sisi e pelo sheik Ahmed el-Tayeb, grande imã da Universidade Al-Azhar, que os classificou como "atentados terroristas desprezíveis que atacaram a vida de inocentes".

Estes dois bombardeios mostram a situação de desigualdade de segurança para os coptas no Egito. Em Alexandria, medidas de segurança flagraram o homem-bomba fora da igreja, onde ele foi forçado a passar por um detector de metais. A equipe de segurança foi morta juntamente com os coptas que estavam na fila aguardando para entrar na igreja. Poderia ter sido muito pior se não fosse o guarda cuidadoso que impediu o homem de entrar na igreja.

Mas em Tanta as medidas de segurança parecem ter sido relapsas, apesar de uma bomba ter sido encontrada e desarmada perto da igreja no início deste mês. O homem-bomba entrou na igreja, detonou seu colete e matou muitas pessoas. Sisi afastou o general encarregado da segurança na área.

Se eu fosse responsável pela segurança de Francisco, estaria muito nervoso com a sua ida ao Egito. Mas o Papa quer demonstrar seu apoio às comunidades católica e copta de lá. Ele terá a difícil tarefa de reconhecer o aumento da liberdade religiosa no Egito sem ignorar as horrendas violações dos direitos humanos.

Ainda assim, o Egito é um lugar importante na agenda ecumênica e inter-religiosa de Francisco. Visitar o papa copta mostrará seu apoio a esta comunidade cristã sitiada. Seu encontro com o grande imã Al-Azhar será mais um passo em sua jornada de reconciliação entre cristãos e muçulmanos.

Oremos para que ele seja bem-sucedido.

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