As mensagens do Papa à hierarquia que resiste à mudança

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18 Setembro 2015

Quando Francisco fala, parte sempre da própria experiência. Isso porque tem se confrontado com mais pessoas e porque, como bom jesuíta, fez discernimento. Assim, quando na visita a Aura Vistas Miguel solicita aos conventos tornados albergues que paguem as taxas, mostra ter em mente situações precisas. Foi em setembro de 2013 que andou em visita ao Centro Astalli de Roma, onde cada dia se acolhe refugiados. Disse à Igreja não servem conventos vazios. E que muitos podiam abrir as próprias portas aos refugiados. “Quais foram os resultados?”, perguntou-lhe a jornalista portuguesa. “Quatro somente”, explicou o Papa. Talvez desiludido por uma resposta tão avara. Junto a institutos religiosos que vivem até o fundo a própria missão de serviço aos últimos, há outros que arriscam perder-se, pensando principalmente em como fazer caixa.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 15-09-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Não é um estilo que agrada ao Papa. Façam como querem, mas pelo menos paguem as taxas. Existe hoje uma Igreja que resiste, não tanto a Francisco quanto ao Evangelho de Jesus, segundo o qual no dia do juízo final cada um será julgado não sobre quanto tem sido coerente, mas se deu de comer aos famintos, se acolheu os últimos. “E, quando estive sem refúgio, como refugiado, me ajudastes?” perguntou Francisco. “Se responderdes que sim, me congratulo convosco, tereis superado o exame”. Para o Papa, a acolhida não deve ser feita pedindo a carteira de identidade. Acolher “é acolher quem quer que venha”. No entanto, algumas dioceses não parem intencionadas a fazê-lo: acolher sim, responderam alguns, mas não a todos, mas somente a quem já se conhece. Também aqui: não é do estilo de Bergoglio julgar ninguém. Mas, provavelmente, não é esta a resposta que se teria esperado. Aproxima-se o Sínodo dos bispos sobre a família e Francisco mostra saber aonde quer chegar.

Se for verdade que, coerente com um estilo sinodal, não fará quebras que o próprio Sínodo não queira, é igualmente claro que a Igreja que está plasmando não é um consenso de puros, um sinédrio identitário onde quem está dentro decide quem é digno de fazer parte dele, quanto uma família capaz de curvar-se sobre os pecadores. As mensagens que ele lançou são múltiplas, a começar por aquela aceleração dos processos de nulidade matrimonial que com o Sínodo e o Jubileu têm direta atinência: “Está tudo coligado”, disse o Papa. Ante a necessidade de viver de modo novo a tensão a sempre retecer entre doutrina e vida, existe uma Igreja que de reformas e renovação não quer ouvir falar. E prefere tornar-se “raquítica, sem criatividade”.

Quantas vezes, por exemplo a Igreja sul-americana próxima do povo com sua teologia da libertação, foi acusada por algumas bem pensantes hierarquias europeias de conivência com o marxismo. No entanto, disse o Papa, é melhor uma Igreja que sai e pela estrada tem um incidente, “incidentada” porque “pelo menos está de saída”, antes que “enferma”. Também ontem, como nas congregações gerais que precederam o conclave de 2013, Bergoglio recordou que às vezes é a Igreja que mantém Jesus aprisionado. A maior parte dos cardeais ficou impressionada com estas palavras e decidiu elegê-lo. Agora ele está procurando fazer aquilo para que foi eleito: libertar Jesus dos freios da Igreja, também se há quem resiste.

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