Ex-arcebispo de Canterbury admite merecer críticas por acobertar pedofilia

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25 Outubro 2016

Lord Carey, ex-arcebispo anglicano de Canterbury, admitiu que merece ser criticado pelo apoio que deu no passado a um bispo condenado por assédio sexual, no momento em que sai a notícia de que o seu filho, um sacerdote, foi preso por abuso sexual infantil.

A reportagem é de Robert Mendick, publicada por The Telegraph, 22-10-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O arcebispo aposentado foi advertido de que pode esperar enfrentar “críticas explícitas” com base nas alegações de que as atividades criminosas de Peter Ball, então bispo de Gloucester, foram acobertadas pela Igreja da Inglaterra.

Lord Carey, que era amigo de Ball, hoje tem a sua própria equipe de advogados paga pela Igreja da Inglaterra para representá-lo pessoalmente numa investigação nacional sobre casos de pedofilia.

Lord Carey estava usando os advogados da igreja, mas no mês passado pediu para ter uma equipe própria após preocupações de um “conflito” de interesses da instituição religiosa e as de seu ex-líder. Uma fonte próxima a Lord Carey afirmou que ele aceitou que fosse criticado pela maneira como lidou com as acusações contra Ball.

“Ele sabe que vai ser criticado e sabe que será criticado com razão”, disse uma fonte próxima a Lord Carey.

“Claramente a igreja não lidou bem com o caso, e Lord Carey foi ingênuo ao confiar em Peter Ball”, disse e a fonte. “O reconhecimento agora é que ele não estava fazendo a é o dever de um cristão diante das vítimas de Ball. Ele aceita que não cumpriu com os deveres pastorais junto a essas pessoas”.

Em um caso em separado, o seu filho, o Rev. Mark Carey, foi preso esta semana em sua casa em Harrogate, em Yorkshire do Norte, sob a suspeita de abuso sexual infantil cometido no passado. A sua suposta vítima, hoje na faixa dos 30 anos, afirma que foi assediada quando o Rev. Carey se estava no fim da adolescência.

Hoje com 51 anos e pai de três, o reverendo foi ordenado em 1995 na Catedral de Wakefield. Atualmente encontra-se suspenso de suas funções eclesiásticas pela Igreja da Inglaterra.

O seu irmão Andrew, que trabalha na ONG cristã Barnabus Fund, disse ao Sunday Telegraph que a família não iria comentar as acusações contra o reverendo.

Um porta-voz da polícia de Durham disse: “Um homem de 51 anos foi preso na quarta-feira sob suspeita de delitos sexuais no passado. Ele pagou fiança e aguarda investigação”.

Um porta-voz da Igreja da Inglaterra falou: “Um padre de 51 anos na Diocese de Leeds foi suspenso pelo bispo após ser levado pela polícia local com base em acusações de abusos sexuais no passado. Foi posta em prática uma logística pastoral e de salvaguarda”.

Lord Carey, que nega qualquer envolvimento no caso de Ball, ganhou o status de “participação nuclear” pelo departamento que investiga casos de pedofilia na Inglaterra, capacitando-o a ter a sua própria equipe jurídica e acesso pessoal a materiais submetidos ao inquérito.

Dias atrás, a Igreja da Inglaterra insistiu que as relações com Lord Carey permaneciam amigáveis e negou qualquer indício de que o ex-arcebispo estaria sendo posto à deriva.

Ball, hoje com 84 anos, que também foi bispo de Lewes, foi preso em outubro passado por assédio e conduta imprópria no ofício público após admitir o abuso de 18 jovens entre 1977 e 1992.

Ball foi condenado por assédio em 1992, mas recebeu apenas uma advertência e pôde continuar trabalhando na igreja e em escolas por outros quinze anos.

Lord Carey interveio no caso, telefonando ao diretor de investigações e supostamente tendo dito: “O assunto está encerrado”.

Lord Carey negou qualquer “acobertamento”. Arquivos mostram que, na época, o Palácio de Lambeth tinha a posse de seis cartas que detalhavam as acusações de assédios sexuais cometidos por Ball. Estas cartas poderiam ter sido usadas para responsabilizá-lo.

Assim como a polícia está investigando Ball, a Igreja da Inglaterra está também levando a cabo uma revisão independente liderada por Dame Moira Gibb. O relatório feito por Gibb deverá ser finalizado no início de 2017, antes que a investigação civil comece as sessões abertas que podem ser devastadoras para Lord Cary e outros envolvidos. Um membro da família real também teria tentado intervir em nome de Ball.

Ao conceder o status de participação nuclear no caso, o professor Alexis Jay, presidente da comissão investigadora, disse: “O inquérito irá considerar até onde as falhas identificadas em relação à Diocese de Chichester e Peter Ball representam falhas maiores dentro da Igreja da Inglaterra e/ou da Igreja Anglicana em geral, bem como a natureza e extensão de quaisquer falhas das instituições em proteger as crianças de abusos.

É possível que Lord Carey, na qualidade de ex-arcebispo de Canterbury, possa estar sujeito à crítica explícita pelo inquérito no devido curso”.

Um porta-voz da Igreja da Inglaterra disse: “Nós continuamos a trabalhar com o inquérito de uma forma aberta e transparente, obedecendo os pedidos de informação relativos ao Bispo Peter Ball e as demais investigações à Igreja da Inglaterra.

Nos organizamos para que Lord Carey receba assessoria jurídica independente e estamos pagando os custos com as verbas do fundo central. Isso tudo faz parte do nosso compromisso com o importante trabalho da equipe investigativa em ouvir as vozes dos sobreviventes e olhar para as falhas institucionais”.

As ações de Lord Carey, dando apoio ao bispo de Gloucester, que estava sendo investigado por delitos sexuais de quase 25 anos atrás, estão sendo analisadas por dois inquéritos distintos.

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