Em respeito ao Brasil o PT deveria fazer silêncio

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13 Julho 2016

“O PT deveria dar ao Brasil um tempo de silêncio”. A frase, que parece vir de algum opositor ao governo do PT, na realidade veio de um ex-petista e de alguém que até há pouco tempo era um dos principais quadros do partido: o ex-deputado federal Paulo Delgado. Afastado da política, após ser eleito por seis mandatos, Paulo Delgado se divide atualmente entre as atividades de consultor da Fiemg e a de professor. Mas acompanha todas as mudanças que estão acontecendo no país. Para ele, o ex-presidente Lula tinha uma base política sólida para fazer reformas importantes no país e não fez. A presidente afastada Dilma, por sua vez, acha que o Brasil lhe deve favor. Mas o certo é que, o que está acontecendo no país, a partir da Petrobras é a maldição da riqueza, da ambição e da arrogância de líderes políticos, no entendimento de Delgado.

A entrevista é de Paulo César de Oliveira, publicada por blog PCO, 10-07-2016.

Eis a entrevista.

O senhor foi um dos políticos mais atuantes do PT. O que sente ao assistir a todas essas denúncias?

Não fui eu que saí do PT, foi o PT que saiu de mim. O partido mudou a visão da sociedade, a sua maneira de atuar. O Brasil merece um tempo de silêncio do PT. O PT deveria dar ao Brasil um tempo de silêncio, porque foi o PT que escreveu a esperança no catálogo das virtudes políticas e fez as pessoas perderem a esperança com a política. É evidente que não é uma crise do PT como um todo. Não é uma crise dos petistas, é uma crise de parte dos petistas.

Uma parte que estava governando, não é?

Uma parte com influência. É uma crise de dirigentes e isso ocorreu em vários países, com partidos de esquerda. A esquerda tem uma dificuldade muito grande de fazer autocrítica e não consegue tratar de maneira correta o erro. Normalmente a esquerda trata de maneira errada o erro. Isso foi se acumulando. As dissidências políticas foram sendo expulsas do PT, o ambiente interno foi perdendo vitalidade. Mas é uma geração que teve um papel importante na política brasileira. Mesmo a irritação do PT, as críticas excessivas a tudo, ajudaram a testar as instituições e acho que hoje o PT está sendo comido pelo urso que criou.

Como assim?

Essas alianças desnecessárias, excessivas. Não havia necessidade destas alianças para o Lula se eleger em 2003 com força política suficiente para governar. Ele não precisava fazer nenhuma avaliação moral de adversários. Não precisava se organizar dentro do Parlamento da forma em que se organizou. Ele tinha a possibilidade de ter feito a reforma trabalhista, a reforma sindical brasileira, a reforma política. Não saiu nenhuma grande reforma no governo Lula.

O PT perdeu a oportunidade de fazer um grande governo e agora está saindo pela porta dos fundos?

Acho que é um processo político normal. As pessoas pagam pelos seus atos. O Brasil tem uma instituição judiciária ainda muito precária. O Brasil tem mais juízes do que Judiciário. Nós temos 17 mil juízes, mas não temos ainda um poder Judiciário. É um juiz de instrução de Curitiba que pergunta a uma autoridade se aquilo que ele usa é dele. Essa autoridade se recusa a responder e ele inicia o processo de investigação e isso vira um novelo. Por que uma autoridade precisa de só explicar ao Supremo Tribunal Federal? Não tem porque ter foro privilegiado. O eleitor não tem foro privilegiado, porque o eleito terá? O direito de ter opinião, eu concordo, tem que ser amplo, todo mundo tem direito a ter a sua opinião, no Parlamento… avançou muito a liberdade de opinião no Brasil. Agora, imaginar que o poder lhe dá liberdade de ação sobre as agências do estado, sobre as empresas estatais, essa nomeação de diretores por razões políticas partidárias eu sou contra. Sempre fui contra isso. 

O senhor imaginou um dia que a Petrobras passaria por uma situação como esta?

É a maldição da riqueza. A maldição da ambição e da arrogância de líderes políticos, porque a Petrobras estava caminhando para ser uma empresa de energia, e não de Petróleo. É obsoleta a Petrobras petróleo. O pré sal sempre foi uma mentira. Não uma mentira tecnológica, natural. O petróleo submarino existe, mas é uma mentira para o futuro. Iludir um país com energia suja, num país que tem a maior reserva de água doce do mundo, em um país que tem mais sol, mais terra produtiva, não sei onde nós estávamos com a cabeça.

Onde a presidente Dilma errou?

A Dilma acha que o Brasil lhe deve favor. Ela acha que o Brasil a torturou. Quem a torturou foram os militares, não foi o Brasil.

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