Papa visitará o Egito nos dias 28 e 29 de abril

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20 Março 2017

Após várias reportagens publicadas na imprensa, o Vaticano confirmou que o Papa Francisco visitará o Egito nos dias 28 e 29 de abril, com uma estada na Universidade e Mesquita de Al-Azhar, considerada o principal centro de aprendizagem do mundo islâmico sunita. O foco estará voltado à campanha contra a violência religiosa.

A informação é publicada por Crux, 18-03-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Após várias reportagens publicadas na imprensa, o Vaticano confirmou neste sábado, 18 de março, que o Papa Francisco irá visitar o Egito na última semana de abril, fazendo-se presente na Universidade e Mesquita de Al-Azhar, no Cairo, amplamente considerada o mais significativo centro de aprendizagem do mundo muçulmano sunita.

O jornalista americano Greg Burke, porta-voz do Vaticano, confirmou as datas da viagem via comunicado emitido no sábado.

“Acolhendo o convite do Presidente da República, dos Bispos da Igreja Católica, de Sua Santidade, Papa Tawadros II e do Grande Imã da Mesquita de Al Azhar, Chekh Ahmed Mohamed el-Tayyib, o Papa Francisco realizará uma Viagem Apostólica à República Árabe do Egito nos dias 28 e 29 do próximo mês de abril deste ano. Francisco visitará a cidade do Cairo”, lê-se.

“O programa da viagem será publicado proximamente”, conclui a nota.

Esta visita apoia-se numa renovada relação entre o Vaticano e a Al-Azhar, já que só recentemente as duas instituições firmaram parceria para combater a violência religiosa. Em fevereiro, a mais alta autoridade vaticana para assuntos inter-religiosos, o cardeal francês Jean-Louis Tauran, participou de um seminário especial sobre o assunto na Al-Azhar.

Francisco será o segundo papa a visitar esta instituição de ensino, depois de João Paulo II em 2000.

Em 2016, o Grande Imã da Al-Azhar, Ahmad Al Tayyb, visitou o Papa Francisco no Vaticano, o que ajudou a pavimentar o caminho para a viagem de abril do pontífice. A visita ao país será breve, de apenas dois dias.

Em recente entrevista a um jornal alemão, o papa sugeriu a possibilidade de uma viagem ao Egito, mas não deu mais detalhes relativos à data ou ao programa.

Estes desdobramentos marcam uma mudança significativa nas relações entre o Vaticano e a Al-Azhar, que ficaram tensas quando, em 2011, o Papa Bento XVI usou o seu discurso de Ano Novo para denunciar um ataque contra uma catedral cristã copta, em Alexandria, que deixou 23 mortos.

Autoridades egípcias objetaram dizendo que o pontífice estava interferindo nos assuntos internos do país, e a Al-Azhar, que tradicionalmente é próxima do governo egípcio, anunciou uma suspensão do diálogo com o Vaticano que durou cinco anos.

Durante o tempo em que estiver no Egito, Francisco deverá se encontrar com Papa Tawadros II, patriarca da Igreja Copta Ortodoxa, que, de longe, é a maior comunidade cristã do Egito e, também, do Oriente Médio.

Nos últimos anos, os coptas vêm sendo alvo de ataques liderados por militantes islâmicos. Eles também se queixam de uma forma crônica de cidadania “de segunda classe”, que inclui uma negligência da polícia e outros serviços de segurança, num país de maioria muçulmana.

Esta viagem apostólica ao Egito pode não ser o último gesto do pontífice aos muçulmanos em 2017, já que ele deverá visitar a Mesquita de Roma em algum momento ainda este ano.

“Estamos esperando por ele”, disse recentemente Abdellah Redouane, diretor do centro cultural da mesquita, ao jornal italiano Il Messaggero.

A Mesquita de Roma foi construída durante as décadas de 1980 e 1980. Inicialmente, em alguns círculos italianos houve oposição ao projeto, mas ele seguiu adiante depois que São João Paulo II deu a sua bênção. João Paulo tornou-se o primeiro papa a entrar em uma mesquita islâmica em Damasco, na Síria, em 2001, mas Francisco pode vir a ser o primeiro a visitar a Mesquita de Roma.

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