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15 Julho 2014

Como no jogo das caixas chinesas, debaixo do Big Ben estourou um escândalo que contém um escândalo que contém outro escândalo: só resta entender qual é o maior e qual é o menor.

A reportagem é de Enrico Franceschini, publicada no jornal La Repubblica, 14-07-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O ponto em comum é o mesmo contra o qual o Papa Francisco se joga em Roma: a pedofilia. Para descrevê-los, tanto faz começar do fim, isto é, do último em ordem de tempo: o jornal Times de Londres descobriu que a baronesa Elizabeth Butler-Sloss, 73 anos, juíza aposentada e até 2004 a magistrada de mais alto grau do Reino Unido, decidiu não envolver um bispo em um relatório sobre a pedofilia no clero anglicano, porque ela "amava a Igreja".

O escândalo anterior é que a mesma baronesa, encarregada pelo primeiro-ministro, David Cameron, de liderar uma comissão de inquérito sobre um suposto encobrimento de investigações sobre a pedofilia no parlamento de Westminster nos anos 1970-1980, teria laços demais com o establishment para investigar o caso de modo imparcial, incluindo o vínculo de sangue com o seu irmão falecido, Lorde Havers, que era lorde chanceler (procurador geral) naqueles anos e que foi acusado de ter protegido um influente diplomata abertamente pedófilo.

O terceiro escândalo é o do "dossiê pedofilia" em Westminster: 114 pastas sobre cerca de 20 parlamentares que, há 30-40 anos, eram suspeitos de abuso sexual de menores, um dossiê que desapareceu misteriosamente dos arquivos da Scotland Yard.

Fala-se muito de pedofilia nesses dias na Inglaterra. Da Igreja às escolas privadas, até a BBC: há uma sucessão de acusações por violência sexual contra menores de ambos os sexos, culminando em revelações de filmes de terror, como as do apresentador da parada de sucessos da TV, Jimmy Savile (falecido em 2012), um monstro que molestava órfãos e doentes em hospitais e até mesmo se lançava sobre os cadáveres no necrotério; e a condenação a cinco anos de prisão do ator Rolf Harris, mandado para a prisão aos 84 anos.

Nos últimos dias, a imprensa identificou um novo filão: a existência de um dossiê de pedófilos no Parlamento, aberto e imediatamente fechado nos anos 1980. Não só encoberto, mas depois até mesmo desaparecido, talvez destruído. Uma sombra monstruosa sobre o establishment da época.

Uma sombra à qual se somam a cada dia novos elementos: nesse domingo, rumores da revista People e do jornal Mirror trouxeram à baila até mesmo Margaret Thatcher, relatando que, quando ela era primeira-ministra, ela disse a um de seus ministros, sobre o qual havia boatos de relações com meninos atraídos perto da estação ferroviária Vitória de Londres, que ele devia "limpar os seus atos sexuais", mas sem que o aviso produzisse resultados.

Sob pressão da opinião pública, Cameron nomeou uma comissão de inquérito e a confiou à baronesa Butler-Sloss. Mas quase imediatamente começaram os protestos contra a ex-juíza. E agora o jornal Times revela que a baronesa protegeu um alto prelado da acusação de pedofilia, porque – como confidenciou ela mesma em 2011, em uma audiência a portas fechadas na Câmara dos Lordes, à vítima dos abusos de dois padres – "os jornais gostariam de ver um bispo exposto publicamente".

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Pedofilia: novo escândalo em Londres - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

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