Especialistas anti-abusos acolhem com entusiasmo a nomeação de O’Malley para a Congregação para a Doutrina da Fé

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17 Janeiro 2017

“Se queres mandar um sinal de que levas algo a sério e que a tua reforma é séria, queres o cardeal O’Malley envolvido nisso”. Dessa maneira John L. Allen, jornalista, reagiu à nomeação do arcebispo de Boston para a Congregação para a Doutrina da Fé: nomeação que foi acolhida como mais uma demonstração da determinação do Papa Francisco de erradicar de uma vez por todas os abusos na Igreja.

A reportagem é de Cameron Doody,  publicada por Religión Digital, 16-01-2017. A tradução é de André Langer.

“Esta nomeação é outra confirmação de que ele (O’Malley) é a referência deste Papa, e da Igreja inteira, na luta contra os abusos sexuais infantis”, declarou Allen a uma rádio local de Boston no último domingo.

A nomeação do cardeal, efetuada no último sábado pelo Pontífice, cria pela primeira vez um vínculo direto entre a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores – organismo do qual O’Malley é presidente – e a Congregação para a Doutrina da Fé, instituição encarregada do processamento dos padres abusadores e dos bispos que acobertam seus crimes.

Quando o Papa Francisco criou a comissão anti-abusos, em março de 2014, encarregou-lhe duas missões especiais. Uma: propor diretamente a ele “as iniciativas mais adequadas para a proteção dos menores e adultos vulneráveis, assim como realizar todo o possível para assegurar que crimes como os acontecidos já não se repitam na Igreja”. Dois: promover, junto com a Congregação para a Doutrina da Fé, “a responsabilidade das Igrejas particulares para a proteção de todos os menores e adultos vulneráveis”.

Francisco também reiterou recentemente, em 02 de janeiro passado, o compromisso da Igreja inteira “para que estas atrocidades não voltem a acontecer entre nós”. “Tomemos a coragem necessária para implementar todas as medidas necessárias e proteger em tudo a vida de nossas crianças, para que tais crimes não se repitam mais”, escreveu o Pontífice a todos os bispos do mundo. “Assumamos clara e lealmente a consigna ‘tolerância zero’ neste assunto”.

Agora, após criar-se este vínculo direto entre a Comissão e a Congregação na pessoa de O’Malley, nasceram novas esperança de que o Papa, por fim, poderá acabar com a cultura do silêncio e do acobertamento de abusos – na cúria romana e mundo afora – que tanto dano infringiu tanto às vítimas como à Igreja em geral.

A nomeação do arcebispo de Boston dará um novo impulso ao sonho do pontífice de criar um tribunal especial na Congregação para a Doutrina da Fé para julgar bispos por “abuso de poder, omissões ou acobertamentos” na sua gestão de casos de abusos: proposta a que determinadas figuras da cúria se opuseram de forma resoluta. O cardeal O’Malley, não obstante, apoia a proposição de forma incondicional, como declarou mediante um comunicado da comissão anti-abusos em fevereiro do ano passado.

No que se refere aos abusos, disse o cardeal naquela ocasião, “nossas obrigações, em virtude da lei civil, devem ser, sem dúvida, respeitadas. Mas, além destes requisitos, temos toda a responsabilidade moral e ética de comunicar o suposto abuso às autoridades civis que têm a tarefa de proteger a nossa sociedade”.

“A notícia de que o cardeal O’Malley foi nomeado membro da Congregação e da nossa Comissão é maravilhosa”, disse, no sábado, à Crux, monsenhor Robert Oliver, membro da cúria de Boston e também secretário da comissão anti-abusos. “Durante mais de 20 anos, ele foi um líder mundial na hora de promover e salvaguardar a doutrina da Igreja sobre a fé a moral”.

“Com sua incomparável experiência na missão de proteger os menores e adultos vulneráveis, o cardeal Sean certamente realizará uma contribuição importante para o trabalho da Congregação”, anunciou Oliver.

Lussuria (Luxúria) – um novo livro que chegará às livrarias (italianas) nesta quinta-feira – dá conta das dificuldades da tarefa que o Papa Francisco assumiu ao querer extirpar o câncer dos abusos do seio do catolicismo.

Seu autor, Emiliano Fittipaldi – jornalista italiano conhecido por seu papel no escândalo do Vatileaks –, explicou em uma entrevista para o The Guardian publicada nesta segunda-feira que seu livro gira em torno precisamente deste tema: o da cultura do obscurantismo que cerca a questão das agressões cometidas por religiosos.

“A mensagem principal do livro, o problema, é que não se luta contra a pedofilia com a força suficiente”, comentou Fittipaldi ao jornal britânico: “Ao redor do mundo, a Igreja continua protegendo a privacidade dos pedófilos e também dos cardeais que os protegem”.

Em relação ao Papa, o jornalista quis assinalar que, na sua opinião, “Francisco não defende diretamente os pedófilos, mas não fez quase nada para enfrentar o fenômeno”. Acusação que é um pouco vazia após comprovar os números em que o jornalista se apoia. Este Pontífice não apenas ditou as pautas para julgar bispos negligentes – contundência com os abusadores que o levou inclusive a ordenar a prisão do ex-núncio na República Dominicana, Josef Wesolowski, por suposta pederastia –, mas, na realidade, a Igreja mundial experimentou uma queda nos casos de abusos desde que Francisco chegou à cátedra de São Pedro.

Concretamente, nos três anos do papado de Francisco são 1.200 os novos casos de supostos pederastas que foram remetidos à Congregação para a Doutrina da Fé em Roma: um número que beira a quantia que chegou nos dois últimos anos de seu predecessor, Bento XVI.

Pelo contrário, os verdadeiros culpados pelo fenômeno que Fittipaldi assinala em seu livro são os tabus que ainda cercam o tema, e especialmente a recusa em criticar a Igreja que ainda persiste nas sociedades tradicionalmente católicas.

“Em todos os países católicos, na Itália, Espanha, América Latina, os crimes sexuais de sacerdotes são difíceis de denunciar”, comentou o jornalista. “Há uma espécie de autocensura por parte de jornalistas e vítimas devido à vergonha e porque a influência da Igreja é muito forte”.

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