Diálogo entre religiões para frear fanatismos e intolerâncias

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20 Setembro 2016

O Patriarca Ecumênico de Constantinopla é um dos protagonistas do segundo dia de trabalho no Encontro de Assis. O líder ortodoxo reafirmou seu compromisso pela paz e uma visão eclesial próxima da de Francisco. Kasper: “A unidade dos cristãos é um sinal dos tempos contra os conflitos”. O rabino Rosen: “Se a relação tão negativa entre hebreus e cristãos se transformou radicalmente, tudo é possível”. O Papa almoçará com 25 refugiados no refeitório do sacro convento.

A reportagem é de Francesco Peloso e publicada por Vatican Insider, 19-09-2016. A tradução é de André Langer.

“Apenas na medida em que o bispo for (acima de qualquer outra coisa) um verdadeiro servo, também poderá ser um líder que inspira; na medida em que for verdadeiramente um filho devoto de Deus (sem fingir ou pretender reivindicar autoridade ou poder), também será capaz de ser um pai misericordioso da Igreja. De fato, fomos chamados (todos nós, e não importa qual seja a nossa posição) em primeiro lugar a ser filhos de Deus e não governantes da Igreja”.

Assim expressou-se o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, em sua intervenção em Assis, durante uma cerimônia em sua honra. Palavras que o aproximam uma vez mais do magistério do Papa Francisco. Na pequena cidade italiana continua o encontro, promovido pela Comunidade de Santo Egídio e pelos franciscanos, entre os líderes religiosos de todo o mundo, intitulado “Sede de paz; religião e cultura em diálogo”, por ocasião dos 30 anos do primeiro evento inter-religioso do qual participou João Paulo II.

O segundo dia do encontro teve como protagonista o Patriarca Ecumênico Bartolomeu, que recebeu na Universidade para Estrangeiros da cidade de Perugia o Doutorado Honoris Causa em Relações Internacionais. Depois, à tarde, em Assis, houve um importante encontro inter-religioso em sua homenagem. Durante a manhã, na Universidade de Perugia, o líder ortodoxo observou, entre outras coisas, que “culturas e religiões já se encontraram para realizar caminhos de paz, mas certamente este processo deve continuar para impedir o surgimento de fenômenos de intolerância e fanatismo religioso, para salvaguardar o valor de cada cultura, com o objetivo de que não seja sacrificada no altar da globalização ou de uma cultura que domina as outras”.

No encontro em homenagem a Bartolomeu em Assis participaram o cardeal Walter Kasper, o rabino David Rosen, o primaz anglicano Justin Welby, que moderou o encontro, e Andrea Ricardi. Bartolomeu, cuja presença não estava prevista em um primeiro momento, participou do evento. “Assim como você, nós estamos seguros – disse o cardeal Kasper – de que a unidade (entre cristãos, ndr.) é um mandamento do Senhor e uma resposta aos sinais dos tempos em um mundo cada vez mais unido e ao mesmo tempo profundamente dilacerado, atravessado por muitos conflitos. Esta unidade não implica nenhuma absorção, nem nenhuma liquefação ou sufocamento, mas é essa unidade na diversidade reconciliada, de que o Papa Francisco falou várias vezes em sua visita ao Fanar”.

Entre todas as intervenções de interesse destaca-se a do rabino David Rosen, no “painel” dedicado ao diálogo entre hebreus e cristãos. Rosen recordou os grandes progressos dos últimos 30 anos, e a mudança que significou o Concílio Vaticano II com a Nostra Aetate: “Se a relação tão fossilizada, tão envenenada, tão negativa entre o cristianismo e o hebraísmo – disse o rabino – sofreu uma transformação radical, então realmente tudo é possível. Podemos transformar o nosso mundo naquilo que as nossas religiões ensinam”. A mudança do Concílio também foi recordada pelo bispo alemão Heinrich Mussinghoff, que disse: “Graças ao Concílio Vaticano II, os supostos ‘perfidis Iudeis’ transformaram-se em nossos irmãos e irmãs maiores”.

Entre os eventos mais significativos do último dia, além dos momentos oficiais, estará o almoço do Papa Francisco com 25 refugiados no grande refeitório do sacro convento. Trata-se de um grupo de cristãos católicos, coptas e de muçulmanos; entre eles estará uma menina, Maria, de seis anos e que chegou há quatro meses da Síria com seus pais; o grupo provém de diferentes países: Síria, Paquistão, Afeganistão, Eritreia, Mali e Nigéria.

Dez deles são hóspedes no Centro Cara, de Cartel Nuovo, cinco da Cáritas de Assis e 10 chegaram à Itália com o Papa Francisco de Lesbos e graças aos corredores humanitários organizados pela Comunidade de Santo Egídio e pela Federação das Igrejas Evangélicas na Itália. Todos eles almoçarão com o Papa, além do Patriarca Ecumênico Bartolomeu, o Patriarca siro-ortodoxo Efrén e o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman.

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