A morte de Wesolowski põe fim ao primeiro julgamento do Vaticano por pederastia

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Por: André | 01 Setembro 2015

O ex-núncio na República Dominicana, o polonês Jozef Wesolowski, acusado de pederastia, faleceu na madrugada da última sexta-feira, dia 28 de agosto, pondo fim de forma abrupta ao primeiro julgamento no Vaticano por abuso sexual contra menores.

A reportagem é de José Manuel Vidal e publicada por Religión Digital, 29-08-2015. A tradução é de André Langer.

“Esta semana, ao amanhecer, dom Jozef Wesolowski foi encontrado morto em seu domicílio no Vaticano”, anunciou a Santa Sé em um comunicado no qual falou de “causas naturais” e indicou que será realizada uma autópsia durante a sexta-feira.

O diplomata, de 67 anos, que foi embaixador da Santa Sé em Santo Domingo, sofria de problemas de saúde não especificados.

“Um franciscano do Colégio do Penitenciário encontrou-o morto na frente da televisão ligada às 5h”, assegurou Ciro Benedittini, vice-diretor da Oficina de Imprensa do Vaticano.

Wesolowski foi hospitalizado em julho passado, um dia antes da abertura do processo movido contra ele.

Na época, suspeitou-se de uma tentativa de suicídio, já que fontes não oficiais do hospital romano Gemelli, onde estava internado, asseguraram à imprensa italiana que havia sido hospitalizado após ter ingerido uma mistura de medicamentos e álcool.

Wesolowski não apareceu em público desde a publicação na imprensa de informações segundo as quais teria tido relações sexuais pagas com menores de um bairro de Santo Domingo.

A Congregação para a Doutrina da Fé julgou-o e puniu-o por estes atos em junho de 2014, e o condenou a voltar ao estado laico, a pena máxima para um prelado.

Mas o Papa Francisco também ordenou um julgamento penal, uma primícia no Vaticano, em decorrência do que Wesolowski foi detido e posto sob prisão domiciliar em setembro de 2014, à espera do julgamento.

Em dezembro, obteve uma maior liberdade de movimento no interior do Estado vaticano por motivos de saúde. No dia 10 de julho, foi submetido a cuidados intensivos em Roma devido a uma piora em seu estado de saúde.

Um dia depois, teve início o seu julgamento no tribunal do Vaticano.

Julgado por atos de pederastia com adolescentes de entre 13 e 16 anos em Santo Domingo e por posse e acobertamento de “uma grande quantidade” de fotografias de conteúdo pedopornográfico descarregados da internet na Santa Sé, aguardava uma pena que podia variar de entre seis e sete anos de prisão, sem contar com possíveis circunstâncias agravantes.

Segundo o portal da internet do Vatican Insider do jornal La Stampa, Wesolowski abandonou o hospital no dia 17 de julho e voltou para sua pequena moradia no Palácio da Justiça do Vaticano.

Desta maneira, aquele que seria um julgamento simbólico terá durado apenas sete minutos: o tempo que demorou, no dia 11 de julho, para ler as acusações que havia contra ele, constatar a ausência do acusado e postergar a audiência de forma indefinida.

O processo teria ilustrado a linha mais dura do Vaticano para enfrentar o flagelo dos abusos pedófilos, principalmente nos anos 1960-1980. As revelações a respeito nos últimos 15 anos desacreditaram a Igreja.

A Santa Sé anunciou em junho a criação de uma nova instância eclesiástica para sancionar os bispos culpados de negligência – a saber, de cumplicidade – com os padres sob sua autoridade.

Além disso, uma comissão de especialistas internacionais ajuda desde há um ano o papa a encontrar meios para evitar os abusos pederastas.

As associações de vítimas, não obstante, reprovam a Igreja porque não vai suficientemente fundo na questão.

Wesolowski chegou como núncio em 2008 à República Dominicana, onde a imprensa local o acusou, no verão de 2013, de ter pago dinheiro para ter relações sexuais com menores.

Em agosto deste ano foi chamado em segredo pelo Vaticano, que rechaçou sua extradição para a Polônia em janeiro.

A reação na República Dominicana

A promotora dominicana Yeni Berenice Reynoso disse, no sábado, que a morte do ex-núncio nesse país, o polonês Jozef Wesolowski, que era réu em um processo no Tribunal Vaticano por delitos de pederastia em território dominicano, é “injusta” para as vítimas, todas menores de idade.

“Sempre me perguntei por que o julgamento de Wesolowski foi deixado sem data no dia da suspensão e depois de sair do hospital”, escreveu no seu Twitter a promotora do Distrito Federal.

Em um comunicado do Vaticano foi informado no sábado que o ex-núncio, de 67 anos, foi encontrado sem vida na casa em que viva e especifica que as autoridades vaticanas certificaram que a morte se deu por “causas naturais”.

O promotor de Justiça ordenou que fosse feita uma autópsia no sábado mesmo, cujos resultados serão comunicados o quanto antes, acrescentou a nota.

Em declarações à imprensa, o vice-diretor da Sala de Imprensa do Vaticano, Ciro Benedittini, explicou que o ex-diplomata vaticano foi encontrado morto às 5h, hora local, sentado diante da televisão ligada, por um franciscano que mora no Colégio dos Penitenciários, que se encontra nos jardins vaticanos, e onde se encontrava à espera do julgamento.

Wesolowski não se apresentou ao julgamento no Vaticano em 11 de julho passado alegando que tinha sido hospitalizado em um hospital público de Roma.

Reynoso disse então que Wesolowski, acusado de cinco delitos por suposta pederastia cometidos no país caribenho, utilizará “o recorrido” argumento de problemas de saúde para tentar fugir da justiça.

O ex-núncio foi submetido à prisão domiciliar em uma decisão sem precedentes do Papa Francisco em setembro passado, com a finalidade de evitar “a contaminação de provas” e sua possível fuga.

O Vaticano destituiu Wesolowski de seu cargo no final de agosto do ano passado e abriu uma sindicância, depois que o arcebispo de Santo Domingo, o cardeal Nicolás López Rodríguez, informara o Papa Francisco sobre as acusações que recaíam sobre o núncio.

O escândalo foi descoberto em 2013 por uma reportagem do programa de investigação da jornalista dominicana Nuria Piera, transmitido pelos canais de televisão 9 e 37 da República Dominicana, no qual se assegurava que Wesolowski supostamente pagava para manter relações sexuais com menores no país.

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