Vatileaks 2. Os jornalistas foram inocentados

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Por: André | 11 Julho 2016

A Justiça vaticana concluiu na última quinta-feira o processo conhecido Vatileaks 2, que começou em 24 de novembro passado, condenando dois dos cinco acusados – dois membros da Igreja, uma mulher e dois jornalistas – por terem divulgado documentos reservados do Vaticano.

A reportagem é de Elena Llorente e publicada por Página/12, 08-07-2016. A tradução é de André Langer.

Foram condenados o padre espanhol e membro da organização católico conservadora Opus Dei, Lucio Vallejo Balda, a 18 meses de prisão, e a especialista em relações públicas italiana Francesca Immacolata Chaouqui, a 10 meses, mas com a pena suspensa por cinco anos. Ambos eram integrantes da Cosea, uma comissão de estudo das estruturas econômicas e administrativas da Santa Sé – criada em 2013 e que terminou seus trabalhos em 2014 – que devia assessorar o Papa Francisco em matéria de mudanças no Vaticano, razão pela qual os condenados tiveram acesso a informações reservadas. Eles têm poucos dias para decidir se querem apelar da sentença, precisou a sala de imprensa vaticana.

Os documentos reservados foram entregues aos dois jornalistas acusados, Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, que publicaram dois livros, Via Crucis e Avareza, respectivamente, onde falam, entre outras coisas, das propriedades milionárias do Vaticano, de seus lucros com a venda de combustíveis, cigarros e com a farmácia vaticana. Os dois jornalistas foram absolvidos porque o tribunal vaticano considerou que não tinha competência territorial, já que os dois são italianos e não cometeram nenhum crime dentro do Vaticano. Também foi absolvido o quinto acusado e colaborador de Vallejo Balda, Nicola Maio.

As penas foram reduzidas em comparação com aquelas solicitadas pelos “promotores de justiça”, isto é, os promotores da Santa Sé: três anos e um mês de prisão para Vallejo Balda, três anos e nove meses de reclusão para Chaouqui, considerada a mentora de toda a história que, segundo ela, teria ajudado o Papa Francisco a fazer as reformas dentro do Vaticano. Para Maio, se havia pedido um ano e nove meses de prisão enquanto que para Nuzzi, um ano de prisão, mas condicional. Fittipaldi devia ser absolvido por “falta de provas”, segundo os promotores vaticanos. A sentença, ao contrário, fala de um principal responsável, Vallejo Balda, e de uma cúmplice na divulgação, Chaouqui.

“O dia de hoje foi histórico, não apenas para nós, jornalistas, mas para este pequeno Estado”, comentou Gianluigi Nuzzi na saída. “Os jornalistas – acrescentou – têm o dever de informar, sobretudo quando têm em mãos documentos delicados. A sentença de hoje demonstra isso”. “Foi uma decisão impressionante e uma grande vitória para a liberdade de imprensa”, concluiu. Fittipaldi, por sua vez, comentou: “O Vaticano teve uma grande coragem. Foi um processo kafkiano no que se refere às acusações que fizeram contra nós. A conclusão, no entanto, foi positiva. O Vaticano deu um passo em frente”.

Tanto Nuzzi como Fittipaldi apareceram sorridentes e relaxados, após meses de tensão, quando, na saída do Vaticano, se encontraram com a multidão de jornalistas que aguardavam por eles. Para Chaouqui, que não disse se apelará da sentença, “terminou a prova mais difícil” da sua vida. “Hoje terminou o calvário”, disse.

O processo teve cerca de 20 audiências e nas últimas Chaouqui se apresentou curiosamente com seu filhinho nascido há algumas semanas. “Ter levado o meu filho à audiência não foi nenhuma provocação – disse Chaouqui aos jornalistas. É que tenho que amamentá-lo a cada três horas. De qualquer maneira, ele foi o protagonista de toda esta história desde o começo, enquanto se quis agir contra uma mulher grávida”.

Chaouqui foi muito mais longe ainda quando na manhã da quinta-feira fez sua própria defesa, pouco antes que o tribunal se reunisse para deliberar por cinco horas para emitir as sentenças. Começou pedindo desculpas aos juízes porque “algumas de suas declarações não refletem verdadeiramente seu pensamento”. Disse que deveria ter “ficado calada” mais de uma vez e se autoqualificou como uma pessoa “orgulhosa, com muitos defeitos, que a levam a cometer muitos erros”, mas que ela “não é a pessoa que emergiu deste processo”.

“Eu não tinha ideia de que ao apresentar os jornalistas a Balda, ele lhes teria entregado o arquivo. Se eu quisesse entregar os documentos, por que esperaria dois anos? Os documentos ainda estão comigo. Poderia sair daqui e entregá-los a quem quisesse. Mas nunca farei isso. Se a corte vaticana pedir à Itália para que cumpra a sentença, meu filho e eu passaremos seus primeiros anos de vida na prisão”, concluiu não sem antes dizer, quase entre lágrimas, que com o processo enfrentou a destruição de sua imagem “profissional e pessoal, como mulher, como mãe e como ser humano. As mentiras de Balda, além disso, colocaram em perigo a minha família, como quando apareceu uma reportagem que me pintava como a amante do prelado”.

O processo, realizado durante um ano crucial para a Igreja, o Ano da Misericórdia, desejado pelo Papa Francisco, desencadeou muitas críticas por parte de outros jornalistas e meios de comunicação que defendem a ação de Fittipaldi e Nuzzi ao trazer à luz documentos que o Vaticano considera reservados, mas que falam das propriedades milionárias da Santa Sé, dos lucros obtidos com a farmácia, com a tabacaria e os pontos de serviço dentro do Vaticano, ou onde vai parar o dinheiro angariado pela “fábrica de santos”, isto é, a congregação vaticana que se ocupa das canonizações, entre outras coisas.

Entre os jornalistas está Ezio Mauro, que foi até recentemente o diretor de um dos jornais mais importantes da Itália, o La Repubblica. Em um artigo escrito precisamente para o La Repubblica e publicado na quinta-feira, Mauro disse que “é a profissão de jornalista que está sendo acusada. É quase uma vingança pelo passado e uma advertência para o futuro: aqui (no Vaticano, ndr.) a liberdade de imprensa não existe”.

O próprio Fittipaldi concorda com Mauro, que declarou: “Segundo a acusação vaticana, estas notícias não deviam ser publicadas e quem o fizesse, participa de um ato criminoso. Eu critico o princípio mesmo sobre o qual está baseado este processo, porque não é um ataque contra dois jornalistas, mas contra a liberdade de imprensa”.

Sobre este ponto, a sentença deu a entender claramente que a Santa Sé respeita a liberdade de imprensa. Este processo é o segundo realizado pelo Vaticano contra pessoas que divulgaram documentos considerados reservados. O primeiro, o Vatileaks 1, aconteceu em 2012 contra o mordomo do Papa Bento XVI, Paolo Gabriele.

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