A esquerda brasileira está-se deixando devorar pela direita

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15 Julho 2016

“Após ter dirigido a política brasileira durante 13 anos, o PT está-se convertendo em um partido minoritário e até marginal”, avalia Juan Arias, jornalista, em artigo publicado por El País, 14-07-2016.

Eis o artigo.

A direita liberal brasileira está-se fazendo com o poder. Quiçá mais que por méritos próprios, porque a esquerda se deixou devorar por ela.

“Dá-me medo a direita porque com esta esquerda covarde e desarticulada está-o tendo tudo muito fácil”, escreve em seu Facebook Esther Solano, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Efetivamente, em vez de defender sua identidade e lutar por seus ideais, o Partido dos Trabalhadores (PT) foi-se envolvendo nas artes dos compromissos baixo a mesa, astúcias de pequenos jogadores de pôquer para surpreender aos adversários, aos que chegou a chamar “inimigos que há que exterminar”, em vez de apostar a plena vista por aquilo no que acha. 

Um exemplo está na disputa para a presidência da Câmara de Deputados. Em vez de um candidato da esquerda com peso, com programa próprio, capaz de reconciliar a um Congresso ferido e dividido, o PT preferiu um golpe de mão que irritasse ao Governo interino de Michel Temer. Buscou um candidato do partido mais infiel. Perdeu, e a derrota foi ainda maior.

O PT já não reparte as cartas nem no Governo nem no Congresso. Após ter dirigido a política durante 13 anos, está-se convertendo em minoritário e até marginal.

Os experientes em ciência política terão em um dia que estudar a razão última do declive de um partido que chegou a inspirar e até a entusiasmar à esquerda do continente.

A nós, os simples observadores, o que nos parece claro é que a esquerda se foi deixando devorar pela direita mais conservadora no afã da ter como colega fiel, que lhe assegurasse a governabilidade e a continuidade no poder.

O PT sentiu-se forte e capaz de poder governar com o apoio das forças mais reaccionarias do Congresso, começando pela evangélica. Para isso, dividiu com elas o poder e aceitou compromissos pelos que acabou sendo desfigurado.

Os partidos mais conservadores foram-se servindo do caminho que lhes abria a esquerda para afiançar- se e se fortalecer impondo a cada vez mais claramente seu credo e seus mandamentos.

Em vez de ter sido o PT quem convertesse à parte mais conservadora do Congresso às liberdades e à modernidade das grandes democracias, pactuou com ela e selou compromissos que envergonhariam a qualquer esquerda democrática.

Em vez de apurar o conservadorismo, contaminou-se com ele. Em vez de impor uma ética nova à política, deixou-se atacar pelo vírus da corrução considerado patrimônio da direita.

Tão bem aprendeu a lição que hoje o PT parece o campeão na arte de usar para seu proveito a máquina do Estado, com dois presidentes e três tesoureiros condenados e encarcerados.

Nenhum democrata deve ser alegrado de ver desintegrar-se a esquerda, e menos a uma esquerda social como o foi o PT. O jogo político precisa de pluralismo, de ideias divergentes, capazes de abarcar todo o leque de uma sociedade plural.

Mais que denegrir às forças de direitas e liberais por estar se apossando da política, o que faz falta é que a esquerda saiba reconhecer que jogou mau em seus aposta.

O PT, para desintoxicar-se dos compromissos que o foram desfigurando e debilitando, precisaria voltar ao deserto para empreender seu velho caminho de libertação.

Ser minoria não é um pecado nem uma humilhação. O pior é não entender que o caminho da libertação passa por abandonar os ídolos e por deixar de sentir falta da carne e das cebolas dos tempos da escravidão no Egito, como Moisés recriminava aos judeus.

À terra prometida chegam só os despojados, fiéis às próprias convicções, sem envolver nos jogos sempre perigosos do compromisso e da perpetuidade a qualquer preço.

A idolatria do poder acaba sempre engendrando monstros difíceis de dominar.

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